segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Ilusória Mesa Farta

 

Terrível ranço de rede social

Super conectado, falta de conexão,

O que tanto procuro não está ali, afinal

num rolar vazio de tela, até a exaustão


Procuro outro coração

Procuro outra humanidade,

Sei que não é a primeira vez que faço tal reclamação

Me apontarão como hipócrita, essa é a verdade


Tantas vezes abandonei a droga

e como bêbado a sofrer a abismal ressaca

falei bem alto, e claro, ninguém se importa

Somos todas barrigas vazias, em ilusória mesa farta


André Diaz

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Este é Meu Mal


Visões de um esquecido passado

que já não me cabe,

hoje passei bem do teu lado

Mas quiquei como bola, batendo na trave


Depois ficaram as indagações

"E se tivesse parado"?

Como se a vida não tivesse me dado suficientes lições

Existiria mesmo futuro, se estivéssemos lado a lado?


Guiei-me por desejo e carência

Arrependimento era o chá amargo para a ressaca moral,

Agora, escrevo este poema como penitência

Ser 99% coração e 1% razão...Ah! Este é meu mal!



André Diaz



 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Exceto Feriados

 

A ansiedade toma conta

de meus nervos, como teia de aranha,

e teu desdém é uma afronta

neste jogo maldito, onde ninguém ganha


Reservo horas preciosas

ao cultivo deste asqueroso menosprezo,

regando esta flor exótica e venenosa

que se torna mais exuberante, enquanto envelheço


Concorrendo mais um ano

nesta pútrida categoria,

de covarde a viver em eterno engano

e a mendigar afeto (exceto feriados) todo santo dia



André Diaz

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Mentira Virtuosa

 


Aos quinze anos

Clodovil já era Clodovil,

2026 já quase terminamos

e pouca autenticidade, novamente se viu


Um é o mais macho

a outra é a mais feliz,

neste mundo falso, que até hoje não me encaixo

te peço para tirar tua máscara, o que me diz?


Me exponha tua fraqueza

ou tua canalhice mais vergonhosa,

Defeque a viciosa verdade na bonita mesa

Ou viva e morra esta tua mentira virtuosa



André Diaz

Despir-se da Armadura

 

Não saberia dizer

Um frescor que quase não aguento,

de dentro para fora, como um florescer

Será a velhice, ou esta mudança de tempo?


Sem razão e cheio de sensibilidade

o eclodir dos poros a me dominar,

a desmanchar-me contra o concreto e sua brutalidade

O diferente tenta escapar


Já nasceu em fuga, esta criança

refugiando-se no canto mais escuro do recreio,

Sua espécie, já condenada e sem esperança

Anos se passam, sem saber onde vai e de onde veio


Viver o verdadeiro eu

Na rima pobre e na metáfora,

Despir-se da armadura, onde a criança se escondeu

Viver enfim, sua essência, não só da boca para fora



André Diaz

segunda-feira, 27 de julho de 2026

O Riso Que Abraça

 


Para onde levarão o poeta

os seus calejados pés?

Riso, reflexão, qual a estrada certa

Que tipo de caminhante, afinal tu és?


Quantas dores e mágoas esconde

por trás do riso fácil que nos brinda?

Quantas lágrimas derramou no ontem,

e quantos sorrisos nos darás, amanhã ainda?


Velho, ele diz que já está

conseguir cortar as unhas dos pés, já o deixa feliz

e assim, o amigo poeta se põe a caminhar

de tudo fazendo piada, como quem diz:


Quem ri melhor é quem ri por ultimo?

O dito popular todos nós sabemos,

Mas o melhor riso, não é o popular, mas o mais intimo,

que não nos ofende, mas nos abraça, assim é meu amigo Marcelo Lemos.



André Diaz


terça-feira, 21 de julho de 2026

Congelante Arrependimento Eterno

 


Desculpe, mas não posso te enganar

Fingir que o céu é todo azul,

que não há em sua face nuvens brancas a flutuar

assim como estrias e cicatrizes no corpo nu


Desculpe, queria muito poder te amar

Contigo fazer a volta perfeita no novelo da vida,

e deixar-me por ela, naturalmente tricotar

tendo um no outro, agasalho quente e sob medida


Ninguém conhece ninguém tão bem

nem sabe de fato, de que material o outro é feito,

e com as possibilidades, nosso desejo de entretém,

apertando um falso cachecol, de encontro ao ansioso peito


Mas nada de irreal

irá sustentar-se ao mais rigoroso inverno,

e o mais simples encontro de corpos, poderá ser fatal

Resultando em congelante arrependimento eterno



André Diaz