terça-feira, 24 de novembro de 2009

Te procurei

Nas caixas,
gavetas,
Te procurei,
Não sei como
é tua face,
Nem, qual
tua forma,
Se um velho
de barbas brancas
com voz de trovão,
Se uma pessoa
que me sorri ao longe,
 fazendo "plac-plac"
com os chinelos nos calcanhares,
Se um oásis verdejante,
com água pura e
comida farta,
Ou se, unicamente,
uma paz e
a resignação
de ter superado
mais um dia,
Neste mundo, que
insisto em dizer
que não é o meu.

Impulso


Não ter
para onde ir,
Fujo dentro
de meu
próprio peito,
Deslizo no
escorregador,
Queda,
Não queria
estar aqui,
Várias mães
em volta,
Elas riem
felizes
na maternidade,
Como será
pôr um ser
no mundo?
Abraço uma
delas,
Não é a
minha,
Eu me
assusto,
Corro
de volta
pelo escorregador,
Explodo de dentro
de meu peito,
Sem uma
resposta concreta
Mas, talvez,
Seja isso
mesmo,
Que me
impulsione
a continuar.

sábado, 21 de novembro de 2009

Uma zona #


Entre
àrvores
e flores
6 mulheres
penteiam-se,
pintam-se,
homens vem
homens vão,
sombras
apenas,
E só
elas
existem
de fato,
almas que
se fazem
destes homens,
que entram,
que saem,
que gozam
e se vão,
E tudo é
lavado,
Tudo é limpo,
E do cliente
anterior,
Não sobra
porra nenhuma,
Apenas
essas 6 mulheres,
novamente pintadas
e penteadas,
Mas mais
abertas
do que ontem.


# Baseado na crônica "A casa das mulheres" de Rubem Braga.

sábado, 14 de novembro de 2009

Chão de ilusão

Pisa um chão
Nada firme,
Chão de ilusão
de coisas podres,
Cair
num buraco negro
Escada-Luz
sai das entranhas
Sobe
Não pisa
mais no
frágil,
Sobe
dentro de
ti mesmo,
Céu
Dentro de
ti mesmo,
Inferno
Dentro de
ti mesmo,
Escolha

sábado, 7 de novembro de 2009

Calor


Ontem a noite, dormi com ela do meu lado... Com sua cor escura... Ai! Era tão irresistivel... Botava a boca toda hora... E ela, ali... Ao meu dispor... Me enchendo de prazer... Matando essa sede, quase infinita... Arrotava e coçava minha barriga, satisfeito... Enquanto acariciava seu corpo macio de plástico...

As solas do peregrino


A imundície
do caminho
beija a sola
do peregrino,
O calcanhar
e a sujeira
são um só,
A dor e a fé
tambem,
Vejo-o
rezando
sob os joelhos
esfolados,
E rezo
sob suas solas
trevosas de
noite sem luar,
Minhas lágrimas
sobre elas
fazendo-se
estrelas,
Esperança não
se perde,
Apenas
fluídos corporais