quarta-feira, 24 de maio de 2017

No Fundo Sou um Fusquinha Azul



Em tempos de guerra
Sou um soldado de metal
Um Transformer peidando mísseis
Mas não se engane
No fundo sou um fusquinha azul
Que te levará pruma viagem ao litoral
Meu coração é um toca fitas
onde rolam musicas do Guilherme Arantes
E só você consegue ligá-lo.

Debruçado sobre teu Corpo Como Sobre um Livro Aberto



É só sobre sobreviver
é só sobre ti
que posso viver
debruçado sobre teu corpo
como sobre um livro aberto
lendo tuas curvas
o mais belo dos romances
detendo-me no clímax da narrativa
e fincando ali
um ponto de exclamação!

domingo, 7 de maio de 2017

Kit para Montar um Punhal Embebido no Veneno do Ressentimento




O mundo é dividido entre os eleitos
e os comedores de pastel,
uns, sorriem satisfeitos
aos outros, resta o pranto raivoso
a goles de cachaça ao léu,

O abraço no seu amigo
é recebido, meio andando assim de lado
Seu apreço inocente, é seu castigo
Sua afeição é seu punhal envenenado,

Esta relação, a tempos, construída,
É um kit para montá-lo
E numa ânsia suicida
o pulso, agora, me ponho a retalhá-lo

Fazendo esvair abundante, o fluído
ilusório, que me embaçava a vista
me pondo um hipócrita sorriso
Ao fingir que minha amizade ainda é bem quista.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A Flor da Rua Aurora e o Santo Guardião do Rodo Achado no Lixo



Largo mais uma vez no meio
minha tentativa infrutífera
de escrever um romance,
Só minha ejaculação é precoce
minha literatura demora muito mais a sair,
É sobre um garotão apaixonado pela dona de uma videolocadora pornô,
em troca de um poema de amor
ela lhe diz que tem 5 filhos
e essa estranha tara
de gozar, a cada filho parido,
Cambaleio, bêbado de cachaça,
escorregando no vômito do bêbado de cachaça
naquela hora escura da Rua Aurora,
onde fui colher a linda flor do pântano,
Escoro-me num rodo achado no lixo,
e dele, faço espada de valente guerreiro,
Santo protetor das putas e pederastas,
Não lembro de mais nada,
Apenas de estar olhando
para a pilha de meus livros de poesia
que ainda não consegui vender,
Se um dia, ficar sem teto,
poderei fazer uma fogueira.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Cauby ao Sumir de Vez do Bar Brahma, Levou Consigo Todas as Estrelas



Ressaca de pinga é outro nível. Acho que ainda tô zoado. E a cafeteira aqui do escritório não tá funcionando...Sonhei que roubei um vídeo artístico de uma exposição financiada pela Odebrecht, de um travesti transando com bichos numa fazenda. Era uma versão lúdica de "A Revolução dos Bichos" do Orwell. Acordei gozando. Faz um caralho de tempo que não escrevo. O sonho deu a dica, assim como o cara magrelo no escuro daquele cinema ordinário: "Lá atrás tem chupeta"! Sim...Escrita...Traveco e gozo. Ele olhava para o céu, atrás de estrelas..Mas elas já não apareciam faz tempo. Parece que Cauby, ao sumir de vez do Bar Brahma, levou junto consigo todas as estrelas. "Blim! Blom"!! O marasmo do dia sempre era quebrado pela campainha, ele balança o rabo e corre ansioso para a porta. "Paulo! Sai! Paulo Castro! Tô falando com você, caralho"!! Ele solta um guincho insatisfeito e vai para trás da perna musculosa e depilada. A porta é aberta e entra todo sem jeito, um tipo gordo, com goma no cabelo, óculos e uniforme de cobrador de ônibus. A figura loura de ombros largos o acompanha a um cubículo escuro com apenas uma cama. "Então...Você precisa me pagar já, ok? Vai comer ou vai dar"? O gordo começa a suar e solta um "dar" quase inaudível, sem encarar a figura loura, que sai com um sorrisinho irônico na cara, pensando porque ainda pergunta. Eles sempre querem dar. Paulo fica parado em frente a porta entreaberta, observando o homem se despir. Este, então, se aproxima fazendo festa, desajeitado, no crânio do poodle. "Paulo Castro,hein? Cachorro de viado tem sempre nome composto, né?" Sussurra o libidinoso balofo, lambendo o lábio, e de repente: "Grrrrrrrr"!!!! "Aiii!! Caraalhoo"!! A figura loura surge, só de calcinha rosa, esbravejando com o cão: "Paulo Castro! O que você fez"? O gordo senta-se na cama, chupando o dedo e xingando: "Cachorro filho da puta"!! A figura loura se aconchega: "Deixa eu ver...Vai...Deixa eu ver! Isso não é nada...Toma! Aperta esse papel higiênico....Isso...Viu? Toma...Tenho uma coisa pra te deixar feliz...Isso...Chupa..." Paulo volta a observar da porta, o gordo agora está de quatro. O pinto do cachorro desponta com sua cabeça pontuda como uma flecha, na mata de pelos, como se um aborígene estivesse pronto a disparar contra um animal branco, exótico e apetitoso. "Ai...Ai...Que porra é essa"? "Meu pinto no teu cu...Porque"? "Não! Na minha perna"!! O poodle havia se colado à perna do gordo, ansioso por penetrar o orifício que fosse. "Paulo Castrooo"!! A figura loura, que até agora apresentara voz aveludada, emite um urro que poderia ter vindo do mais profundo da garganta de um peão de obras. Na noite seguinte, o cão observava da janela, a lua cheia, com o uivo engasgado na garganta e os olhos a arderem. "Puta merda, Paulo Castro! Deu agora pra espalhar toda a ração, é?" A figura loura recolhe a comida, sem imaginar que na verdade, as fileiras de grãos compunham uma ode poética a grande bunda branca de um cobrador de ônibus, enxergada na lua cheia, por um cão apaixonado, que sonhava em ser escritor.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A Bala que não é Disparada



Vinho e queijo,
Tarde de domingo,
pousou sobre mim, um olhar de desprezo,
a dor que me acometia o estômago
virou um vazio imenso,
criando este vácuo,
deixando tão pesada esta cabeça
que pende, com tantas idéias desesperadas,
Na escrita, encontro o equilíbrio,
A poesia é a bala que não é disparada
na roleta russa da vida.

domingo, 2 de abril de 2017

Até o Esgoto das Possibilidades



Seu rosto como chama
queima meu pensamento,
este jornal velho e sensacionalista
que teima em guardar antigas notícias de crimes de paixão,
Te imagino nos braços do outro,
raiva e desejo impedem-me de seguir em frente,
como serpentes em meus calcanhares,
desço até o esgoto das possibilidades
sujando-me na lama da humilhação,
Não faça pouco da minha poesia,
é minh'alma exposta
como um ferimento que não quer fechar,
Só peço a agulha e a linha
que são seu olhar que se desvia
e os lábios a lançarem beijos
às bocas que te sorriem tão falsamente.