domingo, 30 de junho de 2024

Lamacenta Mata dos Afetos Desperdiçados

 



Você chega de mansinho

como uma pombinha rola à ciscar,

e com um sorriso cheio de dentes

como a hastear a bandeira da paz

me conta uma estória triste de abuso,

Você diz que não cobraria nada,

E eu te ouço, cheio de simpatia sincera,

Mas enfim, chega a hora da cobrança,

Ela sempre chega,

sorrateira, como uma cobra,

se insinuando, entre os cabelos das pernas

Nessa lamacenta mata dos afetos desperdiçados,

O veneno foi inoculado,

Já ia perdendo todo o ar dos pulmões,

A palavra, presa na garganta,

O antídoto da coragem à liberta

E eu digo "não"!

Um "não" swguido de um orgasmo libertador,

Vejo então, teu sorriso se quebrar,

E você diz só: "Tudo bem"!

Minhas pernas ainda tremem

enquanto te vejo ir embora,

Mas, por breve momento

posso dizer que sinceramente te amei!


André Diaz


terça-feira, 25 de junho de 2024

Esta Grande e Venenosa Aranha

 


Me enterro de novo

nos pensamentos do fim da tarde,

Procurando me agarrar

a qualquer lembrança mais pegajosa,

como uma mosca nessa teia de aranha

que é a vida,

que me envolve com seus dias

feitos de pernas cabeludas,

Mas ela não me devora,

Fica brincando com a comida

como uma criança birrenta,

--Será que esta dor de viver

tem cura, doutor?

== Espere. Vou lhe prescrever um remédio.

--- Não entendo porra nenhuma do que está escrito, doutor!

--- Poesia é como a vida. Não é para entender. É para sentir.

E aqui termino meu relato delirante.

Bebendo cerveja e olhando o papel rabiscado.

Sem saber que final dar ao poema,

Assim como não sei

se esta grande e venenosa aranha

enfim, um dia cansará de brincar

E então, engolirá de vez

Esta minha combalida e perdida existência.



André Diaz

domingo, 23 de junho de 2024

Como Um Pôr do Sol


 

O domingo

é um bloco de lembranças

que me pesa,

Lembranças essas

feitas de rostos sorridentes

e gargalhadas embebidas em álcool,

Versos de poesia vaporosa,

mas com seu peso de importância

dado apenas pela caneta do poeta,

que rabisca, teimosa,

uma fuga em linha tortuosa

por entre fileiras de faces brutas como paralelepípedos,

e sorrisos sarcásticos de hiena

a devorarem a esperança do tolo sonhador,

E a linha torta, mas luminosa,

enfim, vai repousar

por trás dos edifícios cinzas,

como um pôr do sol

captado apenas pelo olhar sensível

de quem ainda acredita

que amanhã, haverá de ser

no melhor sentido da palavra,

Um novo dia.


André Diaz

domingo, 9 de junho de 2024

Enquanto te Vais- (Para Patricia Pantaleão)

 

É mais do que tristeza

o que alimenta este poema,

é raiva, com certeza,

e me apunhala esta dor intensa


Pessoa de extrema simpatia

e de sorriso radiante,

de onde transmitia doce energia

agora de nós, tão distante


Mas ao mesmo tempo

bem perto do coração,

Meus versos são de lamento

E as ilusões parecem se quebrar no chão


Ilusões de um mundo melhor

Porque o que resta é a indignação,

Seres perversos que duram ao nosso redor

Enquanto te vais, ser de luz, Patricia Pantaleão


André Diaz