terça-feira, 13 de novembro de 2018

Corra como louca! Corra!

Desejo obsessivo
de romper este vínculo,
se curar dele, como se fosse uma doença,
dessas que deixam feridas purulentas,
e que causam ânsia de vômito só a simples visão,
Desejo obsessivo de reparar este erro
como furar um cano, na tentativa de pendurar um belo quadro na parede,
Alguém que não te satisfaz
a porra de um canário mudo em gaiola dourada,
Desejo obsessivo
de correr a outros braços
onde encontrar, enfim,
a segurança e rigidez tão sonhada
como escada de madeira nobre e corrimão firme,
É preciso correr
pois o tempo, este é um queniano alucinado e de pernas longas
em prova de São Silvestre,
Corra como louca! Corra!
(tive que lembrar da porra daquele filme da ruiva que corre)...


terça-feira, 6 de novembro de 2018

A Desolação

Meu peito é uma trincheira bombardeada,
Sonhos jazem sobre meu corpo inerte
como companheiros de luta
calados a força,
O morteiro da estupidez explodiu aqui do meu lado,
Luminoso como um sorriso de escárnio
Me finjo de morto
Venha
Chegue mais perto
Tenho os bolsos cheios de versos
E o espirito livre de correntes.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Dorival teve Dor de Dente


Acorda cedo, Dorival,
vai pegar logo no batente,
mais um dedo vermelho quebrado, nada mal,
o que lhe incomoda, é esta dor de dente

Trabalha em infligir a dor,
Normal, tudo bem,
mas dor no próprio dente, que horror!
Melhor causá-la a alguém

Alfinete debaixo da unha
e o safado ainda diz que é inocente,
seu filho pequeno, como testemunha,
É. Maldito subversivo. Nada inteligente.

Martelada nos dedinhos
a criança abre o berro,
ainda faltam 8 soldadinhos
Ignorar a dor do filho...Que erro!

Desconta teu mau humor,
Racha ele ao meio, Dorival!
A cada estocada, a carinha dele, de terror
pra um menino, nada mal...

Deixa pra trás o lixo e o resto
da maldita subversão,
Limpa as mãos de trabalhador honesto
Sangue, fezes e vômito pelo chão

A excitação na hora,
até o dente, anestesiou,
não vê a hora de ver sua senhora,
um prazer decente, diferente deste, que gozou

Pede ao doutor que vá com calma,
que dor assim, gente de bem não merece
Mas enfim, tirou como se fosse um peso da alma,
E afinal, a pátria amada sempre lhe agradece

Nada como a harmonia do lar,
Uma oração e o cafuné na cabeça do filho,
Mais dois vermes conheceram seu lugar
Lá fora, a bandeira tremula e o sol reafirma seu brilho.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Efêmero e Eterno



Não sou a porra de um pequeno príncipe,
Apenas um reles plebeu,
e este mundo, só eu e você,
Minha rosa,
a quem devo nutrir de mil beijos,
desde os lábios sequiosos, pétalas de seda,
até o profundo endométrio,
Nos abraçamos,
e você pede para que não deixe a poesia morrer,
E vivemos este efêmero e eterno momento,
com a intensidade sincera
do grito primal de uma besta recém nascida.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Até a Ultima Gota



Pensei em você
de uma forma boa,
como pensar no sol,
O fogo de teu sexo úmido e palpitante,
e minha cabeça como gira sol, te seguindo,
Pensei em você,
de uma forma boa,
Como pensar nas estrelas,
Gotículas brancas a salpicarem tua carne na noite,
Pensei em você,
de uma forma boa,
Silêncio absoluto,
enquanto encho os olhos com a carne de tuas nádegas,
Silêncio absoluto,
enquanto encho os olhos com a carne de tuas nádegas,
Silêncio este,
quebrado apenas, pelo som de meu prepúcio em vai e vem,
Como os grilos que cantam em louvor a natureza,
Pensei em você,
de uma forma boa,
regando a planta de teus pés,
te fazendo florescer em meus braços,
Devorando-te o fruto suculento, até a ultima gota.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Monumento



Os dias passados
correm em frente aos meus olhos
como ratos famintos
a se alimentarem dos restos
de um coração que sangra,
E morrem,
Agonizando na ratoeira da descrença,
Minha carcaça tomba,
num desejo febril de se juntar aos pestilentos dejetos,
Mas você me segura,
Teus lábios reacendem o fogo
e o incêndio se espalha,
queimando os destroços de vãs esperanças,
e elevando das cinzas, imponente monumento a este novo amor,
imune as pestes e pragas da inveja que infestam ao redor!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Rua sem Saída



Te esperei na rua da amargura,
travessa com a avenida da saudade,
como um filhote imaturo dentro de um ovo quebrado
igual coração de poeta sonhador,
pisoteado pelos dias,
esses transeuntes distraídos,
ossinhos semi formados,
reduzidos a uma meleca sangrenta,
viscosa como lágrima de um olho cego
que teima em querer enxergar o que não existe,
o fim desta rua sem saída,
essa sua alma ruim,
incapaz de amar.