segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Como uma Bola Bem Longe do Gol

 

Na densa névoa da lembrança

residem velhos sonhos de virilidade,

onde nunca encaixou-se a antiga criança

tentativa vã, movida mais pela vaidade


Tentar ser popular e respeitado

Não ser mais confundido com uma menina,

Na formação do time, não ser o único rejeitado

e só na execrável poesia, conseguir criar a rima


Estas lembranças são como velho álbum de figurinhas

Que você colecionou, só para não ficar de fora,

Paixão coletiva, e não de figuras sozinhas

Teu rosto se confunde, nessas figuras agora


Uma paixão que não era para mim

Como uma bola, bem longe do gol,

Me encaro no espelho, o jogo terminou, enfim,

Estirado no gramado, estremeço, e molho o lençol.



André Diaz

Lambendo Meu Próprio Ferimento

 

Com tua lembrança, preencho as tardes vazias

Afinal, chega o final de semana,

e as chicotadas de suas respostas frias

me vem a memória, e a imaginação se inflama


Me vejo jogado a teus pés

à espera de pequenas migalhas,

Em teu poder, mantenho a fé,

E entre nós, levantamos intransponível muralha


Que tento em vão, escalar

mas cada pedra é um olhar sem resposta,

Que meu vacilante pé, se põe a escorregar

Então, tu sorris, sadicamente tu gostas


E não vejo outra saída, se não

registrar este meu doce tormento,

como um beijo servil, nesta carrasca mão

a deliciar-me como cão, lambendo meu próprio ferimento!


André Diaz




sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Um Copo Vazio de Amor

 

Sou um copo seco

Completamente vazio,

Ser preenchido de amor, é o que almejo,

A solidão é um cardume de peixes, à agonizarem no leito deste rio


Que é meu velho peito

Sem um coração a bater  feliz,

E do que ele é feito?

Só de cabelos brancos, é o que meu coração me diz


Deixo a cerveja preencher

Este vazio abissal,

Quem sabe, não poderá ser você

A transbordar-me de amor, de modo igual?


André Diaz

sábado, 18 de outubro de 2025

Divinas Trombetas

 

Quando um poeta morre

é uma flor louca a menos,

a inebriar-nos com seu perfume, neste mundo de corre-corre

a desenterrar nossos mais profundos desejos


O poeta nos aponta, com afeto, o desprezível

nesta nossa vivência materialista, 

nos diz que na simplicidade, reside o incrível

E pede, que o sensível, resista


Vendo nas pequenas coisas, a beleza

No silêncio, o bater das asas de uma borboleta,

Vendo menos valor na extravagância, e mais na sutileza

e no amor ao próximo, dos anjos, o toque de suas divinas trombetas.



André Diaz

Meu Amigo Marcelão- (Ao Poeta Marcelo Tadeu Costa)

 

Os bons se vão cedo

e os canalhas, aí estão

Que não sobre um, é meu medo

Mas sua passagem, jamais será em vão


Ele foi o ultimo dos decentes

um legítimo cavalheiro,

um romântico sorridente

de um bom copo, companheiro


em seus versos, magnífica utopia

um desejo ardente, pelo bem mundial

uma alma superior, no papel se refletia

e em sua escrita, batia um coração sem igual


Enfim, o poeta saiu de cena

Deixando saudade e consternação.

Só posso agora, oferecer estes versos e a saideira

a este grande ser humano, meu amigo Marcelão!


André Diaz

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Eau de Toalette

 

Será que era mesmo teu fantasma

materializado em carne e osso,

afim de tornar-se mais cruel, diante desta visão que embaça

e o coração, apesar de fraco, a bater em eterno alvoroço?


Pude até mesmo sentir

como um membro amputado que ainda coça,

teu perfume, ao meu olfato seduzir

Tão pungentemente adocicado, em meio à esta fossa


Em que a tempos, me encontro

e cada cena ao teu lado, se repete,

e em meio a fedentina e os escombros

Tremo a destra e balbucio: "Eau de Toalette"!


André Diaz