Caminhando... Caminhando... Caminhando... Raiva no peito... E lágrimas nos olhos... As ruas estão desertas... As famílias "felizes" se reunem... Eu me emociono com o afeto que as une neste dia... As pessoas se amam e tudo é perfeito... A hipocrisia é bela...E eu choro...
Cada vez que espero para atravessar a rua...Rezo para que não apareça nenhum cachorro.. Uma vez, um cachorro lindo e simpático me acompanhou na rua... Ele me ultrapassava e latia... Balançava o rabo...Me esperando... Ele só queria brincar...Ele só queria um amigo... Ainda não dava para atravessar a rua...Mas ele atravessou.
O carro o atingiu em cheio...Não parou...Porque parar? Porque parar...Porra!?! Era apenas um cachorro! Quem liga para um cachorro de rua?! Fiquei congelado... O cachorro levantou a cabeça...Ele me olhou... Babando sangue.. Como que perguntando: "Por quê?! Eu só queria brincar..."
O segundo carro acertou a cabeça... Ele morreu. Ninguem parou. Ninguem ligou.
Com mãos trêmulas e a vista embaçada pelas lágrimas... Puxei o animal pela pata partida até a calçada... Não havia nada o que fazer...
Existirá um céu para os bichos? Pois se existe... Este meu amiguinho merece o mais bonito... Campos verdejantes onde possa brincar e pular entre flores que nunca murcham... Onde não passam correndo máquinas de matar, cujos motoristas não são mais que uma peça insensível deste mecanismo atróz..Correndo em direção a porcaria nenhuma... Em direção ao vazio dentro de seus próprios corações... Vocês merecem a morte... Abortos motorizados... E não, aquele pobre cachorrinho...Ele só queria um amigo.
Meu consolo é pensar que sua morte foi a liberdade para algo melhor... Esta semana, sonhei que fui enforcado. Não. Não foi um pesadelo. A morte foi rápida. Tranquila. Mal a senti. E acordei aqui mesmo, no mundo físico. O alem não era em outro lugar. Mas sim, uma camada sobreposta sobre o mundo físico. Eu passava por dentro dos encarnados e via tudo que havia lá dentro.
Eu vi um casal jovem... Eles haviam acabado de ter seu primeiro filho. Passei por dentro da moça... Queria ver o coração batendo no ritmo da felicidade...Mas, acabei vendo mais que isso... Havia um câncer brotando dentro dela... Como uma semente do mal... Eu vi a sujeira debaixo do tapete...Eu vi a lâmina na manga do assasino.
Ah! Fiquei nervoso... Com vontade de urinar... Existiria um banheiro neste mundo espiritual? Ou usaria a privada dos vivos, mesmo?
Vi então, homens entrando por uma porta... Reconheci que era um "banheiro publico ectoplásmico", sobreposto a estante da sala do jovem casal.
Me aproximei do mictório. O homem ao lado me olhou desconfiado:
--- Oi!
---Olá!
---Vem sempre aqui?
--- Não. Eu morri a pouco.
--- Como foi?
--- Eu fui enforcado.
--- Qual seu crime?
--- Ser diferente dos outros. Ou pelo menos, não esconder isto.
--- A morte lhe cai bem!
--- Oquê?
Ele fez um gesto com o indicador, reparei que eu estava vestindo uma espécie de manto transparente, todo coberto por letras...Muitas letras... Minusculas e maiusculas...E os meus sentimentos faziam com que se formassem palavras diferentes:
"Espanto" "Solidão" "Saudade"
--- Não entendo... Não posso ter saudade de nada de lá... Eu não fazia parte daquilo...
O homem sorriu...O jato de urina caía como uma cascata infinita:
--- Todos fazemos... Só não podemos deixar que os outros nos façam pensar o contrário.
O vaso transborda... O "mijo do outro mundo" me sobe até os joelhos... Tinha que sair de lá...
De repente...Não havia mais banheiro... Mas, eu estava mergulhado numa fonte cheia de rosas... No alto, um anjinho pelado dirigia contra o meu rosto, o pipizinho de onde jorrava àgua cristalina. E seu sorriso era o mesmo do homem do mictório:
--- Volte, André! Ainda não acabou!
--- Não! Eu não quero!
Au! Au! Au! Au!
Olho em volta, e reconheço meu amigo cachorro, que pulava alegremente e cheio de vitalidade... Bem diferente do cadáver que abandonei no meio fio, e que provavelmente teve um sórdido enterro em algum caminhão de lixo.
--- Olá, amigo! Então aqui é o céu dos bichos?
Ele saiu correndo...E havia uma fenda no meio de uma àrvore... Ele passou por ela, e eu fui atrás... O ar de repente, ficou pesado... Já não conseguia correr como antes... Senti-me cansado... O campo verdejante deu lugar ao cinza do concreto... A escuridão do asfalto...
--- Não!! Cuidado!! O carroooooo!!!!!!!!!!
E lá estava eu novamente... Com o animalzinho morto em minhas mãos... O seu amor desmanchado em líquido rubro em minhas palmas hesitantes... E aquele cadáver era a personificação de minha dor... E o que fazer com esta maldita dor que me aflige? Criar letras...Uma atrás a outra... Formar palavras sobre este manto invisivel que nos reveste... Mas que não se chama morte... Mas, sim...Esperança...
segunda-feira, 14 de maio de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
A Bela Banalidade Da Bunda
Hoje encostei numa bunda. E gostaria de dividir essa emoção com meus amigos.
A muito tempo, que não sentia uma bunda. A facilidade de manusear um pé, acabou me levando para essa direção, até mesmo por ter conhecido uma pessoa que gostava de fetichistas de pés, o que consequentemente acabou influenciando meu trabalho literário. Hoje, encostei numa bunda. Mas não pensem que sou um desses tarados que se esfregam nos ônibus. Não. Foi um acidente. Não nego que na adolescência, nós tínhamos tal costume, esperando o ônibus mais cheio possivel, para embarcar, movidos pelos hormônios à mil, nessa fase da vida. Quem me conhece mais intimamente, sabe que tenho um grande problema com relacionamentos, e mantenho à muito, um celibato "à la Morrissey", desiludido que sou, com os que me cercam.
---- Você não tem vergonha de confessar isso?
---- Não. Vejo muito mais valor na prática onanista, que me arriscar por aí, á pegar doenças, um filho indesejado, ou uma pessoa desequilibrada pegando no meu pé. E o pior, sem amor nenhum!
---- Mas sexo é vida! È como se você estivesse morto!
---- Ah, meu querido! Como é bom ser poeta! Ter o dom da imaginação! Tenho várias pessoas com que faço as coisas mais loucas, todos os dias! E a unica consequencia é o gozo!
---- Você está louco! È um infeliz!
---- Infeliz é você! Por estar preso a idéias preconceituosas! Neste caso, o sexo é uma corrente que o prende! Essa necessidade de penetrar corpos a esmo...Você é um castor que tem que gastar as presas...Roendo toda maldita madeira que vê na frente!
Então, este meu leitor se cala, e me dá as costas. Posso continuar minha narrativa. Literariamente falando, os pés são muito mais ricos que a bunda. Eles sustentam. Eles levam. Você cai sobre eles. E você os lambe. Você pode levar essas minhas palavras ao "pé da letra"... Ou lhes dar outros significados... Vêem como os pés são valiosos? Não ergam bustos aos seus heróis! Façam esculturas de seus pés! Mesmo que tenham joanetes, caramba!
Mas...E a bunda? Larguei a bunda de mão, quando percebi que ela não me levaria mais longe. Mas, os pés me levaram... E é por causa deles, que atualmente escrevo esse blog, pra vocês....Ou pra mim mesmo... Que importa? Escrevo por que é preciso. E cada letra forma um artelho que sustenta este meu corpo espiritual. Pois minha alma depende desse ofício não-renumerado. E o ganho é mais vida que me põe a andar. E eu vou andando pela cidade... Com pés feitos de vontade poética...Minha vontade é uma centopéia, com vários pézinhos.... Uma centopéia monstruosa... Que a maioria não entende e sente repulsa...
E a bunda...Mesmo enchendo os olhos...Ah...A bunda é vazia... A bunda só pode oferecer cocô... Mas, hoje encostei numa bunda... E foi bom... Talvez... Porque a bunda não nos faça pensar! Os homens sentados em frente a TV, assistindo a um programa como o "Pânico", são como crianças na "fase anal"... Embasbacados...Lambendo de seus dedos trêmulos, o cocô que lhes é oferecido... A época em que poetizava a bunda... O que acabava na minha mão, era invariavelmente isso....Merda!
A bunda está muito enraizada no banal. Mas, hoje, após encostar naquela bunda, me dei conta da bela banalidade da bunda! Mas, não devemos poetizar a bunda....Creio que a bunda seja um pão francês... E que deve ser comido... Por que francês, e não integral? Porque a bunda em que me encostei hoje, era branca...Mas vai do gosto de cada um...Integral ou não....A bunda sempre será igual... Afinal, se a bunda representasse algo de elevado, a expressão "cara de bunda" não existiria, não é mesmo?
Não digo que não se possa escrever um bom poema sobre a bunda. Claro que é possivel...Mas, o segundo será igual ao primeiro...Ou seja, a mesma merda...É um tema que acaba num abismo...A bunda acaba num buraco negro, meus amigos!
A bunda apela para os instintos mais baixos...Não há intelectualidade que consiga montá-la, e conseguir enfiar no meio dela, um supositório de dignidade em seu poço sem fundo de banalidade! Marlon Brando mostra seu pior (não estou falando da atuação, sempre estupenda, me refiro ao personagem) em duas cenas que envolvem a bunda, em "O Ultimo Tango em paris", a da manteiga, e a do cortador de unhas. Inclusive, assisti com minha mãe, que horrorizada, coitada, após esta ultima, disse:
---- Marlon Brando acabou pra mim!
Tem tambem, "Je T'aime Moi Non Plus", em que a bunda é usada como amarra, para segurar um improvável relacionamento. E por fim, a mais representativa história de um colecionador de objetos inuteis, obcecado pela bunda (aqui, metamorfoseada como personagem) de uma garçonete, e seu fim, é morrer com a cara no chão do banheiro, em "O Cheiro do Ralo". Nestes casos, a bunda fez arte. Nestes casos, o cu é "cult", mas mesmo assim, não deixa de ser o que é. Por mais perfume que vocçe jogue num gambá, ele sempre irá feder.
Acabar com o nariz enfiado no ralo... Esse é o destino do adorador da bunda. Nada contra gostar da bunda. Pois o arrepio que me percorreu a espinha, hoje, ao encostar naquela bunda, é prova mais que substâncial, que nunca deixarei de apreciá-la. Mas, deixar que ela me envolva, que me engula para dentro de si, como "Mr. Snoid", personagem dos quadrinhos de Robert Crumb...Não... Não mais... Os pés podem me levar muito mais longe... Bem para longe de um cômodo sofá, em frente a uma TV, exibindo o programa "Pânico"...Não... Chega de lamber a merda dos dedos... Contemplem se quiserem, a bunda...Comam-na como pão...Mesmo que seja aquele, que o diabo amassou ( aquela velhinha...murchinha...como diria o Costinha) Mas, não se percam dentro dela...Corram com os pés da sua criatividade! Da sua vontade por esse mundo incrivel, que é sua própria alma!
Pois o tempo é cruel...E, quando decidirmos abrir os olhos...Poderemos ver, tarde demais, que ele nos deu um belo "pé na bunda" de nossos sonhos.
A muito tempo, que não sentia uma bunda. A facilidade de manusear um pé, acabou me levando para essa direção, até mesmo por ter conhecido uma pessoa que gostava de fetichistas de pés, o que consequentemente acabou influenciando meu trabalho literário. Hoje, encostei numa bunda. Mas não pensem que sou um desses tarados que se esfregam nos ônibus. Não. Foi um acidente. Não nego que na adolescência, nós tínhamos tal costume, esperando o ônibus mais cheio possivel, para embarcar, movidos pelos hormônios à mil, nessa fase da vida. Quem me conhece mais intimamente, sabe que tenho um grande problema com relacionamentos, e mantenho à muito, um celibato "à la Morrissey", desiludido que sou, com os que me cercam.
---- Você não tem vergonha de confessar isso?
---- Não. Vejo muito mais valor na prática onanista, que me arriscar por aí, á pegar doenças, um filho indesejado, ou uma pessoa desequilibrada pegando no meu pé. E o pior, sem amor nenhum!
---- Mas sexo é vida! È como se você estivesse morto!
---- Ah, meu querido! Como é bom ser poeta! Ter o dom da imaginação! Tenho várias pessoas com que faço as coisas mais loucas, todos os dias! E a unica consequencia é o gozo!
---- Você está louco! È um infeliz!
---- Infeliz é você! Por estar preso a idéias preconceituosas! Neste caso, o sexo é uma corrente que o prende! Essa necessidade de penetrar corpos a esmo...Você é um castor que tem que gastar as presas...Roendo toda maldita madeira que vê na frente!
Então, este meu leitor se cala, e me dá as costas. Posso continuar minha narrativa. Literariamente falando, os pés são muito mais ricos que a bunda. Eles sustentam. Eles levam. Você cai sobre eles. E você os lambe. Você pode levar essas minhas palavras ao "pé da letra"... Ou lhes dar outros significados... Vêem como os pés são valiosos? Não ergam bustos aos seus heróis! Façam esculturas de seus pés! Mesmo que tenham joanetes, caramba!
Mas...E a bunda? Larguei a bunda de mão, quando percebi que ela não me levaria mais longe. Mas, os pés me levaram... E é por causa deles, que atualmente escrevo esse blog, pra vocês....Ou pra mim mesmo... Que importa? Escrevo por que é preciso. E cada letra forma um artelho que sustenta este meu corpo espiritual. Pois minha alma depende desse ofício não-renumerado. E o ganho é mais vida que me põe a andar. E eu vou andando pela cidade... Com pés feitos de vontade poética...Minha vontade é uma centopéia, com vários pézinhos.... Uma centopéia monstruosa... Que a maioria não entende e sente repulsa...
E a bunda...Mesmo enchendo os olhos...Ah...A bunda é vazia... A bunda só pode oferecer cocô... Mas, hoje encostei numa bunda... E foi bom... Talvez... Porque a bunda não nos faça pensar! Os homens sentados em frente a TV, assistindo a um programa como o "Pânico", são como crianças na "fase anal"... Embasbacados...Lambendo de seus dedos trêmulos, o cocô que lhes é oferecido... A época em que poetizava a bunda... O que acabava na minha mão, era invariavelmente isso....Merda!
A bunda está muito enraizada no banal. Mas, hoje, após encostar naquela bunda, me dei conta da bela banalidade da bunda! Mas, não devemos poetizar a bunda....Creio que a bunda seja um pão francês... E que deve ser comido... Por que francês, e não integral? Porque a bunda em que me encostei hoje, era branca...Mas vai do gosto de cada um...Integral ou não....A bunda sempre será igual... Afinal, se a bunda representasse algo de elevado, a expressão "cara de bunda" não existiria, não é mesmo?
Não digo que não se possa escrever um bom poema sobre a bunda. Claro que é possivel...Mas, o segundo será igual ao primeiro...Ou seja, a mesma merda...É um tema que acaba num abismo...A bunda acaba num buraco negro, meus amigos!
A bunda apela para os instintos mais baixos...Não há intelectualidade que consiga montá-la, e conseguir enfiar no meio dela, um supositório de dignidade em seu poço sem fundo de banalidade! Marlon Brando mostra seu pior (não estou falando da atuação, sempre estupenda, me refiro ao personagem) em duas cenas que envolvem a bunda, em "O Ultimo Tango em paris", a da manteiga, e a do cortador de unhas. Inclusive, assisti com minha mãe, que horrorizada, coitada, após esta ultima, disse:
---- Marlon Brando acabou pra mim!
Tem tambem, "Je T'aime Moi Non Plus", em que a bunda é usada como amarra, para segurar um improvável relacionamento. E por fim, a mais representativa história de um colecionador de objetos inuteis, obcecado pela bunda (aqui, metamorfoseada como personagem) de uma garçonete, e seu fim, é morrer com a cara no chão do banheiro, em "O Cheiro do Ralo". Nestes casos, a bunda fez arte. Nestes casos, o cu é "cult", mas mesmo assim, não deixa de ser o que é. Por mais perfume que vocçe jogue num gambá, ele sempre irá feder.
Acabar com o nariz enfiado no ralo... Esse é o destino do adorador da bunda. Nada contra gostar da bunda. Pois o arrepio que me percorreu a espinha, hoje, ao encostar naquela bunda, é prova mais que substâncial, que nunca deixarei de apreciá-la. Mas, deixar que ela me envolva, que me engula para dentro de si, como "Mr. Snoid", personagem dos quadrinhos de Robert Crumb...Não... Não mais... Os pés podem me levar muito mais longe... Bem para longe de um cômodo sofá, em frente a uma TV, exibindo o programa "Pânico"...Não... Chega de lamber a merda dos dedos... Contemplem se quiserem, a bunda...Comam-na como pão...Mesmo que seja aquele, que o diabo amassou ( aquela velhinha...murchinha...como diria o Costinha) Mas, não se percam dentro dela...Corram com os pés da sua criatividade! Da sua vontade por esse mundo incrivel, que é sua própria alma!
Pois o tempo é cruel...E, quando decidirmos abrir os olhos...Poderemos ver, tarde demais, que ele nos deu um belo "pé na bunda" de nossos sonhos.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A Arte De Pedir Dinheiro Emprestado
Aha! Pegadinha do malandro! Acharam que eu iria ensinar como pedir dinheiro emprestado, né? Não. Este texto se refere sobre a vez, em que encarei o fato de pedir dinheiro emprestado, como arte. Esse fato veio-me a lembrança, quando um sujeito veio me pedir dinheiro emprestado esta semana, para beber. Fiquei indignado! Mas, que coisa pobre! Não há "glamour" nenhum nisso!
A unica vez em que pedi dinheiro emprestado, creio que já deva fazer uns dez anos. Tinha acabado de ler um dos livros de Henry Miller, e fiquei encantado com aquele sujeito, que acreditava no ato de escrever. Ele vivia para aquilo. Mas não ganhava nada, financeiramente falando, com seu talento. E tampouco tinha aptidão para o trabalho. Então, sobrevivia do dinheiro que pegava das mulheres com as quais tinha relações sexuais. Aparecia na hora das refeições, na casa dos amigos. E por fim, pedia dinheiro emprestado. Fiquei maravilhado com aquela existência "romântica". As aventuras sexuais eram bem tentadoras. Mas nada tinham a ver com minha realidade. Decidi então, fazer uma experiência artística. Pedir dinheiro emprestado, como li no livro de Miller. Na verdade, não estava precisando de dinheiro. Quer dizer, pobre sempre está precisando, só não era aquela situação "periquitante" de Miller.
Queria pedir dinheiro, para sentir-me um pouco Miller. Sentir-me mais artista! Recorri ao quitandeiro ao lado do escritório, alguem com quem gostava de travar conversas filosóficas sobre sexo e outros mistérios da vida:
--- Você não pretende ter um filho, André?
--- Não. Eu não acredito nisso.
--- Não acredita que seja importante?
--- Acho o mundo um lugar horrivel para se viver, Marcos! Não desejo isso aqui, pra ninguem!
--- Mas é parte dos planos de Deus! Você deve deixar os seus genes! Continuar! Não acha?
--- Eu vou continuar, Marcos! Meu corpo vai virar comida pros vermes. O espirito continua! Um filho seria só a junção do meu esperma com um óvulo qualquer!
--- Ah! Você é espirita?
--- Eu acredito na existência infinita do espirito, Marcos! Não gosto de me rotular quanto a religião, essas coisas... Se for pra me definir... Sou poeta ou artista... Tenho uma "coisa católica" forte...Mas creio no espirito... Os espiritas põe filhos no mundo, pois crêem na sua evolução através da reencarnação...Creio nisso... Mas não me definiria exatamente como um desses espiritas... Porque a idéia de colocar alguem aqui, me causa repulsa... Mas, sim...Eu acredito nessas coisas...Mas não faria um filho, não... Quanto as pessoas como você...Que crêem nos "genes"... Fazem filhos puramente por egoísmo... Vaidade... Tem horror a idéia de fim absoluto após a morte... Ou de ficar sofrendo tormentos até um hipotético "juízo final"... E acham que vão continuar na terra através de um filho... Ignorando o quanto esse sujeitinho poderá sofrer neste inferno... Porque o inferno é aqui, Marcão! O inferno exterior! E dentro de nós, o interior! Acho que, por não aceitar o exterior...Acabo criando um interior dentro de mim! (Santa redundância, Batman! Mas foi o que eu disse!)
--- Interessante seu ponto de vista!
Marcos sorriu, colocando a mão sobre a boca banguela. Ele era bom para conversar, por não ser um fanático. Estava sempre aberto à opiniões diferentes da sua. Era como uma "esponja", a absorver idéias ao redor.
--- Você falou que se considera um artista. O que é arte pra você?
Em vez de tentar responder, pensei em botar em prática a "experiência artística":
--- Marcão! Tenho que voltar ao trabalho! Discutimos isso depois! Poderia te pedir uma coisa?
--- Fala, André!
--- Será que você poderia me emprestar um dinheiro? No fim do mês eu te pago!
Ele coçou a cabeça, mas se esgueirou atrás do balcão, e pegou algumas notas numa velha caixa de sapatos. Pensando talvez, que tal sacrifício rendesse uma boa discussão posterior, acerca da definição de arte.
Eu já estava lhe respondendo o que era arte, para mim, através daquela ação. Mas o coitado não percebeu.
Lembro que fiquei carregando aquele dinheiro no bolso, durante o mês inteiro. Eu pegava e examinava aquelas notas sujas e comuns, como qualquer outra, como se fossem objetos de arte abstrata. Tentando captar sua "lírica vibração." Curtindo aquela sensação gostosa, de ser como Henry Miller! Enquanto o pobre Marcos, que morava dentro da própria quitanda, passava um sufoco, com suas prateleiras vazias, numa escuridão tremenda, para economizar luz.
Mas eu não tinha essa consciência, na época. Deslumbrado que estava, com meu "experimento artístico'! Me imaginava no Masp, exposto numa redoma de vidro, exibindo minhas "notas de dinheiro-pura arte" nas mãos! Desafiando a compreensão dos passantes:
--- O que há de arte nisso?
--- Ele pegou aquele dinheiro emprestado! Se trata de uma performance baseada na obra de Henry Miller!
--- Oh!
E as pessoas, entendendo o significado da "obra", me aplaudiriam, e visualizava até, minha própria mãe, às lágrimas, orgulhosa de mim:
--- Aquele é meu menino!
De repente, acordo de meu sonho, com a voz potente de meu patrão, me chamando:
--- André! Vem cá!
--- Pois não?
--- Quando você precisar de dinheiro adiantado, me peça! E não, para o quitandeiro! Ele veio aqui me cobrar!
--- Ah...Sim...Desculpe...
E assim, acabou a minha experiência. O que era arte para mim? Acho que arte, é o que o artista diz que é arte. E não, o que o publico diz! Como no outro texto, em que falei do disco do Metallica com o Lou Reed. Aquele disco foi execrado...Porque é arte!
Tomei uma bronca por pedir dinheiro emprestado. Mas, não fui compreendido. Aquilo era arte! Como meu amigo Junior, disse uma vez:
--- Se um cara se pendurar num poste...E dizer que é arte...É arte!
Naquela época mesmo, comecei então, a carregar a toda parte, uma caixinha de fita K7, contendo vários pêlos pubicos. Ao mostrar às pessoas, invariavelmente a reação era essa:
--- Que merda é essa?
--- Isso é arte?
Poisé! O artista que desafia as normas, que ousa, sempre vai se deparar com reações como essa. Mas. como sei que quem lê meus textos, tem a mente mais aberta. Menos suscetível a tais preconceitos. Desafio o caro leitor, a repetir minha primeira experiência mal sucedida, e convido-o para abrir, não apenas a cabeça, mas tambem a carteira, e fazer "arte" com este humilde poeta!
Ei, você aí! Me dá um dinheiro aí?
A unica vez em que pedi dinheiro emprestado, creio que já deva fazer uns dez anos. Tinha acabado de ler um dos livros de Henry Miller, e fiquei encantado com aquele sujeito, que acreditava no ato de escrever. Ele vivia para aquilo. Mas não ganhava nada, financeiramente falando, com seu talento. E tampouco tinha aptidão para o trabalho. Então, sobrevivia do dinheiro que pegava das mulheres com as quais tinha relações sexuais. Aparecia na hora das refeições, na casa dos amigos. E por fim, pedia dinheiro emprestado. Fiquei maravilhado com aquela existência "romântica". As aventuras sexuais eram bem tentadoras. Mas nada tinham a ver com minha realidade. Decidi então, fazer uma experiência artística. Pedir dinheiro emprestado, como li no livro de Miller. Na verdade, não estava precisando de dinheiro. Quer dizer, pobre sempre está precisando, só não era aquela situação "periquitante" de Miller.
Queria pedir dinheiro, para sentir-me um pouco Miller. Sentir-me mais artista! Recorri ao quitandeiro ao lado do escritório, alguem com quem gostava de travar conversas filosóficas sobre sexo e outros mistérios da vida:
--- Você não pretende ter um filho, André?
--- Não. Eu não acredito nisso.
--- Não acredita que seja importante?
--- Acho o mundo um lugar horrivel para se viver, Marcos! Não desejo isso aqui, pra ninguem!
--- Mas é parte dos planos de Deus! Você deve deixar os seus genes! Continuar! Não acha?
--- Eu vou continuar, Marcos! Meu corpo vai virar comida pros vermes. O espirito continua! Um filho seria só a junção do meu esperma com um óvulo qualquer!
--- Ah! Você é espirita?
--- Eu acredito na existência infinita do espirito, Marcos! Não gosto de me rotular quanto a religião, essas coisas... Se for pra me definir... Sou poeta ou artista... Tenho uma "coisa católica" forte...Mas creio no espirito... Os espiritas põe filhos no mundo, pois crêem na sua evolução através da reencarnação...Creio nisso... Mas não me definiria exatamente como um desses espiritas... Porque a idéia de colocar alguem aqui, me causa repulsa... Mas, sim...Eu acredito nessas coisas...Mas não faria um filho, não... Quanto as pessoas como você...Que crêem nos "genes"... Fazem filhos puramente por egoísmo... Vaidade... Tem horror a idéia de fim absoluto após a morte... Ou de ficar sofrendo tormentos até um hipotético "juízo final"... E acham que vão continuar na terra através de um filho... Ignorando o quanto esse sujeitinho poderá sofrer neste inferno... Porque o inferno é aqui, Marcão! O inferno exterior! E dentro de nós, o interior! Acho que, por não aceitar o exterior...Acabo criando um interior dentro de mim! (Santa redundância, Batman! Mas foi o que eu disse!)
--- Interessante seu ponto de vista!
Marcos sorriu, colocando a mão sobre a boca banguela. Ele era bom para conversar, por não ser um fanático. Estava sempre aberto à opiniões diferentes da sua. Era como uma "esponja", a absorver idéias ao redor.
--- Você falou que se considera um artista. O que é arte pra você?
Em vez de tentar responder, pensei em botar em prática a "experiência artística":
--- Marcão! Tenho que voltar ao trabalho! Discutimos isso depois! Poderia te pedir uma coisa?
--- Fala, André!
--- Será que você poderia me emprestar um dinheiro? No fim do mês eu te pago!
Ele coçou a cabeça, mas se esgueirou atrás do balcão, e pegou algumas notas numa velha caixa de sapatos. Pensando talvez, que tal sacrifício rendesse uma boa discussão posterior, acerca da definição de arte.
Eu já estava lhe respondendo o que era arte, para mim, através daquela ação. Mas o coitado não percebeu.
Lembro que fiquei carregando aquele dinheiro no bolso, durante o mês inteiro. Eu pegava e examinava aquelas notas sujas e comuns, como qualquer outra, como se fossem objetos de arte abstrata. Tentando captar sua "lírica vibração." Curtindo aquela sensação gostosa, de ser como Henry Miller! Enquanto o pobre Marcos, que morava dentro da própria quitanda, passava um sufoco, com suas prateleiras vazias, numa escuridão tremenda, para economizar luz.
Mas eu não tinha essa consciência, na época. Deslumbrado que estava, com meu "experimento artístico'! Me imaginava no Masp, exposto numa redoma de vidro, exibindo minhas "notas de dinheiro-pura arte" nas mãos! Desafiando a compreensão dos passantes:
--- O que há de arte nisso?
--- Ele pegou aquele dinheiro emprestado! Se trata de uma performance baseada na obra de Henry Miller!
--- Oh!
E as pessoas, entendendo o significado da "obra", me aplaudiriam, e visualizava até, minha própria mãe, às lágrimas, orgulhosa de mim:
--- Aquele é meu menino!
De repente, acordo de meu sonho, com a voz potente de meu patrão, me chamando:
--- André! Vem cá!
--- Pois não?
--- Quando você precisar de dinheiro adiantado, me peça! E não, para o quitandeiro! Ele veio aqui me cobrar!
--- Ah...Sim...Desculpe...
E assim, acabou a minha experiência. O que era arte para mim? Acho que arte, é o que o artista diz que é arte. E não, o que o publico diz! Como no outro texto, em que falei do disco do Metallica com o Lou Reed. Aquele disco foi execrado...Porque é arte!
Tomei uma bronca por pedir dinheiro emprestado. Mas, não fui compreendido. Aquilo era arte! Como meu amigo Junior, disse uma vez:
--- Se um cara se pendurar num poste...E dizer que é arte...É arte!
Naquela época mesmo, comecei então, a carregar a toda parte, uma caixinha de fita K7, contendo vários pêlos pubicos. Ao mostrar às pessoas, invariavelmente a reação era essa:
--- Que merda é essa?
--- Isso é arte?
Poisé! O artista que desafia as normas, que ousa, sempre vai se deparar com reações como essa. Mas. como sei que quem lê meus textos, tem a mente mais aberta. Menos suscetível a tais preconceitos. Desafio o caro leitor, a repetir minha primeira experiência mal sucedida, e convido-o para abrir, não apenas a cabeça, mas tambem a carteira, e fazer "arte" com este humilde poeta!
Ei, você aí! Me dá um dinheiro aí?
O Que Há De Puro
O vento
que bate nas flores
Açoite das circunstâncias
tentando quebrar a beleza,
Este vaso de porcelana
cujos cacos colados
palpitam em meu peito,
Este vaso que contem
todo o mel e todo veneno
que penetram-me os olhos,
Receptáculos do horror
que teimam, como imundo coador
recolher o que há de puro
de toda merda ao seu redor.
que bate nas flores
Açoite das circunstâncias
tentando quebrar a beleza,
Este vaso de porcelana
cujos cacos colados
palpitam em meu peito,
Este vaso que contem
todo o mel e todo veneno
que penetram-me os olhos,
Receptáculos do horror
que teimam, como imundo coador
recolher o que há de puro
de toda merda ao seu redor.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
O Rei Da Ralé
Neste sábado, fui à um sarau diferente do que estou acostumado, o publico era formado por moradores de rua, e alguns deles tambem foram lá na frente, se apresentar.
Fui pego de surpresa, não sabia que se tratava de um ambiente assim. Não consegui ir lá na frente. Senti-me intimidado com a algazarra e o cheiro de cachaça que impregnava o ar. Tinha um velhinho esbravejando que queria se apresentar, pois ele era "o melhor do mundo".
Quando finalmente chegou sua vez, disse que iria cantar uma musica sua, registrada. E começou a tocar com dificuldade, o violão, e a cantar uma musica do Roberto Carlos.
A emoção no seu rosto, me emocionou. Tá certo. Foi redundante o que acabei de dizer, mas foi isso, caraca! Simples! As vezes, as palavras são demais. Fiquei emocionado. Só isso. O homem espezinhado, ou pelo destino, se quiserem pensar assim, ou pelas circunstâncias. Fraquezas. Falta de oportunidades. Aquele ser esmagado se inflou. A substância espatifada tomou forma humana.
Naquele momento, ele era grande. Ele era gente. Naquele momento, Roberto Carlos não tinha nenhum direito sobre aquela velha canção. O mendigo era o Rei! Os aplausos dos excluídos. Dos miseráveis. Dos invisiveis. E o rei tirou sua coroa e voltou a ser parte da pobre ralé. Seus lindos suditos.
Porque naquele momento, naquele palco improvisado, eles eram lindos em sua imundície, seus hematomas, sua emporcalhada dignidade das ruas.
Havia um travesti sentado a minha frente. Um rapaz com pés negros de sujeira, o beija de modo singelo. Chamando-o de princesa. E ele era, realmente, sua linda princesa, naquele momento. Uma doce menina, apesar da barba por fazer, e a tatuagem típica de presídio, nas costas.
Não tenho mais palavras. Enrolei até demais. Pois foi tudo tão simples. Enquanto escrevo, "The Doors" toca no som, abrindo-me essas "portas da percepção". Vislumbro Jim Morrison, como um São Sebastião da sarjeta, com seringas e cacos de garrafa no lugar das flechas a dilacerar-lhe a carne, enquanto me diz: "This is the end...My only friend...The end..."
Fui pego de surpresa, não sabia que se tratava de um ambiente assim. Não consegui ir lá na frente. Senti-me intimidado com a algazarra e o cheiro de cachaça que impregnava o ar. Tinha um velhinho esbravejando que queria se apresentar, pois ele era "o melhor do mundo".
Quando finalmente chegou sua vez, disse que iria cantar uma musica sua, registrada. E começou a tocar com dificuldade, o violão, e a cantar uma musica do Roberto Carlos.
A emoção no seu rosto, me emocionou. Tá certo. Foi redundante o que acabei de dizer, mas foi isso, caraca! Simples! As vezes, as palavras são demais. Fiquei emocionado. Só isso. O homem espezinhado, ou pelo destino, se quiserem pensar assim, ou pelas circunstâncias. Fraquezas. Falta de oportunidades. Aquele ser esmagado se inflou. A substância espatifada tomou forma humana.
Naquele momento, ele era grande. Ele era gente. Naquele momento, Roberto Carlos não tinha nenhum direito sobre aquela velha canção. O mendigo era o Rei! Os aplausos dos excluídos. Dos miseráveis. Dos invisiveis. E o rei tirou sua coroa e voltou a ser parte da pobre ralé. Seus lindos suditos.
Porque naquele momento, naquele palco improvisado, eles eram lindos em sua imundície, seus hematomas, sua emporcalhada dignidade das ruas.
Havia um travesti sentado a minha frente. Um rapaz com pés negros de sujeira, o beija de modo singelo. Chamando-o de princesa. E ele era, realmente, sua linda princesa, naquele momento. Uma doce menina, apesar da barba por fazer, e a tatuagem típica de presídio, nas costas.
Não tenho mais palavras. Enrolei até demais. Pois foi tudo tão simples. Enquanto escrevo, "The Doors" toca no som, abrindo-me essas "portas da percepção". Vislumbro Jim Morrison, como um São Sebastião da sarjeta, com seringas e cacos de garrafa no lugar das flechas a dilacerar-lhe a carne, enquanto me diz: "This is the end...My only friend...The end..."
O Amor Do Mundo
Entre muros e paredões,
Entre murros e empurrões
Procurei o amor,
Descobri que ele não existe no mundo
Está dentro de mim,
Está dentro de meu âmago,
Ah! Minh'alma é um pênis em estado de ereção!
E a seiva que brota de sua cabeça entumescida
são minhas lágrimas,
O amor do mundo é um chicote
E para gozá-lo
é preciso humildade
e uma boa dose de masoquismo.
Entre murros e empurrões
Procurei o amor,
Descobri que ele não existe no mundo
Está dentro de mim,
Está dentro de meu âmago,
Ah! Minh'alma é um pênis em estado de ereção!
E a seiva que brota de sua cabeça entumescida
são minhas lágrimas,
O amor do mundo é um chicote
E para gozá-lo
é preciso humildade
e uma boa dose de masoquismo.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Metallica: Um Viagra Para a Velha Banana De Lou Reed
Semana passada, foi o emocionante reencontro com a musica brega. Esta semana, foi o retumbante reencontro com o "heavy-metal". Ou "thrash". Dependendo do grau de radicalismo de quem me lê. Se bem, que se tratando da banda Metallica, não creio que exista ainda, aquele velho publico "malvado". Lembro de quando jovem, me deparar com uma galera na escola, mais adiantada, que era fã de uma banda nova. Mais agressiva e porrada que qualquer outra. Só existia LP importado, ou nas fitas K7 piratonas. Uma banda "metaleira" até no nome: "Metallica". Aliás, se você chamasse um desses indivíduos de "metaleiro", poderia muito bem, levar uma boa surra.
Quem curtia o verdadeiro metal, era "headbanger", o resto era "poser".
Mas passou-se muito tempo, até eu comprar meu primeiro LP da banda. O "album preto", alvo da ojeriza dos radicais, que chamaram a banda de traidora, vendida, etc...Ah! Houve "headbanger" que chegou a queimar sua camiseta da banda! Pois...Oh! Horror! A banda começou a ser ouvida até por menininhas que a pouco tempo, curtiam "New kids on The Block"!
Eu, que naquela época, usava a cabeça apenas para sacudir na hora de ouvir minhas barulhentas bolachas, tambem achei o fim do mundo. Mas, hoje, vejo que aqueles cabeludos raciocinavam bem mais, que seus brutos fãs, e desejavam trilhar novos rumos dentro do estilo que criaram.
Aí está o paralelo com Lou Reed. O poeta do submundo de Nova York. Precursor do punk, ainda no final dos anos 60. Tocando musica de três acordes, recheada de microfonia, enquanto Andy Warhol projetava seus filmes por cima de sua banda, a "Velvet Underground".
Lou Reed sempre experimentou, e até pouco tempo, antes do projeto com o Metallica. Ele e a esposa, outra musica experimental, deram um dia, um show gratuito. E muita gente foi ansiosa, para ouvir velhos clássicos do "Velvet", ou da carreira solo de Reed. Mas, acabou se deparando com uma barulheira desconexa, e sem sentido, para ouvidos humanos. Exato. Não era musica para ouvidos humanos. E sim, para caninos! Lou, uma vez, estava fazendo um som, e percebeu que seus cães ficavam parados, "curtindo". Resolveu então, fazer um trabalho "bom pra cachorro"!
Agora, vamos ao trabalho com o Metallica. O álbum se chama "Lulu". Numa era de downloads e Ipods e informação ingerida à maneira "fast-food", onde as pessoas se acostumaram a ouvir apenas, suas musicas favoritas, deixando para trás, o velho hábito de apreciar um disco como um todo, o lançamento de àlbum duplo, já é um ato de coragem. Mas, o "pior" ainda está por vir. Um àlbum conceitual, como já foram "Tommy" do The Who ou "The Wall"do Pink Floyd. Aqui, no Brasil, alguns dos ultimos trabalhos do Sepultura, foram imcompreendidos, por terem sido dessa forma, idealizados. Basearam-se em obras literárias, respectivamente: "A Divina Comédia" e "Laranja Mecânica".
Não querendo ser preconceituoso, mas baseando-me por mim mesmo. Na época em que sacudia a cabeça, em frente às caixas de som, não me imaginava lendo nada, alem de revistas de rock pesado, muito menos, escrevendo. Metal era tudo para mim. Quando descobri a poesia, me voltei para um certo tipo de rock, que vislumbrei nos anos 80, em videoclipes e no rádio, mas que não dei a mercida atenção, preocupado mais, em esconder minha sensibilidade debaixo de capas de discos com cabeludos fazendo caretas malvadas. Quando comecei a escrever poesia, me toquei que existiram poetas no rock, como o Cazuza e Renato Russo. Vi que , sim, um cara podia empunhar uma guitarra, e ler um livro antes de dormir. Depois de ouvir Joy Division, descobri William Burroughs. Depois de ouvir The Cure, descobri Albert Camus. Depois de ouvir Smiths, descobri Oscar Wilde. Depois de ouvir Depeche Mode, descobri Antoine de Saint-Exupery. E depois de ouvir Lou Reed, descobri Masoch. Descobri que poderia ser roqueiro, e pensar ao mesmo tempo! Coisas reais. letras de musica que valiam a pena ser traduzidas.
Acabei de assistir a um DVD, em que Lou Reed e Metallica fazem um pequeno show de divulgação de "Lulu" em um programa de TV alemão. Para quele fã radical de metal, a visão daquele "tiozinho" de óculos lendo a letra das musicas, no "teleprompter", enquanto o Metallica bota pra quebrar, deve soar como uma heresia para a "honra metaleira". Mas, para mim, que já deixei isso para trás, a muito, foi uma delicia.
Lou Reed lendo aquelas letras, como se fossem poemas, com um excelente e possante metal de fundo. Como se fossem, não... Ele é o poeta recitando! Recentemente, lançou um livro com suas letras, para serem lidas como poesia. Velha questão....Letra de musica é poesia? É uma polêmica que costuma render bastante discussão. Mas, por mim, o que eu vi, foi isso: Um novo caminho! Digam adeus àqueles chatos saraus de poesia! Um senhor de óculos, lendo seus versos de modo quase sussurante, nunca será a mesma coisa, com uma boa banda tocando boa musica, por trás dele!
Não recomendo "Lulu" aos "headbangers das antigas. Mas, sim, aos apreciadores de experimentalismos em geral, aos fãs de Lou Reed, ou simplesmente à poetas que apreciam rock, como eu. Não se trata de um disco de metal. Mas, de algo novo. Talvez, imcompreendido, hoje. Mas, quem sabe, um dia, vire objeto de culto, como o primeiro disco do Velvet Underground (ou o disco da banana), alvo de desprezo, na época, mas que hoje, 40 anos depois, estampa camisetas de uma garotada que cresceu entre a microfonia de bandas como Sonic Youth.
Velvet hoje, é "cool". Mas, tambem, não surpreende mais, e a "banana" já mostra o peso da idade. Lou Reed, este senhor, que no início dos nos 70, abandonou a obscuridade do cenário alternativo, foi motivo de escândalo, por expor na musica pop, um submundo povoado por junkies, pederastas e prostitutas. Hoje, para se renovar, procura outro "peso". O peso do Metallica. Que funciona como um viagra, para a velha banana, deste velho poeta.
Quem curtia o verdadeiro metal, era "headbanger", o resto era "poser".
Mas passou-se muito tempo, até eu comprar meu primeiro LP da banda. O "album preto", alvo da ojeriza dos radicais, que chamaram a banda de traidora, vendida, etc...Ah! Houve "headbanger" que chegou a queimar sua camiseta da banda! Pois...Oh! Horror! A banda começou a ser ouvida até por menininhas que a pouco tempo, curtiam "New kids on The Block"!
Eu, que naquela época, usava a cabeça apenas para sacudir na hora de ouvir minhas barulhentas bolachas, tambem achei o fim do mundo. Mas, hoje, vejo que aqueles cabeludos raciocinavam bem mais, que seus brutos fãs, e desejavam trilhar novos rumos dentro do estilo que criaram.
Aí está o paralelo com Lou Reed. O poeta do submundo de Nova York. Precursor do punk, ainda no final dos anos 60. Tocando musica de três acordes, recheada de microfonia, enquanto Andy Warhol projetava seus filmes por cima de sua banda, a "Velvet Underground".
Lou Reed sempre experimentou, e até pouco tempo, antes do projeto com o Metallica. Ele e a esposa, outra musica experimental, deram um dia, um show gratuito. E muita gente foi ansiosa, para ouvir velhos clássicos do "Velvet", ou da carreira solo de Reed. Mas, acabou se deparando com uma barulheira desconexa, e sem sentido, para ouvidos humanos. Exato. Não era musica para ouvidos humanos. E sim, para caninos! Lou, uma vez, estava fazendo um som, e percebeu que seus cães ficavam parados, "curtindo". Resolveu então, fazer um trabalho "bom pra cachorro"!
Agora, vamos ao trabalho com o Metallica. O álbum se chama "Lulu". Numa era de downloads e Ipods e informação ingerida à maneira "fast-food", onde as pessoas se acostumaram a ouvir apenas, suas musicas favoritas, deixando para trás, o velho hábito de apreciar um disco como um todo, o lançamento de àlbum duplo, já é um ato de coragem. Mas, o "pior" ainda está por vir. Um àlbum conceitual, como já foram "Tommy" do The Who ou "The Wall"do Pink Floyd. Aqui, no Brasil, alguns dos ultimos trabalhos do Sepultura, foram imcompreendidos, por terem sido dessa forma, idealizados. Basearam-se em obras literárias, respectivamente: "A Divina Comédia" e "Laranja Mecânica".
Não querendo ser preconceituoso, mas baseando-me por mim mesmo. Na época em que sacudia a cabeça, em frente às caixas de som, não me imaginava lendo nada, alem de revistas de rock pesado, muito menos, escrevendo. Metal era tudo para mim. Quando descobri a poesia, me voltei para um certo tipo de rock, que vislumbrei nos anos 80, em videoclipes e no rádio, mas que não dei a mercida atenção, preocupado mais, em esconder minha sensibilidade debaixo de capas de discos com cabeludos fazendo caretas malvadas. Quando comecei a escrever poesia, me toquei que existiram poetas no rock, como o Cazuza e Renato Russo. Vi que , sim, um cara podia empunhar uma guitarra, e ler um livro antes de dormir. Depois de ouvir Joy Division, descobri William Burroughs. Depois de ouvir The Cure, descobri Albert Camus. Depois de ouvir Smiths, descobri Oscar Wilde. Depois de ouvir Depeche Mode, descobri Antoine de Saint-Exupery. E depois de ouvir Lou Reed, descobri Masoch. Descobri que poderia ser roqueiro, e pensar ao mesmo tempo! Coisas reais. letras de musica que valiam a pena ser traduzidas.
Acabei de assistir a um DVD, em que Lou Reed e Metallica fazem um pequeno show de divulgação de "Lulu" em um programa de TV alemão. Para quele fã radical de metal, a visão daquele "tiozinho" de óculos lendo a letra das musicas, no "teleprompter", enquanto o Metallica bota pra quebrar, deve soar como uma heresia para a "honra metaleira". Mas, para mim, que já deixei isso para trás, a muito, foi uma delicia.
Lou Reed lendo aquelas letras, como se fossem poemas, com um excelente e possante metal de fundo. Como se fossem, não... Ele é o poeta recitando! Recentemente, lançou um livro com suas letras, para serem lidas como poesia. Velha questão....Letra de musica é poesia? É uma polêmica que costuma render bastante discussão. Mas, por mim, o que eu vi, foi isso: Um novo caminho! Digam adeus àqueles chatos saraus de poesia! Um senhor de óculos, lendo seus versos de modo quase sussurante, nunca será a mesma coisa, com uma boa banda tocando boa musica, por trás dele!
Não recomendo "Lulu" aos "headbangers das antigas. Mas, sim, aos apreciadores de experimentalismos em geral, aos fãs de Lou Reed, ou simplesmente à poetas que apreciam rock, como eu. Não se trata de um disco de metal. Mas, de algo novo. Talvez, imcompreendido, hoje. Mas, quem sabe, um dia, vire objeto de culto, como o primeiro disco do Velvet Underground (ou o disco da banana), alvo de desprezo, na época, mas que hoje, 40 anos depois, estampa camisetas de uma garotada que cresceu entre a microfonia de bandas como Sonic Youth.
Velvet hoje, é "cool". Mas, tambem, não surpreende mais, e a "banana" já mostra o peso da idade. Lou Reed, este senhor, que no início dos nos 70, abandonou a obscuridade do cenário alternativo, foi motivo de escândalo, por expor na musica pop, um submundo povoado por junkies, pederastas e prostitutas. Hoje, para se renovar, procura outro "peso". O peso do Metallica. Que funciona como um viagra, para a velha banana, deste velho poeta.
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