terça-feira, 20 de outubro de 2026

As Trombetas do Juízo Final

 


Parabéns, maldito poeta!

Estão cagando e andando para você

Mais um ano e a ninguém interessa

Se sumisse de vez, ninguém iria perceber


Você não é um objeto com utilidade

mas sim, a sujeira a se acumular nos cantos,

Não é o espelho do conto de fadas, a alimentar a vaidade

Seus versos se agarram aos mais sombrios recantos


Evidenciando o que não querem ver

na tentativa do entorpecimento virtual,

Você incomoda, pois o poeta não veio entreter

O que sai de sua maldita boca, soa como as trombetas do juízo final!



André Diaz

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Apresentável Presunto

 


Sigo no turbulento trem da vida

Meu estômago embrulha em meio a tanto horror,

Sangue e fluídos diversos tornam as tripas coloridas

Imagino a vida do embalsamador


Viver de nosso funesto fim

Trabalhando a fria e rígida carne,

Não se aproveita nada, nem um rim,

No fim, somos todos lixos de descarte


O rico tendo enterro com toda pompa

mas seu fim é tão ou mais miserável,

A voz do pisoteado ainda o assombra

ensurdecendo-o além tumulo, nada agradável


O embalsamador termina seu dia

limpando-se de todo pecado e crime daqueles corpos,

Deixando o rubro líquido escorrer pela pia

Entregando um apresentável presunto aos seus parentes chorosos!



André Diaz

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Colecionador de Decepções

 

Mania de esperar demais do mundo

como pescador, com vara feita do melhor material,

Em vez de vistoso peixe, sapato imundo

Voltar sempre de mãos vazias no final


Seu tolo! Eis aqui o teu troféu

de campeão em jogar pérolas aos porcos,

de tentar procurar neste inferno, um pouco de céu

e de colecionador de decepções, apesar de todos os esforços


Parece até cultivar um prazer mórbido

em esperar algo de melhor, no outro dia,

que em todo anoitecer, teu bom coração sempre vem a óbito,

Sempre impedido de bater com alegria


Estes versos dedico a estes curiosos seres

que à este vaso sanitário, dedicam o melhor de si,

E os seres deste vaso, se dedicam a extrair seus sórdidos prazeres

Pisoteando este melhor, até vê-lo se extinguir...



André Diaz




terça-feira, 22 de setembro de 2026

Meus Bestas Versos

 

As vezes, fico triste

quando de mim, alguém faz ideia errada,

mas a flor no meu peito resiste

muitas vezes, pelas lágrimas regada


Não fosse pela poesia

Entregar-me-ia sem pensar, à descrença

Ter alma de artista, num mundo que te abortaria

Impedindo que o feto poeta se torne criança


Sei que no fundo, poesia é besteira

Mas me orgulho, não me rebaixo,

Continuo escrevendo, de qualquer maneira

meus bestas versos, e assino embaixo!



André Diaz


sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Amor Canibal

 

Nós nos parecemos com uma borboleta

nossas sombras refletidas na parede,

Venha comer esta carne que tanto deseja

Venha saciar tua intensa sede


Sim, agora somos como a borboleta

Vi uma imagem tão feia, a princípio,

envolvidos estamos, no casulo, e assim que a ideia é aceita

Asas de rubro sangue, nos farão planar, acima do precipício


Acima de todos os hipócritas

e suas vidinhas, regidas pelo preconceito,

mas suas malditas bocas são tão avidas

a mastigar este desejo, que nos devora o peito


Danem-se todos eles

e nos entreguemos ao banquete final,

Despidos das civilizadas peles

Celebremos enfim, nosso amor canibal


André Diaz

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Até em Reino de Morfeu

 


Tudo sem sentido

Não há mais você, nos fins de tarde,

Tomo mais um gole, solto mais um gemido

Não sei se termina em infarto ou infarte


Dia de andar bastante

e atravessar a Brigadeiro Luis Antonio,

Onde te encontrava, anos e anos antes

E hoje em dia, nem em sonho


Como será isto possível?

O tanto que você me vem a lembrança,

Será mesmo que a saudade é feita de produto perecível

E que ao mundo onírico, sua data de validade não alcança?


Lembro da ultima vez que sonhei com você

E você, sem graça, perguntou: "Você aqui"?

Então, percebi, que até em reino de Morfeu, de mim, você vem se esconder

Mas também eu, covardemente, aqui também me recuso a te ver partir



André Diaz

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Ilusória Mesa Farta

 

Terrível ranço de rede social

Super conectado, falta de conexão,

O que tanto procuro não está ali, afinal

num rolar vazio de tela, até a exaustão


Procuro outro coração

Procuro outra humanidade,

Sei que não é a primeira vez que faço tal reclamação

Me apontarão como hipócrita, essa é a verdade


Tantas vezes abandonei a droga

e como bêbado a sofrer a abismal ressaca

falei bem alto, e claro, ninguém se importa

Somos todas barrigas vazias, em ilusória mesa farta


André Diaz