quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Harém dos Amores não Correspondidos
Minha alma é um cabide vazio,
onde já repousaram ilusões
dos mais variados e tipos e tamanhos
passadas no ferro do tempo,
até se queimarem totalmente,
até só sobrarem trapos sangrentos,
a face da ultima esperança
como um sudário maldito,
não há redenção
e as nuvens são mais escuras,
mergulho o corpo na lama,
após a chuva de lágrimas
dos anjos desapontados,
os crânios dos não nascidos
me encaram, num voluptuoso e descabido fim,
como se abraçado pelo harém dos amores não correspondidos
no centro de um labirinto de arame farpado.
terça-feira, 14 de agosto de 2018
Aterrissagem Forçada
Pensamento que voa,
como pomba imunda que se pretende símbolo da paz,
mas não passa de rato de esgoto de asa delta,
deixando partículas de doença, no azul do céu,
esse ideal que se mostra mais e mais inatingível
por mais que se tente ir a favor do vento,
Enfim, tudo sempre acaba numa aterrissagem forçada,
deixando um rastro de merda, como numa cueca freada.
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Poema Molhado
Seu sorriso
era um brilhante
a me chamar atenção no escuro
que se abatia sobre meus olhos,
Como a capa do vampiro a me sugar todo o ânimo,
Lambi seu sorriso,
a procura de alimento vital
que me desse forças para continuar meu voo sem destino,
como esses pássaros que limpam os dentes dos crocodilos,
Penetrei seu sorriso,
Gozando toda minha gratidão,
Mas, no final, você não entendeu,
E a cuspiu num pedaço de papel higiênico,
Mas, apesar disso, ainda sou grato
e derramo toda minha afeição, neste poema molhado.
Ridículo Esplendor
Limpando as gavetas,
Tentando jogar fora todo o ódio e amargura
junto com os velhos papéis
que já nem sei mais do que se tratam,
Te encontro
perdido e amassado,
Sopro a merda de cupim
e você se revela em todo seu ridículo esplendor,
meu primeiro poema de amor,
com suas rimas pobres e intenções infantis,
Um coração tolo que não bate mais
na mesma cadência de outrora,
Rio e o faço em pedaços,
As cinzas desse menino morto
vão pousar na água calma da privada,
Reconheço um "Eu te amo" boiando
em meio aos dejetos de desejos pueris,
Faço mira
e brinco de tiro ao alvo com meu mijo,
tão ácido como esse meu humor,
Único sobrevivente no lamaçal de mágoa desta estrada.
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