Você chega de mansinho
como uma pombinha rola à ciscar,
e com um sorriso cheio de dentes
como a hastear a bandeira da paz
me conta uma estória triste de abuso,
Você diz que não cobraria nada,
E eu te ouço, cheio de simpatia sincera,
Mas enfim, chega a hora da cobrança,
Ela sempre chega,
sorrateira, como uma cobra,
se insinuando, entre os cabelos das pernas
Nessa lamacenta mata dos afetos desperdiçados,
O veneno foi inoculado,
Já ia perdendo todo o ar dos pulmões,
A palavra, presa na garganta,
O antídoto da coragem à liberta
E eu digo "não"!
Um "não" swguido de um orgasmo libertador,
Vejo então, teu sorriso se quebrar,
E você diz só: "Tudo bem"!
Minhas pernas ainda tremem
enquanto te vejo ir embora,
Mas, por breve momento
posso dizer que sinceramente te amei!
André Diaz




