terça-feira, 12 de junho de 2018
Dominatrix de TPM
O poeta, este peregrino
das solas esfoladas de tanto pisar quimeras,
cacos de vidro, cujo reflexo de uma luz difusa
se faz confundir com sonhos,
que dá voltas, sem nunca chegar,
carrega seu saco cheio de tudo a sua volta,
E dele, tira palavras sangrando
como vísceras de um corpo desmembrado
que grita por Deus e o diabo,
sendo mira de tiro ao alvo
de pistolas de merda,
sacadas de braguilhas cheias de dentes podres
num eterno escárnio,
De repente, o poeta pára,
Já não tem palavras,
Se desfazem uma a uma,
gota a gota, de sua boca,
como chuva dourada
em cima de sua cabeça,
O mundo é uma dominatrix de TPM,
Fazendo suas necessidades em nossas almas.
sexta-feira, 1 de junho de 2018
Fluídos Escassos
Meu saco é um tanque vazio,
Minha quilometragem já excedeu,
O guincho da rotina
me leva de um lado para outro,
Estaciono entre pernas escancaradas
Sugo bocas, dedos e genitais, atrás de algo além de fluídos escassos,
Mas todos estes corpos não passam de postos completamente secos,
E o pouco combustível a me fazer andar agora
é a escrita, este dom maldito que nada de útil me traz,
Só o próximo passo e o próximo
neste deserto,
onde toda esperança já se queimou
nos motores que nos impulsionam a lugar algum.
Meu Amor é Grande
Veio me jogar na cara
a joia rara que te dei,
Dizendo que não valia nada,
Mas isso aí é meu amor!
É feito de lágrimas
de olhos ardendo a noites passadas em claro,
vendo teu rosto
não na lua,
que a janela fica fechada
pra não entrar pernilongo,
e isso é um saco,
mas, na fraca lâmpada
onde me espremo para escrever estes versos,
E agora, o que faço com essa joia?
Você me mandou enfiar no cu,
Mas, essa joia, já disse...
É meu amor!
E é tão grande esse amor!
Assim, arrebento as pregas
E fico triste, arrombado e só.
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