sexta-feira, 27 de março de 2026

Propaganda de Margarina

 Vejo o amor ir embora

  como água límpida entre os dedos,

  Vejo como é cruel, o aqui e o agora

  Personificação dos piores medos


 Vejo ruir o meu porto seguro

 deixando toda a fragilidade exposta,

 perdido na neblina, brilhante e utópico futuro

 soterrado em perguntas, uma vacilante resposta


Sinto soltar-me o braço, meu maior apoio

e embaçar-se o sorriso encorajador,

Tento dormir e fingir que é só um sonho

mas desperto de meu embriagante torpor


E percebo que não há o que fazer

Do livro da vida, a ultima página, finitude,

E entre lágrimas, devo reconhecer

Um novo dia é propaganda de margarina, que só nos ilude...



André Diaz

segunda-feira, 16 de março de 2026

As Cinzas do Palhaço Triste

 


Procuro mais do que nunca

o ponto final dessa história,

feita de reticências em meio à várias fugas

e de espaços em branco, quando falha a memória


Sobrevivi ao corte seco da narrativa

empalado que fui, por mais um travessão,

e como vampiro sequioso, a tremer de forma aflitiva

esperançoso, aguardei a ultima batida do coração


Mas o terror mais uma vez se tornou

não mais do que uma comédia involuntária,

e mais uma vez, aqui estou

recolhendo as cinzas do palhaço triste, em sua tão sonhada urna funerária...



André Diaz

sexta-feira, 13 de março de 2026

Vem e Senta

 

Agradeço a cadeira 

que aguenta esse enorme peso,

desde o alvorecer até a saideira

Quilos e quilos de amargura, e isso não tem preço


Quando vira e mexe me ausento

a procura do que já perdi,

Volto e está lá o fiel assento

com pernas e postura imóvel, sem cogitar fugir


Nunca antes me apercebi

daquela, que calada me aguenta,

diferente da outra pessoa, que com a boca fez meu coração partir

E a cadeira, em silêncio, sempre me chamará: "Vem e senta"!



André Diaz

quinta-feira, 5 de março de 2026

Como Uma Migalha

 

Mais um domingo

que passou rápido e dolorido,

 como escorregar no piso molhado da cozinha,

Lugar onde tentamos saciar a fome,

Mas nem toda fome é de comida,

O coração, assim como o estômago,

ronca, por um abraço amigo,

Um sorriso,

ao ouvir nossas confidências mais tolas,

Voltar para o lar

com a sensação de cumplicidade,

Que não somos os únicos perdidos no labirinto

e cada minuto com essa pessoa amiga

é como uma migalha

para achar o caminho de volta para casa



André Diaz