Vontade de ir embora
a procura de não sei oque,
as crianças berram lá fora
na cadeira, me ponho a me encolher
A tela luminosa do computador
não me dá nenhuma resposta,
De um entendido a um bom entendedor
não sei quem é o gozador, e quem é aquele que goza
Afinal, qual é o meu papel
nesta tragicomédia interminável?
Hein, tocadores de arpa no céu
a musicarem este inferno intolerável?
O menino chocado, que viu o homem ser chicoteado
enquanto carregava a pesada cruz,
O adolescente que chorou, apaixonado
enquanto ouvia musica pop pelo rádio e acabou a luz
E o homem perdido, hoje
se pergunta, se existe de fato, algo além,
Quando enfim, o tempo lhe roube
seus dias de vida, e a esperança, esta luz que se mantém acesa, também.
André Diaz
