quinta-feira, 26 de abril de 2018

Cabisbaixo



Sinto que está endurecendo,
Mas mesmo ante tua lembrança,
nenhuma gota escorre,
Sim, meu coração
está virando pedra,
e já não consigo mais
verter uma lágrima por você,
Amor embalsamado,
Afeto mumificado,
Mando à merda qualquer impressão
de ouvir as asinhas daquele gordinho pelado,
o cupido,
Entorno mais um gole de cerveja
e volto novamente a atenção
para o filme que rola no xvideos,
Mas, por enquanto, só o coração é que endurece mesmo,
E a dureza real, constato, cabisbaixo,
É passar dos quarenta, na punheta!

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Este Verme Que Vos Fala



Caráter decomposto
Coração corrompido,
Me alimento de suborno,
Meu ganho é sujo, indevido,

Cago e ando
para o bem comum,
Saio, excitado, enganando
atrás de faturar algum,

Mas, o senhor, tão honesto,
não pense que é diferente,
Sei que o pensamento lhe é indigesto,
Mas, no fundo, somos o mesmo tipo de gente,

O gato da TV a cabo,
os filmes do camelô,
o wi-fi da casa ao lado,
o troco errado,mas você só se enganou,

Não é nem um pouco parecido
com este verme que vos fala,
não tem este meu nariz comprido,
tua corrupção, em tua boca, se cala.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sebo do Esquecimento



Esses dias
Estava relendo o livro de nossa história,
Procurando a página certa
Onde não conseguimos terminar
Aquela frase perfeita
E você decidiu pôr um ponto final.
Mas a história se desenrolou ainda,
Só por assim dizer, “encher linguiça”
E entregar à editora, tal numero estipulado de páginas,
E enfim, chegamos a um final em aberto,
Eu, louco por uma continuação.
Você, rasgando as paginas
Para recolher a merda na caixa de areia dos gatos,
E nem da dedicatória que eu te fiz,
Esse meu coração tolo, você teve pena.
Tudo foi para o cesto de lixo da incompreensão
E os momentos de ardente lascívia
E carinho mais que sincero,
Relegados a estante empoeirada do sebo do esquecimento.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Jogo Sujo



Olhos nos olhos
E depois nos seus pés,
Esperando qualquer movimento,
Te fiz a proposta
E senti a angustia do goleiro na hora do gol,
Falando nisso, minhas bolas pareciam ter sumido
E meu pinto se recolhido dentro de mim,
Braços arrepiados
Esperando o fim,
Que enfim, saiu da tua boca,
Um chute bem dado em minhas ilusões,
Mas ao menos, relaxei,
Agora, as bolas balançam livremente
No verde campo da saudade,
Enquanto toco uma pra você,
E me toco que não haverá mais prorrogação
Nesse jogo sujo
Onde ninguém é vencedor.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Homo Sapiens



Te quis ao meu lado,
Do pó a guerra,
Relação contraditória
Eu, um caralho de pedra a perfurar o céu
Como um deus pagão e indiferente em toda sua solidez,
Você, um cu na terra a esconder-se dentro de si,
Como um par de lábios fazendo bico, esperando um beijo que nunca vem,
Te quis ao meu lado,
Da construção das torres sólidas
De uma amizade forte e profunda como um bunker,
Até vê-las ruírem
Sob nossos pés vacilantes
Sob o bombardeio do medo,
Da vaidade,
Deixando ao solo
Os cadáveres de sentimentos reprimidos,
Nosso amor,
Este homo sapiens
Que parecia evoluir,
Mas apenas exteriormente,
A selvageria enfim, explodiu,
Com suas palavras grosseiras me atingindo
Como o mendigo com a barra de ferro,
Igual ao primata brandindo um osso, no filme “2001”,
A destruir o monitor do computador ao meu lado,
Enquanto espero para atravessar a Av. Brigadeiro Luis Antonio.