sábado, 2 de setembro de 2017

No Coração da Floresta Desconhecida



Tanto a dizer
mas a avalanche
trava dentro do peito
e como diz a velha canção
peço apenas que aprecie o silêncio,
se tentasse
nada seria mais significativo
que o uivo do coiote nas trevas da noite,
e o querer seria a corrida da lebre
a se embrenhar no coração da floresta desconhecida,
esta eterna expectativa

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Meu Amor é Uma Pochete Fora de Moda



A boca
que balbuciava teu nome
nas noites frias e solitárias
O peito
que escondia o coração
que batia como os tambores de um ritual pagão
quando lembrava do teu rosto a me sorrir,
A fotografia embaçada
que congelou um tempo em que não me apercebia
do ridículo de usar pochete e acreditar que ainda ganharia um beijo teu.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Um Coração Partido Era a Minha Doença. Cobra foi a Cura.






Aqueles derradeiros dias do final da década de 80 consumiam uma adolescência que parecia à prova de tudo, menos de um coração partido.
O ‘amor da minha vida’ riu daquele magricelo segurando uma folha de papel, nela escrito um poema. Sim. Naquela época acreditei que aquela loura azeda, de nariz empinado, era meu grande amor. E também acreditei que aquele amontoado de rimas cafonas era a maior obra poética já escrita.
A camiseta preta do Slayer não condizia em abrigar aquele coração tolo e que batia desesperado, mais veloz que a bateria de Dave Lombardo.
O vinho vagabundo ‘San Tomé’ me consolou naquele fim de tarde. A folha com o poema tremia em minhas mãos, gotas pingavam em cima, embaralhando as palavras. Não. Não estava chovendo. Eram as lágrimas de um completo idiota que corriam como cascata, em meio a soluços desesperados. Um bêbado mais experiente passa todo sorridente, exibindo uma dentadura negra e destruída:
--- Quem morreu?
--- F-Fui euuu!!!!
--- Ih! Se fudeu!!! Ah!Ah!
Depois da segunda garrafa, foi o vômito que jorrou forte e quente, destruindo a ‘prova do crime de amar quem não se deve’, e empapando minhas mãos , que limpei numa folha de jornal que voava.
Lá havia um anuncio de um ‘Relax para Homens’, na Rua da Consolação. No dia seguinte me encaminhei para o local, a dor da tristeza superava uma de minhas primeiras ressacas.
--- Você tem cara de menor! Olha! Eu não quero me complicar, hein?
--- Já tenho dezoito!
--- O documento?
--- Esqueci.
Ela me olhou de cima a baixo e finalmente disse:
--- Tá. Tu tem cara de menino limpo. Só por isso! Vai! Tira a roupa!
A luz vermelha do abajur deixa o clima bem de pecado, para minha primeira incursão vaginal.
Logo estava no meio das pernas daquela mulher de meia idade, chupando aqueles peitos flácidos e me arranhando todo no que parecia ser um chumaço de Bom Bril.
--- Vai filho! Goza logo! Minha perna tá doendo!
Acelerei, sentindo a pele das coxas queimando, como se adentrasse em densa e cortante caatinga.
Gozei. Fui embora. Triste.
--- Puta não beija, meu bem. Tchau. Volta de novo, tá?
Voltei caminhando pra casa. Foi todo o dinheiro naquela aventura. “Não sou mais virgem!” Tentava animar a mim mesmo. Não consegui me enganar. Havia sonhado tanto com minha primeira vez, com minha namorada.
Em casa, minha mãe olha pra minha cara detonada, durante o intervalo da novela:
--- E a escola?
--- Bem...
Então, como um clarão depois de um corte de energia, aparece a chamada do filme “Stallone Cobra”, na tela da T.V. Um filme proibido pra menores, quando saiu no cinema. Um maluco com uma meia enfiada na cara, empunha um machado. Stallone distribuindo balaços em motoqueiros. Era disso que precisava, agora. Brutalidade sólida para soterrar essa sensibilidade ‘bichosa’ que me fazia chorar que nem menininha por alguém que não merecia.
Naquela noite, um coração partido era a minha doença. Cobra foi a cura.
Vibrei com os tiros e as porradas. Me imaginei no lugar de Stallone. Me imaginei macho pra caralho. Sem espaço para sentimentalidades. Usando uma tesoura pra cortar um pedaço duro de pizza, e não a parte do horóscopo do jornal, sempre ansioso pra ver o que os astros me reservariam em minha vida amorosa. De repente, vejo que pinta um clima entre Cobra e a modelo que ele tem que proteger. Penso: “Não, Cobra! Não faça isso! Corre que é cilada”!
Então, percebi que até o mais bruto dos homens, carregava um coração de manteiga debaixo de um tórax de concreto. No meu caso, a camiseta do Slayer. E bruto nunca fui, e sim o maior bunda mole que já conheci.
No dia seguinte, acordo me coçando todo. O que mais tarde aprenderia que se chamava de ‘chato’, na hora caiu como uma bomba:
--- Estou com Aids!!
Me vi devastado. Só. Não mais virgem, mas condenado à morte por uma relação sexual sem amor. Hoje, décadas depois, compro o filme ‘Stallone Cobra’ em DVD.
Dou risada ao lembrar da tempestade em copo d’água de minha juventude.
Acaba o filme e deixo aquele passado, e aquele infantil coração partido para trás. Fincados num gancho. Sangrando. Como o vilão do machado, finalmente eliminado pelo meu herói.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Kojak e a Cachorra da Sua Irmã



"Me pega"! Parecia me dizer, lá, a disposição e sem ninguém por perto para surpreender o meu delito. Meus dedos trêmulos tocam sua capa macia. Uma convulsão orgástica toma conta de meu corpo excitado. Acordo com a mão enfiada na cueca, apertando o prepúcio, verdadeira bolsa de esperma, que escorre viscoso, por entre os dedos.
Caralho! E inventei de trocar a cueca antes de dormir! Vou pro banheiro, limpo a porra toda. Puto da vida, lembro da matéria que li ontem, que diz que a masturbação é benéfica para se precaver do câncer da próstata. Mas dificilmente me masturbo. Deprimido que ando ultimamente, só descarrego a velha porra após algum sonho pervertido. Que às vezes, nem chega a ser erótico, de fato. Como esta noite, em que sonhei que roubava um livro autografado de Clarice Lispector. A idade e as decepções fazem com que nos excitemos com a boa literatura, deixando os seres humanos quentes e palpáveis em segundo plano.
Enquanto esfrego o papel higiênico na grande mancha da cueca, penso que, se não tivesse a maldita pele cobrindo a cabeça do pau como um capuz, aí não teria jeito, o estrago seria maior e teria que por pra lavar, embora frequentemente mije fora do vaso, quando a "boquinha" do pau se encontra coberta. O que me faz lembrar de um amigo da adolescência que não tinha a tal pele, tendo feito a famigerada "operação da fimose". Um médico esteve na escola, durante uma campanha contra este terrível mal e foi a primeira pessoa que pegou no meu pau. Ele puxava a pele para trás e para frente. O capuzinho de minha piroca passou no teste.
-- Eu dou meu pau pra cachorra da minha irmã, chupar.
-- A cachorra da sua irmã?
Olhei surpreso e incrédulo para meu amigo Ricardo, que se mantinha impassível, comentando seu ato de bestialismo, como se dissesse que comia miojo com feijão.
-- Quer ir no sábado, olhar? Minha irmã vai sair. Vou cuidar da cachorra.
No sábado, estava lá, no quintal da casa da irmã dele. A cachorra olhava pra minha cara, como se esperasse por um movimento brusco, para ter a desculpa para um ataque feroz. Ricardo estava procurando algo na cozinha. "Ela adora"! Retorna ele, com um vidro de mel na mão. Abaixa as calças, a cueca. Tira o pau careca pra fora e brinca:
-- Esse aqui é o Kojak! Dá 'oi' pra ele! Rá! Rá!
Não consigo rir da situação. Ele começa a bezuntar o pau. A cachorra começa a se remexer, grunhir e salivar.
-- Lindaaa!! Vem!
A cachorra enorme, da raça pastor alemão se aproxima e bota linguona pra fora.
-- Hmmm...Bom...Isso...
Ele faz carinho na orelha do bicho, enquanto "Kojak" começa a crescer.
-- Depois você pode fazer, se quiser.
Só de pensar, apertei as coxas, com a ideia pavorosa de que a cadela pudesse me arrancar metade do pau fora.
-- Também não lavo o pau por uma semana. Percebi que ela chupa com mais vontade, quando ele tá com "cheirinho". Rá!Rá!Rá!
Finalmente ele goza e Linda limpa tudo, até as ultimas gotas no chão. O ocorrido não foi nada erótico para mim. Na verdade, o encarei como um evento "gastronômico". Isso mesmo. Fiquei com fome depois. Então lanchamos sanduíches embebidos em mel.
-- A sua irmã namora?
Pergunto, para desviar o pensamento do que acabara de acontecer.
-- Acho que ninguém quer ela. Deve pagar alguém pra comer ela.
Respondeu Ricardo, enquanto folheava distraidamente as páginas de um gibi.
Dia desses, vi um vídeo engraçadinho em que um cachorro chupava um sorvete e lembrei da cachorra da irmã de meu amigo.
Por mais bizarros que sejam os eventos da juventude, mesmo que com uma nota de melancolia, são salutares à lembrança. O prepúcio da inocência e por vezes, inconsequência, é lambido pela língua do tempo, e o que resta é a careca de Kojak. E como o saudoso personagem de TV, chupamos o pirulito da saudade.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Meu Pinto é Pop



É solidão e uma tremenda friaca
que entorpece os membros e congela os ossos,
é um azedume que não se disfarça
passeios de mãos dadas entre destroços

Restos do que tentamos ser
procurando borboletas em formigueiros,
Eternos vazios, que tentamos preencher
mecanismos delicados, manuseados de modo grosseiro

A regra é clara:

A indagação? Ninguém responde
O jogo? Ninguém venceu,
"Eu te amo" é a bolinha de ping pong
que atirei e ninguém rebateu

Nadando contra a corrente
como um peixe, na porra da piracema,
Encho a cara e me finjo de contente
olhando pra sua cara de que me vê como um problema

Minha medula é de metal
Meu pinto é pop
Meu cu é MPB

E então? Que tal
esta rima pobre
que eu fiz só pra você?

Ela ri e faz tremer as nádegas
Aproveito a deixa, e a beijo,
Mas desastrado que sou, com coisas práticas
Foi tudo imaginação, e toco um pop com meu desejo.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

É de Fernanda



Entrego este meu cansaço
como oferenda ás ultimas horas da noite,
como resto, como bagaço
sobra do pulso duro do dia e de seu açoite

E é de Fernanda
a voz que sai do aparelho de som,
ponto de equilíbrio nesta louca ciranda
que me põe fora de órbita, fora do tom

Voz esta, que é a borboleta
que passa leve, mas que leva consigo os olhos cansados
do cinza da metrópole, onde o medo espreita
e que anda de mãos dadas com a descrença, como casal de namorados

A ultima musica chega ao final
Me entrego então, aos braços de Morfeu,
que me atira a sonhos tão loucos e de insanidade igual
á realidade, só aplacada pela voz de Fernanda Abreu

quarta-feira, 24 de maio de 2017

No Fundo Sou um Fusquinha Azul



Em tempos de guerra
Sou um soldado de metal
Um Transformer peidando mísseis
Mas não se engane
No fundo sou um fusquinha azul
Que te levará pruma viagem ao litoral
Meu coração é um toca fitas
onde rolam musicas do Guilherme Arantes
E só você consegue ligá-lo.