segunda-feira, 23 de junho de 2025

No Vácuo da Decepção

 

Deixou-me uma vez mais

a ver navios nesse mar interminável,

feito de lágrimas carregadas de sais

do amargor de ser uma companhia dispensável


Caminhei mais uma vez

pela avenida cheia de desilusão,

fingindo uma falsa altivez

de cabeça erguida, mas de alma jogada ao chão


Encaminhei-me ao destino final

Fechar a noite, a embebedar-me

anotando em versos, essa tristeza mortal

e com belas rimas, dar ao patético, algum charme


Tentar transformar em arte

essa existência sem razão,

dando alguma graça à esse coração que se parte

No vácuo da decepção!


André Diaz



segunda-feira, 9 de junho de 2025

Flechado Pelo Cupido

 

Se minha resposta for o silêncio,

É porque não importa mais,

Se no peito, apagou-se o incêndio

na solidão gélida, encontro a paz


E me recolho, aparentemente descrente

do que as artes chamam de amor,

trêmulo, tento parecer indiferente

e nos versos, pretendo encontrar consolo redentor


Porque existe a física distância

impedindo-me pressionar os lábios contra os teus,

e de teu hálito, sentir a doce fragrância

prova física da existência de Deus


E assim, deixo meu testamento

se por acaso, for tema de notícia sensacionalista,

de que ser amado, foi meu único intento

mas do desprezo, não há coração flechado pelo cupido, que resista!


André Diaz


terça-feira, 3 de junho de 2025

Arte Abstrata

 

Ergue-se sombrio no céu

meu lamento,

diante da triste constatação,

de que vivo num mundo que desconheço,

onde a estupidez é festejada

e resta a nós, estranhos leitores de livros

o castigo de mais um domingo solitário,

regado a cerveja barata

e um resquício de delírio católico

de autoflagelação,

e uma fé cambaleante

de que cada chaga purulenta

quem sabe, se torne uma coroa de luz,

porque é muito triste pensar

que tudo se resuma a isso,

o reinado desta carne fraca,

corrompível e sem sentido,

como uma arte abstrata,

que custa caro,

e nem o próprio artista

entende a merda que criou.


André Diaz