sexta-feira, 7 de junho de 2019

Chamas Fugazes

Você cerca meus pensamentos
como promessa de coisas melhores,
como uma academia cheia de aparelhos
com os quais exercitaria minha auto estima estremecida,
mas os dias são como viciados
se escorando em sua fachada bonita,
e os resquícios de esperança
não passam de chamas fugazes
a acenderem seus improvisados cachimbos de crack,
iluminando as trevas da noite de um coração desiludido.

Amor de Fundo de Poço

Preso a você
como que por fortes correntes
feitas de obsessão,
Não importa onde vá,
com quem se deite,
meu pensamento é um cadeado
que me mantém colado bem firme ao seu corpo,
sua carne macia,
sua voz que me ofende,
penetro seus lábios
em cada cigarro que acende,
Voo descontrolado ao céu de sua boca,
suas gengivas e dentes que nunca me sorriram
e me alimento dos restos que encontro entre eles,
Sou a besta a copular com sua perna,
Não adianta me chutar,
Isso só me fará ejacular
entre os dedos de seu pé de unhas vermelhas,
Cheiro seu sovaco suado e embaixo de sua saia
latindo pela minha ração,
Mas seu desejo é que eu morra de fome,
Me resta apenas
acarinhar com língua sôfrega
Nossa Senhora tatuada em seu braço,
Quem sabe assim, receber redenção,
neste amor de fundo de poço
mais baixo e impuro
que a merda canina que acabo de pisar,
e que para este poema, me deu inspiração.

Evolução


Evolução da humanidade:
Ninguém mais fala mal de ninguém.
Agora, todos digitam.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Bicicletas Amarelas

Perambulo pela cidade
Uma barata atordoada,
olhos ardendo,
E a ilusão é um inseticida
que não mata,
mas te faz agir como tonto
e até escrever versos bestas a respeito,
Tão inútil e frustrante
como mandar um beijo cheio de afeição e saudade
e receber em troca um abraço por pura educação,
Sim. Estou falando de amor,
Mas a unica coisa certa
que encontrarei em cada esquina,
é uma maldita bicicleta amarela,
Sim. Procuro o amor inutilmente,
assim como um E.T. a sobrevoar nossas cabeças ocas
a procura de vida inteligente na terra,
mas a unica coisa que se encontra, com certeza em cada esquina
São essas merdas de bi-ci-cle-tas a-ma-re-las!
Porra!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Brisa Maldita

   
--- Boa noite. Meu nome é Josenildo e eu sou viciado em pornografia.
    As pessoas sentadas em volta o cumprimentam apaticamente.Muitos tem a cabeça baixa olhando para os próprios sapatos. Josenildo é muito magro. Tem queimaduras e bolhas no rosto, lábios e nos dedos das mãos inquietas. Seus olhos são vermelhos. O músculo do braço esquerdo se contrai e ele o agarra, sorrindo um sorriso de dentes podres.
-- O que você gosta de ver, Josenildo?
    Pergunta o homem de terno, que o encara rapidamente e volta a atenção as manchas de barro que parecem se mover, formando um desses testes de Rorschach nos velhos sapatos. Um dos sintomas que a pessoa sente, quando eu me aproximo.
-- Gosto de ver viciadas em crack chupando caras por grana...Adoro... Passo o dia todo vendo...Até no serviço...
-- Tá na fissura, Josenildo?
-- Que porra...
    O homem de terno abre a braguilha e de seu caralho sai uma fumaça intensa que domina todo o ambiente.
-- Fuma aqui, filho da puta!!! Ahahahahaah!!!
    O pau havia se transformado em um enorme cachimbo de crack. Faço com que o homem de terno avance. Ele é minha marionete agora. Faço saírem de chifres de sua testa e uma língua reptiliana se agitar para fora da boca que baba e sorri sarcasticamente. Adoro brincar com essa imagem que inventaram de mim,só para ver o pânico nas caras de paspalhos deles.
-- Ao se viciar nesses vídeos escrotos, dominei sua mente e comecei a fazer com que fumasse crack por osmose, seu imbecil! Agora você é meu!! Segurem-no!
   As outras pessoas da roda saem de seu torpor e o agarram. Josenildo tenta se desvencilhar, mas não tem forças. Debaixo de sua cadeira surge uma mulher esquelética, cheia de feridas purulentas e poucos dentes na boca escancarada. Ela rasga suas calças e tenta fazer o mesmo com a cueca, numa ansiedade animalesca.
-- Deixa chupar, caralho! Você vai gostar!
  Enquanto é sugado pela boca banguela, verdadeiro aspirador humano, ela acende um isqueiro embaixo de suas bolas.
-- Aiiiiiiii!!!! Nãooooo!!! Socorroooo!!
  Não tinha mais testículos, eram duas pedras a fervilharem no meio de suas coxas, da cabeça inchada do pau sai fumaça, que é tragada pela criatura bestial.
-- Hmmmmm....Vou te fumar todiiiinhooo...Chuup...Chuuup...
 Ele então consegue se desvencilhar dos braços que o agarram, e acertar um potente soco com as forças que lhe restam no crânio da mulher, que se espatifa contra o chão. Corre trôpego, em direção ao machado ao lado da mangueira e o extintor de incêndio.
 No dia seguinte, grande alvoroço e uma equipe de TV em frente ao antigo cinema pornô da Av. São João.
-- Bom dia! A noite passada foi marcada por um verdadeiro massacre nesta igreja evangélica, que realizava um trabalho de ajuda a viciados em pornografia. Josenildo Santana, porteiro, 37 anos, matou a machadadas o pastor Evaldir Arantes, 45 anos, e os demais participantes da reunião. Josenildo, aparentemente era usuário de drogas e segundo sobreviventes, começou a ter alucinações e a agir de modo violento. Estamos aqui com D. Raimunda Pereira e Damião Esperança, que darão maiores detalhes!
-- Óia...O homi começou a gritar coisa sem sentido, depois pegou um isqueiro e começou a se queimar lá embaixo...Sabe? Nas partes?
-- I-Isso...E-Ele bo-botou fo-fogo nos o-ovo...De-Depois pe-pegou o ma-macha-cha-cha-do e ma-ma-chadou o po-povo to-todo!
-- Isso! Mas uma hora ele pisou e escorregou num "Piiii"! cortado que tava no chão....Acho que era do pastor...Daí caiu de cara na lâmina do machado!
    Desligo a TV, divertido, o alarme toca atrás de mim. Alguém está acessando o "X-Videos" e jogando a palavra "Crackhead" na busca. Hora de sentir a "brisa maldita"...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Bukkake de Milk Shake

Meu coração é analógico,
bate aos estímulos mais sutis
como um pássaro livre de gaiolas tecnológicas,
Meu coração é uma foto preto e branca do Pereio pelado,
Ambíguo, antiquado, aparentemente repulsivo
mas capaz de dizer eu te amo gozando na sua cara (bukkake de milk shake)
e derrubando a porra do Cristo Redentor
com uma cara mais lavada ainda,
Meu coração é analógico,
bate aos estímulos mais sutis,
Uma loira gostosa acaba de passar por mim,
trazendo seu bichinho pela coleira,
Na maioria das vezes, a beleza está nas coisas mais bestas,
O nome da cachorra era Stéphanie
e meu coração analógico
bateu mais divertido.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Minha Vida Sempre Foi Um Grande Abraço Covarde


A catarata me impede de fazer o que sempre amei: Ler. Então, já a algum tempo, entreguei-me ao repulsivo hábito de assistir televisão, tendo de enfrentar bravamente a ofensiva programação aberta. Ás vezes a pressão é tão grande, que penso em me atirar sobre o aparelho, abraçando-o e assim tentando impedir um verdadeiro nocaute anti-cultural.
Algum tempo atrás, parei pra ver essa porra de MMA. Nunca fui de briga. Minha vida sempre foi um “grande abraço covarde”. Explico: É aquele momento em que um dos dois lutadores abraça o outro, quando a porrada começar a ficar séria. Mas no caso dessa modernice de artes marciais mistas, a coisa já é demais. Nego agarra o outro num frango assado dos mais pornográficos. “Não pode ficar de pau duro! Se o cara ficar de pau duro, tá fodido”! Me disse um amigo praticante de Jiu-Jitsu, sobre o agarramento tatâmico. Boas mesmo eram as lutas do Maguila. Nosso herói do bom e velho boxe. O cara nunca abraçava, mas era abraçado pra caralho. Assistia suas lutas com mais gosto que os filmes de Stallone ou Scwarzenegger. A porrada era real e o cara era bem próximo da gente. Próximo e com o mesmo linguajar  do peão de obras que víamos na esquina ou aquele cara que sempre estava bebendo pinga no boteco, dia ou noite. Pois até pra ser pinguço, tinha que ser macho.
Meu abraço covarde sempre estava à disposição no meu bolso, junto a uma folha de papel. Era a caneta Bic, sempre levantada como se fosse um golpe de direita, mas sempre acabava como um abracinho  dos mais vergonhosos, em volta do pescoço de touro bravo da vida. Já estou no fim da picada e com plena consciência que meu abraço covarde não terá mais tempo de se disfarçar como algo mais feroz, como a mordida dada por Tyson, na orelha de Holyfield. Será sempre poesia e lamentação, até o ponto final, que se aproxima, inexorável. Ou enfim, o soar do gongo, que afinal, é o sinal da libertação de todo lutador covarde.