quinta-feira, 17 de maio de 2018

Formas nas Nuvens



Amanheceu na sarjeta,
o velho poeta, sem vida,
Lhe roubaram os sonhos mais bobos,
perfurando com a lâmina enferrujada do cotidiano
seus olhos sonhadores,
para que não enxergasse
nunca mais, formas nas nuvens,
capacidade descoberta na infância,
e que nunca lhe rendera um tostão,
mas que lhe permitia
com os pés cansados desta terra
a qual não pertencia,
andar muito acima do chão.

Encruzilhada



Só queria te ver feliz,
mesmo que isto significasse
ver teus lábios se abrirem como asas de borboleta,
e teu sorriso sair voando para longe de mim,
indo pousar na boca de alguém
que o devoraria, desmanchando-o,
Mas este sorriso existiria,
mesmo que por pouco tempo,
Asas nem sempre batem na direção certa,
como as asas do cupido bêbado
que veio atingir-me com sua flecha,
bem na maldita hora que você passava
mexendo no cabelo,
Deixando aquele perfume que causou-me taquicardia,
É...O coração nos leva a cada encruzilhada.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Elaiá!



Assim não vai dar,
Assim não vai dar samba,
e se der, vai ser aquele samba amargurado,
sem cerveja, só o corote, já no fim,
aqui do lado,
Enquanto canto, sem encanto,
sem graça, na cachaça,
com muito cuidado,
pra escolher as palavras,
como jóias raras no lamaçal,
de onde você já pegou as pedras,
sempre pronta a atirá-las contra mim,
e vou cantando baixinho, pra não te irritar,
mais ou menos assim:
"Elaiáá!!
Com as palavras não posso errar...
Se não, ela vai se irritaaar, laiááá!!
Elaiáá!!
Com as palavras não posso errar...
Se não, tudo entre nós,
feito este poema triste, se acabarááá!"