terça-feira, 2 de junho de 2026

Entranhas Confidências

 

Deixa... Deixa eu boiar

O afogamento ainda não é para agora

Bater os braços até cansar

Fugir da tormenta lá fora


Encher os pulmões de úmidas reticências

e ter as "entranhas confidências" arrancadas

Ensopado, mas seco apenas de aparências

Partido em dois, como por um peixe espada


Pensamos muito em um vilão

que neste mar de duvidas, irá nos vitimar

Pensamos que será provavelmente a bocarra do tubarão

mas no fim, é só a pedra da inércia, nos puxando, amarrada em nosso calcanhar



André Diaz

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Pequenas e Bestas Alegrias

 Vejo o trem da vida passar

na minha frente, e nada posso fazer,

E este trem não traz alegria, apenas se põe a tentar

ser algo mais que uma paródia, feita para me entreter


Vejo em suas janelas, rostos de vozes cantantes

que tentam, numa era passada, me acolher,

mas tenho consciência de que nada será como antes

e lamentar o tempo perdido, é a única coisa a se fazer


Enfim, percebo que só devo me contentar

com as pequenas e as mais bestas alegrias,

como quando um estranho vem a minha camisa elogiar

e devolvo o elogio, encerrando assim, mais um desesperançoso dia....



André Diaz




domingo, 17 de maio de 2026

Oficina Boca de Porco dos Corações Partidos



Não...Não se engane

Todas as ruas são sem saída,

por mais que o combustível se inflame

Não há destino certo, após se dar a partida


Não...Não há como enxergar

no embaçado espelho retrovisor,

o próximo canalha que irá te fechar

e por ele você irá fundir o seu motor


Arrastando sua judiada carroceria

até a oficina boca de porco dos corações partidos,

Numa via unica, unica via

Perda total dos poetas automotores desiludidos...



André Diaz 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Criaturas das Calçadas

 As ruas estão frias

e nelas batem corações gelados,

Dois homens, com corote, tentam enganar as barrigas vazias

mal conseguem caminhar, com seus pés inchados


Enxotados para lá e para cá

arrastando suas miseráveis existências,

que ao chegarem ao fim, ninguém haverá de chorar

que existiram, apenas por pura insistência


Existir, apesar de tudo

perambular, sendo vistos como nada,

Quebrar as unhas, escalando esse poço sem fundo

Invisíveis, porém incômodas, criaturas das calçadas..



André Diaz

terça-feira, 5 de maio de 2026

Servo da Tristeza

A tristeza cai sobre mim

como a funesta capa do vampiro,

quando mais um domingo chega ao fim

e não sobra mais nada, só um vencido suspiro


E este vampiro se acomoda

como um peso insuportável nas costas,

e sugar, até o ultimo pingo de ânimo, é o que lhe importa

e sarcástico, sussurra: "Sei que no fundo, tu gostas"!


"Sou tua fonte de inspiração

sem minha sombra sobre ti, tu não és nada"!

Contorço-me, não quero lhe dar razão,

Mas nego-me a lhe enterrar a estaca!


Deixo-o chupar-me, até a ultima gota

Mas não o suficiente, para aniquilar-me,

Render-me às suas garras, não significa derrota

Ser servo da tristeza, sem jamais anular-me!



André Diaz 

terça-feira, 28 de abril de 2026

No Fim da Estrada

 

A tristeza no meu coração

faz coro com a miséria que vejo nas ruas,

Aqui dentro e a minha volta só desolação

Estado de espirito de mãos dadas com a realidade nua e crua


Esqueletos ambulantes passam por mim

Entorpecidos pela droga pesada que os enterra,

Vejo neles um esboço do nuclear fim

carma maldito dos senhores da guerra


Enriquecendo mais e mais

deixando um rastro de fome e desespero,

Maldade prevalecendo sobre a harmonia e a paz

E a desigualdade a golpear como um martelo


Não...Não posso fazer nada

A não ser, como poesia, registrar o meu lamento,

Mas vejo uma luz no fim da estrada

Um novo amanhecer, ou outro incêndio varrido pelo vento



André Diaz

terça-feira, 14 de abril de 2026

Como Drama Terminou

 Hoje visitei o velho lugar

que resiste, enquanto o mundo desaba ao redor,

parei e me pus a suspirar

em meio a aridez da saudade, tua lembrança a se destacar como uma flor


Uma flor imponente

que se mantém vívida, a beber de minhas lágrimas,

enquanto eu mesmo me resseco, impotente

diante das lembranças, que passam rápidas


Como a zombarem de mim

como você mesma, flor querida, zombou

A vida que passa diante dos olhos, antes do fim

como aquele filme de comédia, que como drama terminou



André Diaz