segunda-feira, 30 de maio de 2011

Teu Abraço

Água parada,
há pedras no fundo,
O som lá fora
sugere vida,
Mas são
cubos de gelo
no copo ardente
de meu coração,
Fecho os olhos,
Sinto teu abraço,
Dele, faço vinho quente,
Sorrio,
Pela primeira vez,
Bebo da solidão,
E saio aquecido
no frio da avenida.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Eu Amo Este Cara!

    Parei, vendo aquele video e pensei, como admirava aquele homem! Pela primeira vez, parei pra pensar sem nenhum preconceito. E porque os preconceitos? Se nem eram meus? Eram do mundo? É. Realmente, nunca havia me gostado tanto, antes. Por estar viciado nos preconceitos do mundo. Nunca me aceitei, porque não era o representante ideal, do "macho ideal".
    Sempre me "auto-flagelei" pela minha sensibilidade exacerbada. Por não valorizar aquilo, que a sociedade impõe como certo, ao "macho ideal" valorizar.
    Estive perdido, enquanto artista, em minha juventude. Desenhando histórias em quadrinhos, em que me colocava como o "super-homem", o retrato idealizado do macho aceito pela sociedade infantil.
    Infantil? Sim. Pois ela sonha com utopias. Não se aceita. Como eu não me aceitava.
    Ah! E como é bom exteriorizar este nosso melhor! Então, eu paro e admiro este homem, não aceito pela sociedade estupida. E o que faço, então? Eu amo este cara! O "S" pára, extasiado, diante do "Z", e se emociona!
    Este cara sou eu mesmo, e só parando para ler o que ele escreve, para vê-lo atuar nesses maravilhosos videos, é que pude perceber como sou belo! E não é aquela coisa negativa, de se achar melhor que os outros, mas o que eu sou, é muito bom! E quanto tempo pra perceber isto!
    Claro, uma beleza desdenhada pelo olhar turvo e poluído, de uma sociedade que não se respeita. Não respeita seu verdadeiro "eu", em detrimento de uma postura, construída sobre valores vãos.
     Quem é este ateu? Este ser horroroso que faz um tal de "São Rivotril", e ainda chama isso de poesia? Alguem que faz graça em cima do sagrado???
     Sabem, que eu mesmo, quase caí nessa? Comecei a acreditar nessa balela? Um dia, falei:
     "Não! Não vou fazer mais! É blasfêmia!"
      Mas este pensamento não era meu! Eu queria apenas, ser aceito. Fazer algo que fosse bonitinho!
      Dei fim, ao meu blog. Comecei a fazer outro. Com arte panfletária cristã. E arte pobre. Aquilo não tinha lirismo. Não era poesia. Não vinha de dentro. Arte tem que vir de dentro. Não pode se ficar raciocinando, para se jogar  lições de moral em cima dos outros. É preciso um bom adiantamento espiritual para isso, creio eu, ter estudado muito, etc.
      E este segundo blog, tambem foi excluído. E estamos aqui, novamente. "Rezando pra São Rivotril." Eu sabia que não estava sendo desrespeitoso com nada. Quem me conhece, tambem sabia. Mas, estava preocupado com a opinião alheia. Hoje, trilho o caminho espirita. Mas, sabe aquela culpa católica? Muita gente me aplaudia, quando eu apresentava o poema, mas eu tambem via a carranca acusadora de pessoas "dogmáticas" que não entendiam nada de arte.
     Tenho ainda, e acho que não perderei essa ligação forte com o catolicismo, e é algo que sempre se refletiu na minha poesia. Um poeta, certa vez, assistiu o "São Rivotril", e me perguntou se eu era religioso! Taí, um cara com sensibilidade! Tem que ser artista mesmo, para captar mais acertadamente, o que outro artista está tentando dizer.
    Usei a imagem católica, apenas como alegoria para dar sentido exato, do que era tomar rivotril (porque eu tomei) naquela época. Era algo mesmo, de alívio para as dores terrenas, me entende? Nunca fui, e nunca serei ateu. E "São Rivotril" é apenas um poema sobre um remédio.
     E, mesmo deixando toda a arte panfletária para trás, inconscientemente, introduzo essa coisa espiritual nas coisas que escrevo. As vezes, só me toco depois de reler o texto. Como é o caso de "A Folha Com Cara de Cão". Outro interessante, mas que, se a pessoa tiver preguiça de pensar, não vai sacar do que se trata, é "Amar é...", esse inclusive tem video , em que apareço chupando um pé de borracha. Alguem com pensamento curto, vai parar e apenas dizer: "Cara! Que nojento!" Aqui, como em "Rivotril", eu uso uma alegoria, só que desta vez, é o fetiche por pés. Meu querido! Minha querida! Presta atenção no texto: "Amar da boca pra fora/ È beijar o pé do campeão/ Amar da boca pra dentro/ É chupar os dedos sujos de chão!"
    Quer coisa mais cristã? Não vou explicar. É óbvio demais.
    É apenas questão, de parar para ler. E usar o cérebro já tão acostumado às noticias à velocidade da luz, do mundo informatizado. O titulo e o início dessa crônica é uma pegadinha, para essas pessoas, que vão logo jogando pedras sobre aquilo que tem preguiça de se aprofundar.
    Bom, é isso aí. Como agora, me gosto deste jeitinho anti-convencional, que Papai-do-Céu me fez, não tinha necessidade nenhuma de ter escrito este texto explicativo. Mas era algo, apenas para desabafar.
   E sem medo algum, que me caia um raio na cabeça!

  P.S: Alguem mais aí, se habilita a amar este cara? Rê! Rê!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Soluços No Paraíso

--- Alô?
---Alô...Quem fala...
---Oi, André! Sou eu!
---Ah...Oi...Desculpe...Tava mexendo no celular...Liguei sem querer...
    Minha cabeça girava e o forró retumbava lá dentro, no salão de festas. Meu amigo Caranguejunior, foi requisitado por alguma dama, para dançar. A sua amiga Érica, tambem não dançava, estava lá dentro, pois lá fora, na churrasqueira, estava um frio de lascar. Até aquele momento, conversamos sobre nossos fêmures fraturados em acidentes automobilisticos. Mesmo sendo um assunto dolorido, é bom trocar idéia com alguem que tenha algo em comum com você!
    E lá estava eu, às voltas com a carne e o tambor de cerveja. Muita gente! Muita animação! E me bate uma melancolia danada. Sabe quando você está cercado de gente, por todos os lados, como um mar vibrante de vida, mas você não é àgua? Você é uma ilha deserta? E sente uma necessidade danada para que alguem venha habitar esse terreno àrido, que é seu coração? Poisé.
   Comecei a fuçar nos contatos do celular. Liguei para uma pessoa, apenas para dizer "oi". Mas, quando ela atendeu, achei que seria algo muito estupido de se dizer. Daí, inventei a desculpa do "Liguei sem querer." Que se mostrou ser algo mais estupido de se dizer. E estupidez por estupidez, acabei abrindo mais uma cerveja.
    Caranguejunior e Érica decidem ir embora, e eu vou junto. A caminho do "Metrô-Paraíso", tenho um ataque de soluços:
----Hiiiiicccc!!! Hiiiiiiccc!!!
    E a Érica tem um ataque de risos:
--- Ri! Ri! Ri! Ri!
    E o Caranguejunior:
--- Quéisso, Andrezão! Prende a respiração!
     Já dentro do trem, eu soluçava e ria, porque a Èrica ria pra caramba, e acabei até, soltando um "pum" sem querer. E acabei "vazando" na estação errada!
     Mas acabei me divertindo, achando graça de meu ataque de soluços, provocado por um ataque de gula, que foi provocado por um ataque de melancolia.
     Poisé. Nós, os seres humanos, complicamos demais, as coisas. Com medo de uma pequena estupidez, fazemos com que ela se torne uma grande bola de neve estupida! E no dia seguinte, aquela bruta dor de cabeça! Coisa que poderia ser evitada, com um simples:
--- Eu só liguei pra dizer oi!

     
    André Diaz

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Viajante e O Vaginão

--- Você é viajante?
--- Hmmm...O quê?
--- Se você é viajante!
--- Não.
--- Parece.
     Estava a caminho de fazer uma cobrança, carregando minha mochila. E uma senhora me parou com esta pergunta. Depois, refletindo melhor, deveria ter dito que sim! Sou mesmo um viajante, um peregrino, sem nada de santo, admito. Um ser dividido em dois "(S/Z)?" Ou mais. Uma parte ansiando as delicias da luxuria. Outra, a pureza espiritual. Mas, todas essas partes, numa viagem constante, sem duvida!
     Chego ao meu destino (temporário, vejam bem), toco a campainha, mas não ouço o som. Estará quebrada? Toco de novo. Nada. Resolvo bater. Silêncio absoluto. Enfim, a voz de uma criança:
--- ÔÔÔÔ, ZÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!Tão batendo na portaaaaaaaaaaa!!!!
      Penso: " Bom. O tal do Zé vai aparecer."
      Passam-se minutos, como pequenas partículas de eternidade, resolvo tocar e bater de novo.
      De repente, vejo um focinho de cachorro embaixo da porta. O curioso desse cachorro, é que ele não latia. Só fungava!
      Um cachorro mudo? Como ser um cão, e não poder expressar os sentimentos, sem poder grunhir ou latir? Será tudo na base do balançar de rabo? Deus! Creio que seja um cão imcompreendido!
      Eu mesmo, sempre tive voz, mas foi sempre duro para que alguem me compreendesse. Creio, então, que este blog seja o "rabo" que sacudo, quando estou feliz, ou que coloco entre as pernas, quando tenho medo!
      Dizendo "caetanamente": "Ou não!" Puxa! Nunca achei que o simples fungar de um cão mudo, debaixo de uma porta, me faria pensar tanto. Encher linguiça? Não. É simplesmente, "viajar". Poisé, eu "viajo", até sentado nesta cadeira!
     Não sei se é bom, ou mau, mas sou um cara muito "mental". Um amigo, veio falar outro dia, sobre futebol. Mas, admito que não acompanho, às vezes vejo algum jogo. Não manjo nada, desses papos "técnicos." Na verdade, admiro o lance "físico". Quando mais jovem, eu invejava as pessoas "físicas". Hoje, aprendi que a inveja é um puta sentimento negativo, e só faz com que atrasemos com nossas vidas. Assumi que sou uma pessoa "mental." E hoje, apenas, admiro as pessoas "físicas". A vida parece tão mais simples, para elas! Atravessar este mundo lugubre, com pernas e braços fortes, e nenhuma "minhoca-existencial" na cabeça!
     Sim! Me parece bem mais adequado, que escrever linhas e linhas, armado apenas, de um velho dicionário Aurélio!
     De repente, a porta se abre, e há uma garotinha na minha frente.
--- Olá! A Dona "Fulana" está?
--- Minha mãe saiu! Tipo... Ela foi trabalhar!
--- Sabe se ela deixou o cheque do seguro?
--- Eu não sei!
     "Será que o Zé, não sabe?" Pensei em dizer, mas calei-me.
--- Bom... Tudo bem! Depois eu volto!
--- Esperaí! Vô perguntar pra empregada, se ela sabe!
--- ÔÔÔÔÔ, ZÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!! Tem gente na portaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!
     Então, aparece a empregada, que toma um susto ao ver a menina com a porta aberta, falando com um estranho.
--- Ai, sua peste! Se sua mãe fica sabendo!!! Vem pra cá!!!
      Ela agarra o bracinho da menina e bate a porta na minha cara.
      Fico lá, olhando para a porta. Decido bater de novo. O focinho do cachorro mudo aparece novamente.
--- ÔÔÔÔ, ZÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!! O "ômi" ainda tá na portaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!
     A empregada volta e lhe digo que vim buscar o cheque do seguro.
    Mais um pouco, e ela finalmente surge com o cheque na mão. E eu vou embora.
    Lembrei de toda essa situação bizarra, porque no momento, estou apenas de "fraldão", uma boina e gravata, atrás de uma cortina, esperando minha vez para recitar um poema. Duas moças estão lá no palco. Perguntando à platéia, se ela "ouve seus ovos!" Alguem entra na loucura, e diz: "Eu ovo!!"
    Foi tudo bizarro, e creio(terei que ver o video pronto) que fui eu, o mais estranho e chocante poeta que pisou naquele palco!
   E isso é bom? Sei lá, senti -me nervoso, Aos olhos de quem assistia, devo ter parecido (citando meu primeiro poema)" RI-DI-CU-LO!! "
  Mas, naqueles loucos momentos... Eu existi!!
  Sim. Percebo que o artista precisa do palco. Como o óvulo precisa do espermatozóide, para que se dê a magia da vida! Mas, a ficha só caiu, após a apresentação, quando fomos a uma pizzaria, comemorar. As pessoas pareceram espantadas, ao descobrirem que eu era uma pessoa timida. Bem diferente, daquela figura batendo "asas" e "cacarejando", como um fugitivo de hospício.
   Então, bateu-me uma espécie de "depressão-pós-palco". Aquele, sentado, comendo pizza... Não era mais "a minha existência".
   Ela ficou naquele palco! Que na verdade, me aterrorizou no início, coisa que até me fez cair do banco, colocado de modo, que o atravessássemos, após recitar o poema. Pois nós "nascíamos", quando entrávamos no palco. A proposta era essa, a abertura da cortina, era na verdade, um "vaginão", E nós nascíamos de fraldas. Então, já nascidos, não poderíamos retornar à grande vagina! "Quem nunca pensou nisso, um dia?" Mas, cada vez que íamos recitar... Nós dávamos a volta, e nascíamos novamente, para um novo poema! "Reencarnação?" Sim, amigos! Artista quer palco, por mais aterrorizante que seja! Acham que me considero artista, por escrever este blog? Não! Apenas um chato, que escreve suas neuras e sonhos e tenta socar tudo goela abaixo, dos camaradas, enviando seus avisos de atualização.
    A apresentação dos "Poetas do Tietê", era o resultado de uma oficina de poesia, que fazíamos nos fins de semana. Na semana seguinte a apresentação, a qual descrevi, não nos veríamaos, pois meus amigos queriam viajar no feriado, fiquei então, "viajando" no papel mesmo, e mais triste, pois demoraria mais tempo, para "existir" de novo!
   Então, decidi colocar a "casca vazia" para dormir. Enquanto, minha "alma" ficaria lá, ansiosa, atrás daquela cortina, com a cabeça, louca para emergir da grande vagina. Como um bizarro "fantasma-da-ópera-de-fraldas!"

A Folha Com cara De Cão

    Crrrccc...Crrrrccc...Meus joelhos fazem esse barulho de sucrilhos sendo mastigado, enquanto arrumo minha cama. Isso me dá arrepios, pois começo a pensar que sou feito de ossos, cobertos com camadas de substâncias viscosas, que um dia irão apodrecer.
    Desço ao supermercado, para comprar óleo, uma moça passa por mim, fazendo cooper, os caras do posto de gasolina sorriem e assobiam, entusiasmados. Eu já não me entusiasmo tanto, apesar dela ter um bumbum convidativo, é que acho que calça de lycra segura muito, assim como o jeans. Eu prefiro aquele tipo de tecido que deixa as nádegas mais soltas, "tremelicantes".
    De repente, já não é mais dia, é noite. Estou no ponto de ônibus e não consigo tirar os olhos do pé daquela outra mulher. O esmalte prateado solta-me raios lazer paralizantes, e eu fico lá, hipnotizado. Meu ônibus passa. Fico vendo o tempo passar, desde a invenção da roda, até o fim absoluto. Nada mais restou. A terra devastada apenas deixou-me um galho seco, com uma folha engraçada. Ela tem cara de cão. E me encara. Eu sei que é só o vento batendo. Mas parece que esse pequeno cão balança a cabeça, inconformado com o unico epécime humano existente.
--- Então, tu és o que chamam de homem?
--- Quem chama? Não há mais ninguem!
--- Os elementos do vazio, o chamam assim!
--- Há elementos no vazio?
--- Rá! Rá! Pensas que és grande coisa? Saco de tripas e ossos!
--- Posso não ser! Mas sou algo! Não o vazio!
--- Apodrecerás e pertencerás tambem, ao vazio!
--- E o que é o vazio, afinal?
--- O vazio é o impensado! O que não foi inventado! O vazio sempre haverá de existir! Porque não existe, de fato!
--- E o que é o existir? A existência, então, não teria importância?
--- A existência é o rolar da pedra!
--- De onde vem a pedra?
--- Ela vem do alto! Ou, às vezes, é impulsionada de baixo, mesmo!
--- Mas, o que é a pedra?
--- A pedra é formada de outra, que se partiu e sua poeira juntou-se no vazio, formando outra! Que tambem haverá de rolar e se espatifar no fim, e dar início a outra, e assim por diante!
     Nisso, um vento mais forte bate na cara do cãozinho-folha, que vira poeira, que vai para lá longe.
--- Então, é isso...
     Balbucio, me ajoelhando e sentindo que então, viria um vento bem mais forte, para desfazer-me em poeira. E, quem sabe, o que aprendi, retorne intacto, na formação de uma nova pedra, mais resistente, e que não se quebre tão fácil, no terreno da vida humana.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ser Ou Não Ser Ridículo?

    Imagine um grupo de poetas num local escuro. Recitando poemas? Não! Tirando a roupa! Sacanagem? Não! O momento é sagrado. Há uma magia no ar!
    A magia da Arte! Quatro marmanjos posando para fotos, usando apenas fraldões! Ah! Um deles usava meias! Eu estava entre eles, sem pensar em momento algum, qual o sentido daquilo.
    Eu estava rindo! Por que pensar no sentido da alegria? Vivemos num mundo em que se mata o próximo, até em nome de Deus! Ah, meus amigos! Isso sim, não tem sentido! Vesti o meu fraldão extra-grande, e dei uma banana para o horror e toda a merda que me cercava!
   Me soltei! Sem medo de ser ridículo! Pensando mais seriamente no fato, acho que agi de modo ridículo, de verdade, todos os anos que se passaram lá atrás.
   Tudo perda de tempo. Minha amiga disse que deveria escolher entre ser artista, e arrumar namorada, depois que o mundo me visse daquela maneira ridícula.
   Pensei na minha solidão que atravessa os anos, e vi que não houve vantagem alguma, em ser um cara sério. Me diverti mais nesses rápidos momentos de "infantilização", do que em todos os momenstos juntos, ao lado de mulheres sem um pingo de sensibilidade para ver a sorte que tinham em ter um artista ao seu lado. É aquela coisa, artista é bom quando é sinônimo de grana. Estou me achando grande coisa? Sim, estou achando mesmo!
   E é assim, que seremos de fato, felizes!
   Fazendo o que gostamos, mesmo parecendo ridículos! Vivemos em função do que o outro vai pensar.     Criamos uma casca de falsidade, e quando nosso "eu" verdadiro decidir se soltar, talvez seja tarde demais.
 Eu não tirei minhas roupas e coloquei um fraldão, simplesmente para aparecer. Não, meus amigos. Tirei a casca da mentira, para tentar ser feliz.
   Se escrevo essas linhas, com a velha melancolia marcando meus traços, é porque não me iludo. Como diz a canção de Odair José: "Felicidade não existe...O que existe são momentos felizes". Por mais ridículos que pareçam.

Para Que Servem As Páginas Em Branco Dos Livros

    Término de trabalho para muitos. O formigueiro humano do centro de SP me empurra para o lado, bem do lado do poste. E eu não vejo a grande merda em que piso. Há um mendigo por perto. Realmente, aquilo não me parecia ser obra de um cachorro.
    Mergulho o pé numa poça d'água, e vou deixando um rastro marrom no meio-fio. Mas é pouco! Injuriado, me encosto no muro de um estacionamento, olho para a sola do sapato. E a coisa é bem pior do que imaginava! Abro a mochila, só tem papéis que não podem ser destruídos. Apólices de seguro e protocolos de propostas.
   Pego então, o livro que estou lendo. Sempre me perguntei para que serviam as páginas em branco dos livros. Mais papel para encarecê-los? Pois hoje, encontrei a sua utilidade! Limpar cocô do sapato! As duas páginas em branco ainda não tinham feito grande coisa. Tive que pegar também, aquela ultima, do "O Autor e sua Obra". Ah! Minto! A primeira página, não estava propriamente em branco. Comprei o livro usado, e havia uma dedicatória e uma data. Penso que houve carinho, ali. Algo quente a unir duas pessoas. E que acabou com algo, também quente. Porem, nojento e infecto.
   Era algo que não gostaria de ter feito. Chateado, depois contei para um amigo, que me disse:
--- Pisar na merda é boa sorte!
--- Sério?
-- É! Dizem que sim!
    Agora, me deito. Tentando lembrar da ultima vez, que pisei na merda. Não lembro.
    Pego meu livro sem páginas em branco, sorrio e acaricio sua capa dura.
--- Foi por uma boa causa, amigo! Uma boa causa!


     
      André Diaz