quinta-feira, 13 de julho de 2017

Kojak e a Cachorra da Sua Irmã



"Me pega"! Parecia me dizer, lá, a disposição e sem ninguém por perto para surpreender o meu delito. Meus dedos trêmulos tocam sua capa macia. Uma convulsão orgástica toma conta de meu corpo excitado. Acordo com a mão enfiada na cueca, apertando o prepúcio, verdadeira bolsa de esperma, que escorre viscoso, por entre os dedos.
Caralho! E inventei de trocar a cueca antes de dormir! Vou pro banheiro, limpo a porra toda. Puto da vida, lembro da matéria que li ontem, que diz que a masturbação é benéfica para se precaver do câncer da próstata. Mas dificilmente me masturbo. Deprimido que ando ultimamente, só descarrego a velha porra após algum sonho pervertido. Que às vezes, nem chega a ser erótico, de fato. Como esta noite, em que sonhei que roubava um livro autografado de Clarice Lispector. A idade e as decepções fazem com que nos excitemos com a boa literatura, deixando os seres humanos quentes e palpáveis em segundo plano.
Enquanto esfrego o papel higiênico na grande mancha da cueca, penso que, se não tivesse a maldita pele cobrindo a cabeça do pau como um capuz, aí não teria jeito, o estrago seria maior e teria que por pra lavar, embora frequentemente mije fora do vaso, quando a "boquinha" do pau se encontra coberta. O que me faz lembrar de um amigo da adolescência que não tinha a tal pele, tendo feito a famigerada "operação da fimose". Um médico esteve na escola, durante uma campanha contra este terrível mal e foi a primeira pessoa que pegou no meu pau. Ele puxava a pele para trás e para frente. O capuzinho de minha piroca passou no teste.
-- Eu dou meu pau pra cachorra da minha irmã, chupar.
-- A cachorra da sua irmã?
Olhei surpreso e incrédulo para meu amigo Ricardo, que se mantinha impassível, comentando seu ato de bestialismo, como se dissesse que comia miojo com feijão.
-- Quer ir no sábado, olhar? Minha irmã vai sair. Vou cuidar da cachorra.
No sábado, estava lá, no quintal da casa da irmã dele. A cachorra olhava pra minha cara, como se esperasse por um movimento brusco, para ter a desculpa para um ataque feroz. Ricardo estava procurando algo na cozinha. "Ela adora"! Retorna ele, com um vidro de mel na mão. Abaixa as calças, a cueca. Tira o pau careca pra fora e brinca:
-- Esse aqui é o Kojak! Dá 'oi' pra ele! Rá! Rá!
Não consigo rir da situação. Ele começa a bezuntar o pau. A cachorra começa a se remexer, grunhir e salivar.
-- Lindaaa!! Vem!
A cachorra enorme, da raça pastor alemão se aproxima e bota linguona pra fora.
-- Hmmm...Bom...Isso...
Ele faz carinho na orelha do bicho, enquanto "Kojak" começa a crescer.
-- Depois você pode fazer, se quiser.
Só de pensar, apertei as coxas, com a ideia pavorosa de que a cadela pudesse me arrancar metade do pau fora.
-- Também não lavo o pau por uma semana. Percebi que ela chupa com mais vontade, quando ele tá com "cheirinho". Rá!Rá!Rá!
Finalmente ele goza e Linda limpa tudo, até as ultimas gotas no chão. O ocorrido não foi nada erótico para mim. Na verdade, o encarei como um evento "gastronômico". Isso mesmo. Fiquei com fome depois. Então lanchamos sanduíches embebidos em mel.
-- A sua irmã namora?
Pergunto, para desviar o pensamento do que acabara de acontecer.
-- Acho que ninguém quer ela. Deve pagar alguém pra comer ela.
Respondeu Ricardo, enquanto folheava distraidamente as páginas de um gibi.
Dia desses, vi um vídeo engraçadinho em que um cachorro chupava um sorvete e lembrei da cachorra da irmã de meu amigo.
Por mais bizarros que sejam os eventos da juventude, mesmo que com uma nota de melancolia, são salutares à lembrança. O prepúcio da inocência e por vezes, inconsequência, é lambido pela língua do tempo, e o que resta é a careca de Kojak. E como o saudoso personagem de TV, chupamos o pirulito da saudade.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Meu Pinto é Pop



É solidão e uma tremenda friaca
que entorpece os membros e congela os ossos,
é um azedume que não se disfarça
passeios de mãos dadas entre destroços

Restos do que tentamos ser
procurando borboletas em formigueiros,
Eternos vazios, que tentamos preencher
mecanismos delicados, manuseados de modo grosseiro

A regra é clara:

A indagação? Ninguém responde
O jogo? Ninguém venceu,
"Eu te amo" é a bolinha de ping pong
que atirei e ninguém rebateu

Nadando contra a corrente
como um peixe, na porra da piracema,
Encho a cara e me finjo de contente
olhando pra sua cara de que me vê como um problema

Minha medula é de metal
Meu pinto é pop
Meu cu é MPB

E então? Que tal
esta rima pobre
que eu fiz só pra você?

Ela ri e faz tremer as nádegas
Aproveito a deixa, e a beijo,
Mas desastrado que sou, com coisas práticas
Foi tudo imaginação, e toco um pop com meu desejo.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

É de Fernanda



Entrego este meu cansaço
como oferenda ás ultimas horas da noite,
como resto, como bagaço
sobra do pulso duro do dia e de seu açoite

E é de Fernanda
a voz que sai do aparelho de som,
ponto de equilíbrio nesta louca ciranda
que me põe fora de órbita, fora do tom

Voz esta, que é a borboleta
que passa leve, mas que leva consigo os olhos cansados
do cinza da metrópole, onde o medo espreita
e que anda de mãos dadas com a descrença, como casal de namorados

A ultima musica chega ao final
Me entrego então, aos braços de Morfeu,
que me atira a sonhos tão loucos e de insanidade igual
á realidade, só aplacada pela voz de Fernanda Abreu

quarta-feira, 24 de maio de 2017

No Fundo Sou um Fusquinha Azul



Em tempos de guerra
Sou um soldado de metal
Um Transformer peidando mísseis
Mas não se engane
No fundo sou um fusquinha azul
Que te levará pruma viagem ao litoral
Meu coração é um toca fitas
onde rolam musicas do Guilherme Arantes
E só você consegue ligá-lo.

Debruçado sobre teu Corpo Como Sobre um Livro Aberto



É só sobre sobreviver
é só sobre ti
que posso viver
debruçado sobre teu corpo
como sobre um livro aberto
lendo tuas curvas
o mais belo dos romances
detendo-me no clímax da narrativa
e fincando ali
um ponto de exclamação!

domingo, 7 de maio de 2017

Kit para Montar um Punhal Embebido no Veneno do Ressentimento




O mundo é dividido entre os eleitos
e os comedores de pastel,
uns, sorriem satisfeitos
aos outros, resta o pranto raivoso
a goles de cachaça ao léu,

O abraço no seu amigo
é recebido, meio andando assim de lado
Seu apreço inocente, é seu castigo
Sua afeição é seu punhal envenenado,

Esta relação, a tempos, construída,
É um kit para montá-lo
E numa ânsia suicida
o pulso, agora, me ponho a retalhá-lo

Fazendo esvair abundante, o fluído
ilusório, que me embaçava a vista
me pondo um hipócrita sorriso
Ao fingir que minha amizade ainda é bem quista.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A Flor da Rua Aurora e o Santo Guardião do Rodo Achado no Lixo



Largo mais uma vez no meio
minha tentativa infrutífera
de escrever um romance,
Só minha ejaculação é precoce
minha literatura demora muito mais a sair,
É sobre um garotão apaixonado pela dona de uma videolocadora pornô,
em troca de um poema de amor
ela lhe diz que tem 5 filhos
e essa estranha tara
de gozar, a cada filho parido,
Cambaleio, bêbado de cachaça,
escorregando no vômito do bêbado de cachaça
naquela hora escura da Rua Aurora,
onde fui colher a linda flor do pântano,
Escoro-me num rodo achado no lixo,
e dele, faço espada de valente guerreiro,
Santo protetor das putas e pederastas,
Não lembro de mais nada,
Apenas de estar olhando
para a pilha de meus livros de poesia
que ainda não consegui vender,
Se um dia, ficar sem teto,
poderei fazer uma fogueira.