sábado, 12 de novembro de 2022

Masoquismo Transcendental

 

Como um palhaço infernal

você sapateou com seus grandes sapatos

sobre meu cadáver apaixonado,

Arrancou minhas vísceras

que tanto arderam em sua presença

e as usou de enfeite

sobre as lápides dos amores não correspondidos,

Castrou-me 

com a lâmina afiada de teu pouco caso,

e fez de meu órgão flácido

penduricalho de teu escárnio,

Aterrorizante

é sentir que meu corpo dissecado

ainda chama por ti,

e que meus ossos quebrados

ainda chacoalham à tua lembrança,

Vem!

Volte e acabe o serviço,

Canibalize os nervos que ainda palpitam

neste masoquismo transcendental

que vai além da putrefação da carne

e faz gritar minh'alma penada

que assombra e me desperta

como pesadelo às 3 da manhã

em meu quarto solitário,

onde esguicho minha saudade 

na mão trêmula

que se agita debaixo dos lençóis!

Prazeroso Vilipêndio

 

Teu sorriso debochado

em minha mente,

se materializa

como farpa de madeira

na sola de meu pé,

Cada dia é um tormento

e uma pegada sangrenta

que te deixo

Oh! Ser tão amado!

Siga os rastros vermelhos,

Meu corpo frio estará te esperando,

Te deixo esta carta tola

e úmida de lágrimas

como autorização

para o prazeroso vilipêndio 

de meu cadáver apaixonado,

Rasgue meu estômago,

Minhas tripas ainda estarão quentes e famintas,

(apesar dos enormes sapos que você me fez engolir)

Não! Não é necrofilia!

É minha doce entrega

além dos portões da decomposição!

Com a cadavérica dama da foice

sob nossos ocos e mortais crânios 

abençoando 

nosso pútrido enlace final!