sábado, 2 de setembro de 2017

No Coração da Floresta Desconhecida



Tanto a dizer
mas a avalanche
trava dentro do peito
e como diz a velha canção
peço apenas que aprecie o silêncio,
se tentasse
nada seria mais significativo
que o uivo do coiote nas trevas da noite,
e o querer seria a corrida da lebre
a se embrenhar no coração da floresta desconhecida,
esta eterna expectativa

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Meu Amor é Uma Pochete Fora de Moda



A boca
que balbuciava teu nome
nas noites frias e solitárias,
O peito
que escondia o coração
que batia como os tambores de um ritual pagão,
quando lembrava do teu rosto a me sorrir,
A fotografia embaçada
que congelou um tempo em que não me apercebia
do ridículo de usar pochete e bigode, e  acreditar que ainda ganharia um beijo teu.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Kojak e a Cachorra da Sua Irmã



"Me pega"! Parecia me dizer, lá, a disposição e sem ninguém por perto para surpreender o meu delito. Meus dedos trêmulos tocam sua capa macia. Uma convulsão orgástica toma conta de meu corpo excitado. Acordo com a mão enfiada na cueca, apertando o prepúcio, verdadeira bolsa de esperma, que escorre viscoso, por entre os dedos.
Caralho! E inventei de trocar a cueca antes de dormir! Vou pro banheiro, limpo a porra toda. Puto da vida, lembro da matéria que li ontem, que diz que a masturbação é benéfica para se precaver do câncer da próstata. Mas dificilmente me masturbo. Deprimido que ando ultimamente, só descarrego a velha porra após algum sonho pervertido. Que às vezes, nem chega a ser erótico, de fato. Como esta noite, em que sonhei que roubava um livro autografado de Clarice Lispector. A idade e as decepções fazem com que nos excitemos com a boa literatura, deixando os seres humanos quentes e palpáveis em segundo plano.
Enquanto esfrego o papel higiênico na grande mancha da cueca, penso que, se não tivesse a maldita pele cobrindo a cabeça do pau como um capuz, aí não teria jeito, o estrago seria maior e teria que por pra lavar, embora frequentemente mije fora do vaso, quando a "boquinha" do pau se encontra coberta. O que me faz lembrar de um amigo da adolescência que não tinha a tal pele, tendo feito a famigerada "operação da fimose". Um médico esteve na escola, durante uma campanha contra este terrível mal e foi a primeira pessoa que pegou no meu pau. Ele puxava a pele para trás e para frente. O capuzinho de minha piroca passou no teste.
-- Eu dou meu pau pra cachorra da minha irmã, chupar.
-- A cachorra da sua irmã?
Olhei surpreso e incrédulo para meu amigo Ricardo, que se mantinha impassível, comentando seu ato de bestialismo, como se dissesse que comia miojo com feijão.
-- Quer ir no sábado, olhar? Minha irmã vai sair. Vou cuidar da cachorra.
No sábado, estava lá, no quintal da casa da irmã dele. A cachorra olhava pra minha cara, como se esperasse por um movimento brusco, para ter a desculpa para um ataque feroz. Ricardo estava procurando algo na cozinha. "Ela adora"! Retorna ele, com um vidro de mel na mão. Abaixa as calças, a cueca. Tira o pau careca pra fora e brinca:
-- Esse aqui é o Kojak! Dá 'oi' pra ele! Rá! Rá!
Não consigo rir da situação. Ele começa a bezuntar o pau. A cachorra começa a se remexer, grunhir e salivar.
-- Lindaaa!! Vem!
A cachorra enorme, da raça pastor alemão se aproxima e bota linguona pra fora.
-- Hmmm...Bom...Isso...
Ele faz carinho na orelha do bicho, enquanto "Kojak" começa a crescer.
-- Depois você pode fazer, se quiser.
Só de pensar, apertei as coxas, com a ideia pavorosa de que a cadela pudesse me arrancar metade do pau fora.
-- Também não lavo o pau por uma semana. Percebi que ela chupa com mais vontade, quando ele tá com "cheirinho". Rá!Rá!Rá!
Finalmente ele goza e Linda limpa tudo, até as ultimas gotas no chão. O ocorrido não foi nada erótico para mim. Na verdade, o encarei como um evento "gastronômico". Isso mesmo. Fiquei com fome depois. Então lanchamos sanduíches embebidos em mel.
-- A sua irmã namora?
Pergunto, para desviar o pensamento do que acabara de acontecer.
-- Acho que ninguém quer ela. Deve pagar alguém pra comer ela.
Respondeu Ricardo, enquanto folheava distraidamente as páginas de um gibi.
Dia desses, vi um vídeo engraçadinho em que um cachorro chupava um sorvete e lembrei da cachorra da irmã de meu amigo.
Por mais bizarros que sejam os eventos da juventude, mesmo que com uma nota de melancolia, são salutares à lembrança. O prepúcio da inocência e por vezes, inconsequência, é lambido pela língua do tempo, e o que resta é a careca de Kojak. E como o saudoso personagem de TV, chupamos o pirulito da saudade.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Meu Pinto é Pop



É solidão e uma tremenda friaca
que entorpece os membros e congela os ossos,
é um azedume que não se disfarça
passeios de mãos dadas entre destroços

Restos do que tentamos ser
procurando borboletas em formigueiros,
Eternos vazios, que tentamos preencher
mecanismos delicados, manuseados de modo grosseiro

A regra é clara:

A indagação? Ninguém responde
O jogo? Ninguém venceu,
"Eu te amo" é a bolinha de ping pong
que atirei e ninguém rebateu

Nadando contra a corrente
como um peixe, na porra da piracema,
Encho a cara e me finjo de contente
olhando pra sua cara de que me vê como um problema

Minh'alma é gótica, afinal
Meu pinto é pop
Meu cu é MPB

E então? Que tal
esta rima pobre
que eu fiz só pra você?

Você  ri e estremece as nádegas
Aproveito a deixa, e te beijo,
Mas desastrado que sou, com coisas práticas
Foi tudo imaginação, e toco um pop com meu desejo.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

No Fundo Sou um Fusquinha Azul



Em tempos de guerra
Sou um soldado de metal
Um Transformer peidando mísseis
Mas não se engane
No fundo sou um fusquinha azul
Que te levará pruma viagem ao litoral
Meu coração é um toca fitas
onde rolam musicas do Guilherme Arantes
E só você consegue ligá-lo.

Debruçado sobre teu Corpo Como Sobre um Livro Aberto



É só sobre sobreviver
é só sobre ti
que posso viver
debruçado sobre teu corpo
como sobre um livro aberto
lendo tuas curvas
o mais belo dos romances
detendo-me no clímax da narrativa
e fincando ali
um ponto de exclamação!

domingo, 7 de maio de 2017

Kit para Montar um Punhal Embebido no Veneno do Ressentimento




O mundo é dividido entre os eleitos
e os comedores de pastel,
uns, sorriem satisfeitos
aos outros, resta o pranto raivoso
a goles de cachaça ao léu,

O abraço no seu amigo
é recebido, meio andando assim de lado
Seu apreço inocente, é seu castigo
Sua afeição é seu punhal envenenado,

Esta relação, a tempos, construída,
É um kit para montá-lo
E numa ânsia suicida
o pulso, agora, me ponho a retalhá-lo

Fazendo esvair abundante, o fluído
ilusório, que me embaçava a vista
me pondo um hipócrita sorriso
Ao fingir que minha amizade ainda é bem quista.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A Bala que não é Disparada



Vinho e queijo,
Tarde de domingo,
pousou sobre mim, um olhar de desprezo,
a dor que me acometia o estômago
virou um vazio imenso,
criando este vácuo,
deixando tão pesada esta cabeça
que pende, com tantas idéias desesperadas,
Na escrita, encontro o equilíbrio,
A poesia é a bala que não é disparada
na roleta russa da vida.

domingo, 2 de abril de 2017

Até o Esgoto das Possibilidades



Seu rosto como chama
queima meu pensamento,
este jornal velho e sensacionalista
que teima em guardar antigas notícias de crimes de paixão,
Te imagino nos braços do outro,
raiva e desejo impedem-me de seguir em frente,
como serpentes em meus calcanhares,
desço até o esgoto das possibilidades
sujando-me na lama da humilhação,
Não faça pouco da minha poesia,
é minh'alma exposta
como um ferimento que não quer fechar,
Só peço a agulha e a linha
que são seu olhar que se desvia
e os lábios a lançarem beijos
às bocas que te sorriem tão falsamente.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Minha Jaula Invisível



Me movo pra lá e pra cá
como animal acuado,
atrás de barras de incompreensão
que me mantém longe de teu coração
que bate assustado,
receoso de velhas palpitações,
de erros do passado,
O dardo tranquilizante da distância
me deixa grogue,
Uma borboleta com uma coroa de fogo
voa longe,
mas me mantenho aqui,
quieto,
Percebo então,
que esta saudade que me consome
é a jaula invisível
que aprisiona a besta-fera,
enquanto a bela foge.