segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Bukkake de Milk Shake

Meu coração é analógico,
bate aos estímulos mais sutis
como um pássaro livre de gaiolas tecnológicas,
Meu coração é uma foto preto e branca do Pereio pelado,
Ambíguo, antiquado, aparentemente repulsivo
mas capaz de dizer eu te amo gozando na sua cara (bukkake de milk shake)
e derrubando a porra do Cristo Redentor
com uma cara mais lavada ainda,
Meu coração é analógico,
bate aos estímulos mais sutis,
Uma loira gostosa acaba de passar por mim,
trazendo seu bichinho pela coleira,
Na maioria das vezes, a beleza está nas coisas mais bestas,
O nome da cachorra era Stéphanie
e meu coração analógico
bateu mais divertido.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Minha Vida Sempre Foi Um Grande Abraço Covarde


A catarata me impede de fazer o que sempre amei: Ler. Então, já a algum tempo, entreguei-me ao repulsivo hábito de assistir televisão, tendo de enfrentar bravamente a ofensiva programação aberta. Ás vezes a pressão é tão grande, que penso em me atirar sobre o aparelho, abraçando-o e assim tentando impedir um verdadeiro nocaute anti-cultural.
Algum tempo atrás, parei pra ver essa porra de MMA. Nunca fui de briga. Minha vida sempre foi um “grande abraço covarde”. Explico: É aquele momento em que um dos dois lutadores abraça o outro, quando a porrada começar a ficar séria. Mas no caso dessa modernice de artes marciais mistas, a coisa já é demais. Nego agarra o outro num frango assado dos mais pornográficos. “Não pode ficar de pau duro! Se o cara ficar de pau duro, tá fodido”! Me disse um amigo praticante de Jiu-Jitsu, sobre o agarramento tatâmico. Boas mesmo eram as lutas do Maguila. Nosso herói do bom e velho boxe. O cara nunca abraçava, mas era abraçado pra caralho. Assistia suas lutas com mais gosto que os filmes de Stallone ou Scwarzenegger. A porrada era real e o cara era bem próximo da gente. Próximo e com o mesmo linguajar  do peão de obras que víamos na esquina ou aquele cara que sempre estava bebendo pinga no boteco, dia ou noite. Pois até pra ser pinguço, tinha que ser macho.
Meu abraço covarde sempre estava à disposição no meu bolso, junto a uma folha de papel. Era a caneta Bic, sempre levantada como se fosse um golpe de direita, mas sempre acabava como um abracinho  dos mais vergonhosos, em volta do pescoço de touro bravo da vida. Já estou no fim da picada e com plena consciência que meu abraço covarde não terá mais tempo de se disfarçar como algo mais feroz, como a mordida dada por Tyson, na orelha de Holyfield. Será sempre poesia e lamentação, até o ponto final, que se aproxima, inexorável. Ou enfim, o soar do gongo, que afinal, é o sinal da libertação de todo lutador covarde.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Meu Nascimento

O gato lambe a pasta cinza avermelhada colada ao asfalto quente. Observo o pombo imundo servindo de alimento..A morte dando mais um dia de vida ao felino caolho coberto de sarnas. Penso no homem com a cabeça estatelada no chão, nos confins da Espanha. Meu avô, bêbado e com a barra de ferro ainda vibrando na mão. Os olhos febris se alimentando do chafariz rubro a colorir as negras botas militares. Penso na fuga com a família para este terceiro mundinho e arroto a cerveja com a coxinha fria. Mais um dia alimentado pelo homicídio. O moleque pede um trocado. Mando embora. Apenas mais um nascido dessa estupidez que me enoja. Me respeitem, porra! Um homem deu sua vida miserável pelo meu nascimento!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Corra como louca! Corra!

Desejo obsessivo
de romper este vínculo,
se curar dele, como se fosse uma doença,
dessas que deixam feridas purulentas,
e que causam ânsia de vômito só a simples visão,
Desejo obsessivo de reparar este erro
como furar um cano, na tentativa de pendurar um belo quadro na parede,
Alguém que não te satisfaz
a porra de um canário mudo em gaiola dourada,
Desejo obsessivo
de correr a outros braços
onde encontrar, enfim,
a segurança e rigidez tão sonhada
como escada de madeira nobre e corrimão firme,
É preciso correr
pois o tempo, este é um queniano alucinado e de pernas longas
em prova de São Silvestre,
Corra como louca! Corra!
(tive que lembrar da porra daquele filme da ruiva que corre)...


terça-feira, 6 de novembro de 2018

A Desolação

Meu peito é uma trincheira bombardeada,
Sonhos jazem sobre meu corpo inerte
como companheiros de luta
calados a força,
O morteiro da estupidez explodiu aqui do meu lado,
Luminoso como um sorriso de escárnio
Me finjo de morto
Venha
Chegue mais perto
Tenho os bolsos cheios de versos
E o espirito livre de correntes.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Dorival teve Dor de Dente


Acorda cedo, Dorival,
vai pegar logo no batente,
mais um dedo vermelho quebrado, nada mal,
o que lhe incomoda, é esta dor de dente

Trabalha em infligir a dor,
Normal, tudo bem,
mas dor no próprio dente, que horror!
Melhor causá-la a alguém

Alfinete debaixo da unha
e o safado ainda diz que é inocente,
seu filho pequeno, como testemunha,
É. Maldito subversivo. Nada inteligente.

Martelada nos dedinhos
a criança abre o berro,
ainda faltam 8 soldadinhos
Ignorar a dor do filho...Que erro!

Desconta teu mau humor,
Racha ele ao meio, Dorival!
A cada estocada, a carinha dele, de terror
pra um menino, nada mal...

Deixa pra trás o lixo e o resto
da maldita subversão,
Limpa as mãos de trabalhador honesto
Sangue, fezes e vômito pelo chão

A excitação na hora,
até o dente, anestesiou,
não vê a hora de ver sua senhora,
um prazer decente, diferente deste, que gozou

Pede ao doutor que vá com calma,
que dor assim, gente de bem não merece
Mas enfim, tirou como se fosse um peso da alma,
E afinal, a pátria amada sempre lhe agradece

Nada como a harmonia do lar,
Uma oração e o cafuné na cabeça do filho,
Mais dois vermes conheceram seu lugar
Lá fora, a bandeira tremula e o sol reafirma seu brilho.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Efêmero e Eterno



Não sou a porra de um pequeno príncipe,
Apenas um reles plebeu,
e este mundo, só eu e você,
Minha rosa,
a quem devo nutrir de mil beijos,
desde os lábios sequiosos, pétalas de seda,
até o profundo endométrio,
Nos abraçamos,
e você pede para que não deixe a poesia morrer,
E vivemos este efêmero e eterno momento,
com a intensidade sincera
do grito primal de uma besta recém nascida.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Até a Ultima Gota



Pensei em você
de uma forma boa,
como pensar no sol,
O fogo de teu sexo úmido e palpitante,
e minha cabeça como gira sol, te seguindo,
Pensei em você,
de uma forma boa,
Como pensar nas estrelas,
Gotículas brancas a salpicarem tua carne na noite,
Pensei em você,
de uma forma boa,
Silêncio absoluto,
enquanto encho os olhos com a carne de tuas nádegas,
Silêncio absoluto,
enquanto encho os olhos com a carne de tuas nádegas,
Silêncio este,
quebrado apenas, pelo som de meu prepúcio em vai e vem,
Como os grilos que cantam em louvor a natureza,
Pensei em você,
de uma forma boa,
regando a planta de teus pés,
te fazendo florescer em meus braços,
Devorando-te o fruto suculento, até a ultima gota.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Monumento



Os dias passados
correm em frente aos meus olhos
como ratos famintos
a se alimentarem dos restos
de um coração que sangra,
E morrem,
Agonizando na ratoeira da descrença,
Minha carcaça tomba,
num desejo febril de se juntar aos pestilentos dejetos,
Mas você me segura,
Teus lábios reacendem o fogo
e o incêndio se espalha,
queimando os destroços de vãs esperanças,
e elevando das cinzas, imponente monumento a este novo amor,
imune as pestes e pragas da inveja que infestam ao redor!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Rua sem Saída



Te esperei na rua da amargura,
travessa com a avenida da saudade,
como um filhote imaturo dentro de um ovo quebrado
igual coração de poeta sonhador,
pisoteado pelos dias,
esses transeuntes distraídos,
ossinhos semi formados,
reduzidos a uma meleca sangrenta,
viscosa como lágrima de um olho cego
que teima em querer enxergar o que não existe,
o fim desta rua sem saída,
essa sua alma ruim,
incapaz de amar.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Harém dos Amores não Correspondidos



Minha alma é um cabide vazio,
onde já repousaram ilusões
dos mais variados e tipos e tamanhos
passadas no ferro do tempo,
até se queimarem totalmente,
até só sobrarem trapos sangrentos,
a face da ultima esperança
como um sudário maldito,
não há redenção
e as nuvens são mais escuras,
mergulho o corpo na lama,
após a chuva de lágrimas
dos anjos desapontados,
os crânios dos não nascidos
me encaram, num voluptuoso e descabido fim,
como se abraçado pelo harém dos amores não correspondidos
no centro de um labirinto de arame farpado.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Aterrissagem Forçada



Pensamento que voa,
como pomba imunda que se pretende símbolo da paz,
mas não passa de rato de esgoto de asa delta,
deixando partículas de doença, no azul do céu,
esse ideal que se mostra mais e mais inatingível
por mais que se tente ir a favor do vento,
Enfim, tudo sempre acaba numa aterrissagem forçada,
deixando um rastro de merda, como numa cueca freada.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Poema Molhado



Seu sorriso
era um brilhante
a me chamar atenção no escuro
que se abatia sobre meus olhos,
Como a capa do vampiro a me sugar todo o ânimo,
Lambi seu sorriso,
a procura de alimento vital
que me desse forças para continuar meu voo sem destino,
como esses pássaros que limpam os dentes dos crocodilos,
Penetrei seu sorriso,
Gozando toda minha gratidão,
Mas, no final, você não entendeu,
E a cuspiu num pedaço de papel higiênico,
Mas, apesar disso, ainda sou grato
e derramo toda minha afeição, neste poema molhado.

Ridículo Esplendor



Limpando as gavetas,
Tentando jogar fora todo o ódio e amargura
junto com os velhos papéis
que já nem sei mais do que se tratam,
Te encontro
perdido e amassado,
Sopro a merda de cupim
e você se revela em todo seu ridículo esplendor,
meu primeiro poema de amor,
com suas rimas pobres e intenções infantis,
Um coração tolo que não bate mais
na mesma cadência de outrora,
Rio e o faço em pedaços,
As cinzas desse menino morto
vão pousar na água calma da privada,
Reconheço um "Eu te amo" boiando
em meio aos dejetos de desejos pueris,
Faço mira
e brinco de tiro ao alvo com meu mijo,
tão ácido como esse meu humor,
Único sobrevivente no lamaçal de mágoa desta estrada.


terça-feira, 24 de julho de 2018

Aleluias! Ou Ode à Rosa dos Ventos



Tesouros ás vezes
são achados por acaso,
Ás vezes, não é preciso arriscar a vida
nem adentrar densas florestas,
às vezes, são garimpados assim, á toa
numa promoçãozinha das Lojas Americanas,
Habituado que estava, com Bethânia,
coloquei o CD para rodar, sem esperar grandes surpresas,
Então, de repente, as lágrimas rolaram,
não as bêbadas lágrimas que descem tolamente
ao se ouvir uma musica de dor de cotovelo,
e sou um dos campeões nesta modalidade,
Dessa vez, não,
Chorei em louvor a beleza,
Chorei em louvor a poesia,
A voz daquela mulher me levou de volta a outro lugar,
habitado por sentimentos mais sutis,
que voavam em volta ao meu pensamento,
como aleluias ao redor de uma lâmpada,
Medo que perdessem as asas e devorassem minha cara de pau,
A voz daquela mulher me levou de volta a outro lugar,
iluminado por um abajurzinho vermelho, entre lençóis úmidos, que ainda guardavam o calor do cliente anterior,
Ela pegou minha mão trêmula e a levou para sentir aquele jardim descuidado,
a grande grama seca infestada de vida,
que carreguei comigo ao deixar a moça sem nome pra trás,
Não perguntei, nunca é o nome de verdade mesmo,
De repente, a musica parou,
E foi como se acordasse de um sonho bom,
e me desse conta da realidade estéril,
Acordei e estou atônito até agora,
me aproximo de minha mãe, que reclama por causa da tampa da privada,
e lhe peço um abraço,
me chamando de cara de pau, essa que os cupins não comeram ainda,
me dá o abraço,
Aí me dou conta, então,
A beleza nunca estará de fato, perdida,
enquanto existir abraço de mãe.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

O Sorriso Podre da Caveira



Olho o homem no espelho,
que me olha de volta,
não temos mais o velho entusiasmo,
o trocamos por velhos cabelos, ralos e brancos,
Pergunto em que momento erramos,
Ele me imita
e rimos um riso alto e sem graça alguma,
O passado é uma estante de livros empoeirada,
conheço as histórias em suas páginas,
os versos em seus poemas já foram mais pungentes,
Agora, apenas jogam luz sobre a face do palhaço triste
cujas lágrimas lavaram um sorriso
que por mais que se quisesse,
nunca passou de pintura
sobre o sorriso podre, da caveira que se anuncia
mais e mais a cada fatídico dia...

quinta-feira, 5 de julho de 2018

O Que Eu Quero



"O que você quer da sua vida"?
Perguntou,
com a costumeira cara de ódio,
mas a gente nunca se acostuma,
Me encarou,
como se eu fosse a personificação de seus erros,
Um erro ambulante,
constante e pesado como uma bola de ferro
dessas que vemos os condenados arrastarem nos filmes,
O que eu quero não é daqui,
é longínquo como essa estrela
que observo no céu agora,
e talvez, nem exista de fato,
só o brilho de algo já extinto á muito,
mas suficientemente real
para me manter de pé,
amarrado ao seu fio de luz,
num mundo de trevas,
habitado por muitos como você.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Dominatrix de TPM



O poeta, este peregrino
das solas esfoladas de tanto pisar quimeras,
cacos de vidro, cujo reflexo de uma luz difusa
se faz confundir com sonhos,
que dá voltas, sem nunca chegar,
carrega seu saco cheio de tudo a sua volta,
E dele, tira palavras sangrando
como vísceras de um corpo desmembrado
que grita por Deus e o diabo,
sendo mira de tiro ao alvo
de pistolas de merda,
sacadas de braguilhas cheias de dentes podres
num eterno escárnio,
De repente, o poeta pára,
Já não tem palavras,
Se desfazem uma a uma,
gota a gota, de sua boca,
como chuva dourada
em cima de sua cabeça,
O mundo é uma dominatrix de TPM,
Fazendo suas necessidades em nossas almas.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Fluídos Escassos



Meu saco é um tanque vazio,
Minha quilometragem já excedeu,
O guincho da rotina
me leva de um lado para outro,
Estaciono entre pernas escancaradas
Sugo bocas, dedos e genitais, atrás de algo além de fluídos escassos,
Mas todos estes corpos não passam de postos completamente secos,
E o pouco combustível a me fazer andar agora
é a escrita, este dom maldito que nada de útil me traz,
Só o próximo passo e o próximo
neste deserto,
onde toda esperança já se queimou
nos motores que nos impulsionam a lugar algum.

Meu Amor é Grande



Veio me jogar na cara
a joia rara que te dei,
Dizendo que não valia nada,
Mas isso aí é meu amor!
É feito de lágrimas
de olhos ardendo a noites passadas em claro,
vendo teu rosto
não na lua,
que a janela fica fechada
pra não entrar pernilongo,
e isso é um saco,
mas, na fraca lâmpada
onde me espremo para escrever estes versos,
E agora, o que faço com essa joia?
Você me mandou enfiar no cu,
Mas, essa joia, já disse...
É meu amor!
E é tão grande esse amor!
Assim, arrebento as pregas
E fico triste, arrombado e só.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Formas nas Nuvens



Amanheceu na sarjeta,
o velho poeta, sem vida,
Lhe roubaram os sonhos mais bobos,
perfurando com a lâmina enferrujada do cotidiano
seus olhos sonhadores,
para que não enxergasse
nunca mais, formas nas nuvens,
capacidade descoberta na infância,
e que nunca lhe rendera um tostão,
mas que lhe permitia
com os pés cansados desta terra
a qual não pertencia,
andar muito acima do chão.

Encruzilhada



Só queria te ver feliz,
mesmo que isto significasse
ver teus lábios se abrirem como asas de borboleta,
e teu sorriso sair voando para longe de mim,
indo pousar na boca de alguém
que o devoraria, desmanchando-o,
Mas este sorriso existiria,
mesmo que por pouco tempo,
Asas nem sempre batem na direção certa,
como as asas do cupido bêbado
que veio atingir-me com sua flecha,
bem na maldita hora que você passava
mexendo no cabelo,
Deixando aquele perfume que causou-me taquicardia,
É...O coração nos leva a cada encruzilhada.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Elaiá!



Assim não vai dar,
Assim não vai dar samba,
e se der, vai ser aquele samba amargurado,
sem cerveja, só o corote, já no fim,
aqui do lado,
Enquanto canto, sem encanto,
sem graça, na cachaça,
com muito cuidado,
pra escolher as palavras,
como jóias raras no lamaçal,
de onde você já pegou as pedras,
sempre pronta a atirá-las contra mim,
e vou cantando baixinho, pra não te irritar,
mais ou menos assim:
"Elaiáá!!
Com as palavras não posso errar...
Se não, ela vai se irritaaar, laiááá!!
Elaiáá!!
Com as palavras não posso errar...
Se não, tudo entre nós,
feito este poema triste, se acabarááá!"

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Cabisbaixo



Sinto que está endurecendo,
Mas mesmo ante tua lembrança,
nenhuma gota escorre,
Sim, meu coração
está virando pedra,
e já não consigo mais
verter uma lágrima por você,
Amor embalsamado,
Afeto mumificado,
Mando à merda qualquer impressão
de ouvir as asinhas daquele gordinho pelado,
o cupido,
Entorno mais um gole de cerveja
e volto novamente a atenção
para o filme que rola no xvideos,
Mas, por enquanto, só o coração é que endurece mesmo,
E a dureza real, constato, cabisbaixo,
É passar dos quarenta, na punheta!

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Este Verme Que Vos Fala



Caráter decomposto
Coração corrompido,
Me alimento de suborno,
Meu ganho é sujo, indevido,

Cago e ando
para o bem comum,
Saio, excitado, enganando
atrás de faturar algum,

Mas, o senhor, tão honesto,
não pense que é diferente,
Sei que o pensamento lhe é indigesto,
Mas, no fundo, somos o mesmo tipo de gente,

O gato da TV a cabo,
os filmes do camelô,
o wi-fi da casa ao lado,
o troco errado,mas você só se enganou,

Não é nem um pouco parecido
com este verme que vos fala,
não tem este meu nariz comprido,
tua corrupção, em tua boca, se cala.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sebo do Esquecimento



Esses dias
Estava relendo o livro de nossa história,
Procurando a página certa
Onde não conseguimos terminar
Aquela frase perfeita
E você decidiu pôr um ponto final.
Mas a história se desenrolou ainda,
Só por assim dizer, “encher linguiça”
E entregar à editora, tal numero estipulado de páginas,
E enfim, chegamos a um final em aberto,
Eu, louco por uma continuação.
Você, rasgando as paginas
Para recolher a merda na caixa de areia dos gatos,
E nem da dedicatória que eu te fiz,
Esse meu coração tolo, você teve pena.
Tudo foi para o cesto de lixo da incompreensão
E os momentos de ardente lascívia
E carinho mais que sincero,
Relegados a estante empoeirada do sebo do esquecimento.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Jogo Sujo



Olhos nos olhos
E depois nos seus pés,
Esperando qualquer movimento,
Te fiz a proposta
E senti a angustia do goleiro na hora do gol,
Falando nisso, minhas bolas pareciam ter sumido
E meu pinto se recolhido dentro de mim,
Braços arrepiados
Esperando o fim,
Que enfim, saiu da tua boca,
Um chute bem dado em minhas ilusões,
Mas ao menos, relaxei,
Agora, as bolas balançam livremente
No verde campo da saudade,
Enquanto toco uma pra você,
E me toco que não haverá mais prorrogação
Nesse jogo sujo
Onde ninguém é vencedor.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Homo Sapiens



Te quis ao meu lado,
Do pó a guerra,
Relação contraditória
Eu, um caralho de pedra a perfurar o céu
Como um deus pagão e indiferente em toda sua solidez,
Você, um cu na terra a esconder-se dentro de si,
Como um par de lábios fazendo bico, esperando um beijo que nunca vem,
Te quis ao meu lado,
Da construção das torres sólidas
De uma amizade forte e profunda como um bunker,
Até vê-las ruírem
Sob nossos pés vacilantes
Sob o bombardeio do medo,
Da vaidade,
Deixando ao solo
Os cadáveres de sentimentos reprimidos,
Nosso amor,
Este homo sapiens
Que parecia evoluir,
Mas apenas exteriormente,
A selvageria enfim, explodiu,
Com suas palavras grosseiras me atingindo
Como o mendigo com a barra de ferro,
Igual ao primata brandindo um osso, no filme “2001”,
A destruir o monitor do computador ao meu lado,
Enquanto espero para atravessar a Av. Brigadeiro Luis Antonio.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Bela



Bela...
A vida é bela,
apesar de seus revezes...
Olhe para o céu
E veja o arco íris
e o disco voador!

terça-feira, 20 de março de 2018

Narcótico Natural



Eu tive um sonho,
sonhei que diante da tua estupidez
eu sorri,
engoli meu orgulho
como um daqueles remédios ruins
que tomamos fazendo careta,
Fiquei ao teu lado,
cão fiel que não te abandonaria
mesmo depois de chutar-me as costelas,
e voltaria a lamber este pé cruel
alegremente,
imbecilmente,
Inebriado por aquele cheiro
como narcótico natural,
Aquele cheiro que subia queimando as narinas
quando ia mijar no teu banheiro
sob os alegres olhares das pin'ups nas paredes,
Acordo com algo viscoso a vazar,
É meu coração, amor,
É meu coração que se esvai todo de saudades,
Como as lágrimas que queimam os olhos,
ainda procurando por tua figura na escuridão
E com um nó na garganta,
Te mando a merda mais uma vez.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Labirinto



Medo
que este mundo
que não é meu,
me mastigue
com seus dentes de edifícios
e sua língua áspera de asfalto,
me engula
e me defeque,
dando-me a forma disforme
de mais um marionete
sob o controle de dedos autoritários,
Medo que a algema das circunstâncias
mantenha meus pulsos presos às costas,
enquanto os dias me esmurram a face atônita,
Medo de chegar ao fim,
Sem nunca ter sido,
nunca ter acontecido,
Medo
de reconhecer
que a linha nunca foi reta,
Mas um labirinto
a me levar de volta
ao ponto de partida.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Até a Ultima Gota



A solidão é uma besta silenciosa
que anda com suas garras fincadas
na carcaça de meu dia a dia,
a cada passo, perco um pedaço da vontade de viver,
Pessoas a minha volta, riem,
se acariciam e chamam-se de "meu amor",
Finjo estar contente,
dopando a dor que a besta me aflige
com litros e litros de álcool,
a baba da fera escorre
junto com sangue,
junto com minhas lágrimas,
e o que resta aos meus pés
é saudade daqueles breves momentos,
em que você se ajoelhava diante de mim,
Eu entrava pelos seus lábios trêmulos
e gozava meu tesão, até a ultima gota.

Todo Dia é Quarta de Cinzas



Os dias contigo
Foram de intenso colorido,
Verdadeiro carnaval,
Agora, a saudade cai sobre mim,
e todo dia é quarta de cinzas,
Vestindo a fantasia rasgada de um amor impossível.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Objeto de Pesquisa


A doença vai retirando meu ânimo às colheradas, como se eu fosse um prato de vômito, todo encaroçado, e a vida, esse monstro cheio de tentáculos, tivesse esse fetiche escatológico de se alimentar de poetas fracassados e cancerosos.
Os médicos usam máscaras, porque exalo um fedor pestilento, e ao falar, posso infectar todos a minha volta. Rabisco tremulamente, versos no caderno. Meus olhos já não conseguem ler perfeitamente. Peço para a enfermeira ler o que acabei de escrever, ela põe a comadre de lado, lê meus garranchos com dificuldade, mas ao final, devolve-me o caderno com cara de asco. Parece lidar de maneira mais tranquila com a comadre suja de bosta negra esverdeada. Mas eu tinha certeza que eram versos de amor! Imbecil! Tão difícil estar cercado de ignorantes!
Mais tarde, entra o doutor que aparentemente é o chefão, sempre com a máscara e a toca, reconheço pelos olhos azuis piscina. E foi na piscina que o parasita entrou no meu corpo. Minha uretra parecia pegar fogo. De repente, eu, tão voltado para os pensamentos, tive consciência mais que exata de meu corpo, como nunca antes. O parasita era mais poderoso que um orgasmo. Nenhuma pessoa apoderara-se assim, de forma tão forte ao meu sexo. Aquele dia, lamentei, mas de forma muito mais visceral, amei o parasita que começava a sugar minha vida.
Ouço a voz de trás da máscara, que me conta sobre uma nova técnica: O transplante de cérebro! Ainda havia como salvar minha consciência, passando minha massa cerebral para o crânio de um cadáver, em perfeitas condições. Convidou-me a conhecer o corpo. Apesar da imensa fraqueza, consigo me colocar em pé, e arrastar-me nos chinelos. E lá vou eu, um velho carcomido por uma doença incurável, vislumbrando uma nova vida, novas loucuras...Tento dar uma risada satisfeita, mas apenas consigo tossir, pondo pus pelos lábios rachados. Chegamos a uma sala totalmente vazia, limpa, a não ser pela maca , onde se encontra deitada uma linda mulher.
Me viro para o médico, que entende na hora minha indagação, e explica que a disponibilidade de doadores ainda é pouca. O procedimento é novo e ainda causa estranheza, por isso, o corpo a ser usado é exatamente da doutora que começou as pesquisas e que ofereceu-se em sacrifício a ciência. Pergunto se posso ficar um pouco á sós com o corpo. Ele se vai. Mesmo tendo certeza que sou observado, me aproximo e deslizo a mão tremelicante no belo corpo da mulher, que não deveria contar mais que trinta e poucos anos. Fico imaginando, então, que ao acordar neste apetitoso corpo, teria que viver fugindo de homens que se sentiriam excitados e incitados a me comer. Começo então, eu mesmo, a me excitar com aquela forma que seria a minha logo, logo. Chupo um seio, fazendo doerem-me as gengivas sem dentes. Penetro quatro dedos da mão naquela buceta cabeluda, que para meu espanto se encontra úmida. Devem estar conservando de alguma forma o corpo, como recém falecido, para assim melhor receber o transplante de cérebro. Retiro meu pinto flácido e revestido de nojentos tumores e forço em seus lábios carnudos. Sinto um choque tomar-me completamente e tudo fica escuro.
Acordo. Vista embaçada que aos poucos vai se fixando em dois montes brancos abaixo de meu queixo. Seios. Tenho seios. Levanto as mãos para acaricia-los. Eles afundam na carne, como gelatina. Os tiro, e vem junto uma gosma verde. Meus braços também se encontram com crostas purulentas. Ao meu redor, os doutores com suas máscaras me observam. O chefão dos olhos azuis piscina, se aproxima. Então entendo. Ao enfiar o pau doente na boca cadavérica, passei o parasita para meu novo corpo. Tudo já planejado pelo querido doutor. O verdadeiro objeto de pesquisa é o parasita. Bom...Ao menos, nenhum homem vai querer me comer, não é?
De repente, abrem a porta e puxam um gorila por uma coleira...





André Diaz