quinta-feira, 5 de julho de 2018

O Que Eu Quero



"O que você quer da sua vida"?
Perguntou,
com a costumeira cara de ódio,
mas a gente nunca se acostuma,
Me encarou,
como se eu fosse a personificação de seus erros,
Um erro ambulante,
constante e pesado como uma bola de ferro
dessas que vemos os condenados arrastarem nos filmes,
O que eu quero não é daqui,
é longínquo como essa estrela
que observo no céu agora,
e talvez, nem exista de fato,
só o brilho de algo já extinto á muito,
mas suficientemente real
para me manter de pé,
amarrado ao seu fio de luz,
num mundo de trevas,
habitado por muitos como você.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Dominatrix de TPM



O poeta, este peregrino
das solas esfoladas de tanto pisar quimeras,
cacos de vidro, cujo reflexo de uma luz difusa
se faz confundir com sonhos,
que dá voltas, sem nunca chegar,
carrega seu saco cheio de tudo a sua volta,
E dele, tira palavras sangrando
como vísceras de um corpo desmembrado
que grita por Deus e o diabo,
sendo mira de tiro ao alvo
de pistolas de merda,
sacadas de braguilhas cheias de dentes podres
num eterno escárnio,
De repente, o poeta pára,
Já não tem palavras,
Se desfazem uma a uma,
gota a gota, de sua boca,
como chuva dourada
em cima de sua cabeça,
O mundo é uma dominatrix de TPM,
Fazendo suas necessidades em nossas almas.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Fluídos Escassos



Meu saco é um tanque vazio,
Minha quilometragem já excedeu,
O guincho da rotina
me leva de um lado para outro,
Estaciono entre pernas escancaradas
Sugo bocas, dedos e genitais, atrás de algo além de fluídos escassos,
Mas todos estes corpos não passam de postos completamente secos,
E o pouco combustível a me fazer andar agora
é a escrita, este dom maldito que nada de útil me traz,
Só o próximo passo e o próximo
neste deserto,
onde toda esperança já se queimou
nos motores que nos impulsionam a lugar algum.

Meu Amor é Grande



Veio me jogar na cara
a joia rara que te dei,
Dizendo que não valia nada,
Mas isso aí é meu amor!
É feito de lágrimas
de olhos ardendo a noites passadas em claro,
vendo teu rosto
não na lua,
que a janela fica fechada
pra não entrar pernilongo,
e isso é um saco,
mas, na fraca lâmpada
onde me espremo para escrever estes versos,
E agora, o que faço com essa joia?
Você me mandou enfiar no cu,
Mas, essa joia, já disse...
É meu amor!
E é tão grande esse amor!
Assim, arrebento as pregas
E fico triste, arrombado e só.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Formas nas Nuvens



Amanheceu na sarjeta,
o velho poeta, sem vida,
Lhe roubaram os sonhos mais bobos,
perfurando com a lâmina enferrujada do cotidiano
seus olhos sonhadores,
para que não enxergasse
nunca mais, formas nas nuvens,
capacidade descoberta na infância,
e que nunca lhe rendera um tostão,
mas que lhe permitia
com os pés cansados desta terra
a qual não pertencia,
andar muito acima do chão.

Encruzilhada



Só queria te ver feliz,
mesmo que isto significasse
ver teus lábios se abrirem como asas de borboleta,
e teu sorriso sair voando para longe de mim,
indo pousar na boca de alguém
que o devoraria, desmanchando-o,
Mas este sorriso existiria,
mesmo que por pouco tempo,
Asas nem sempre batem na direção certa,
como as asas do cupido bêbado
que veio atingir-me com sua flecha,
bem na maldita hora que você passava
mexendo no cabelo,
Deixando aquele perfume que causou-me taquicardia,
É...O coração nos leva a cada encruzilhada.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Elaiá!



Assim não vai dar,
Assim não vai dar samba,
e se der, vai ser aquele samba amargurado,
sem cerveja, só o corote, já no fim,
aqui do lado,
Enquanto canto, sem encanto,
sem graça, na cachaça,
com muito cuidado,
pra escolher as palavras,
como jóias raras no lamaçal,
de onde você já pegou as pedras,
sempre pronta a atirá-las contra mim,
e vou cantando baixinho, pra não te irritar,
mais ou menos assim:
"Elaiáá!!
Com as palavras não posso errar...
Se não, ela vai se irritaaar, laiááá!!
Elaiáá!!
Com as palavras não posso errar...
Se não, tudo entre nós,
feito este poema triste, se acabarááá!"