quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Braços de volupia

Ai! Esses braços...
Braços que não
me abraçam!

Que não se
levantam
Ante minha presença
inquieta!

Braços de mármore...
De volupia,
De instantes eternos
Em seu balançar!

Braços gordinhos
Que rubros ficam...
Ante o apertar
de outras mãos...

De outros
beijos apaixonados!
De outra realidade...
De outros sonhos...

Braços que se
vão...
Na imaginação!

Braços que
ficam...
Diante de um
olho que chora...

Uma saudade
sem medidas!
Mais comprida
que um braço!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pedras preciosas

Pedras...
Pedras preciosas quebradas!
Como sonhos semi-sonhados...
Na pré- adolescência...

Como um vulto...
Que não há de ser nunca, sombra!
Como a boca da mulher amada...
Colada a do inimigo!

Como a àgua do mar...
Batendo nas canelas infantis,
E voltando sempre, insensivel...

Como estes versos medíocres...
Pretensamente travestidos de arte!

Eu vos enganei...
Assim, como fui enganado,
Não há pedras preciosas...
Só lascas de cimento...

Assinalando o fim de mais um ano!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Corredor

Corre...Corre...Corredor!
Corre até não mais poder...
Tenta achar a ti mesmo,
No lado de fora...
Na grande avenida...

Avenida da vida,
Cadê seu troféu?
Corre até não chegar...
Nem no ultimo lugar...

Não se aguenta nos pés,
Não se aguenta no chão...
Mas tem que correr...
Tem que ganhar...

Sofrer tentando ganhar...
Sofrer assim...
Não dá vergonha!
Sofrimento de vencedor!

Vencedor?
Corre...Corredor!
Corre afinal, pra não ser...
no final, mais um "morredor!"

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

No vácuo

Quero entrar no vácuo,
Onde não há nada...
Nem homens loucos,
Nem pessoas
que me desprezem...

Sem fome
Sem desigualdade...
No nada...
No nada...

Sem sonhos
impossíveis
de se realizar...

Sem cobranças
Sem ordens...
Sem ditadores...

Porque grito
como doido?
Quero romper
algo

E abrir o portal
para o vácuo

Me meter lá
dentro...
Onde é quente
e molhado!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Só o amor

Só o amor salva...
Tu, de ti mesmo,
Só o amor vale...
Uma bala de hortelã...

Só o amor constrói...
Vida, após a vida,
Só o amor compensa...
Perda de tempo,
Estupidez...

Porque você odeia?
Só porque ele te odeia?
Tanto ódio...
Dá em quê?

Massa de ossos...
Como armas letais,
Enferrujadas...
Carcomidas...

ódio = matéria

Amor = Espirito

sábado, 8 de novembro de 2008

Saudades do primata

Sei que está aqui...
Dentro das entranhas civilizadas,
Saudades do primata...
Vigoroso, físico, vital...

Quero sentir...
Ah! Tantos pensamentos!
Eu não quero religião...
Quero sentir Deus no sol...
Quero sentir Deus na lua...

No vento que bate na cara...
Quando parto para a caça,
Quero o meu porrete...
Não o velho Sr. Aurélio!

Não quero palavras novas,
Quero viver...
Correr nas matas...
Quero acasalar...

Quero parar o poema aqui...

E dar meu grito primal!!!

Espero pela Letra

Onde estará Ela?
A Letra que fará diferença...
No sinistro poema de horror,
Onde os mortos me encaram...

Velhos fantasmas cínicos,
Não querem me deixar passar...
Pela muralha da falsidade,
Escavo...Cheiro nauseabundo...

Ouço risadas, as crianças...
Correndo furiosamente,
O escorregador é vermelho...
A mais bela não me vê...

Sou o guri encostado à cerca,
Eu não tenho amigos...
A não ser o boneco em minha mão...

Quero passar...
Derrubar a muralha,
Podem rir...
Seu mundinho é pobre...

Não há nenhum poema,
No meu, só falta uma Letra...
Um sorriso, uma benção...
Algo que não conheço...

Bola fora

Foi bola fora...
Fora do pensamento,
Foi muito mais que bola...
Foi suor na camisa...

Foi fé num mundo...
Incrédulo e frio,
Foi lágrima...
Grito indignado...

Foi um tal de roer unha...
Na hora do pênalti,
Foi sonho que durou...
Por 90 minutos...

Foi impulso...
pra eu rolar como bola,
(Tenho barriga pra isso!)
Rolar ao anônimato...

Bola fora do sonho,
Bola murcha no sistema...
Rasgada na engrenagem...

Só esperando o fim de semana...
Pro meu time me encher!

De vida, tesão...

Ou o saco mesmo!!

Labirinto

O que vejo me atrapalha...
Não escuto a voz interior,
Procuro a saída, sem ouvi-la...
Quero crêr na brutalidade...

Que nada pode
contra as paredes...
Sou cego na alma...
Sou o pior que há!

Grito palavras feias...
Que batem nas paredes,
E voltam na minha cara...

Fico pesado
Me arrastando...
Meu crânio é o chão...
Coisas da terra...

Sufocam o espirito...
Duro demais para continuar...

Desse jeito, já não dá...

Pegar a chave
da porta da ignorância...

Amor, fé, arte...

Ache a sua...

O pedinte na porta

Toc...Toc...Toc...
Ninguem abre a porta,
Me encolho então...
Paciente, sou o pedinte...

Aguardo,
Enquanto as moscas vem...
Fazer uma auréola em minha cabeça...

Estou nu
E as pessoas param
para me olhar...

Senhoras distintas
Fazem comentários
sobre o que vêem...

Risos...
Ou gestos indignados,
Nada me acrescentam...

"E todas as mulheres, cujo coração
as move em sabedoria, fiavam os
pêlos das cabras" (Êxodo 35, 26)

Obrigado! Estou aquecido...
Pelo manto da fé,

Bato de novo...
A porta do futuro se abre...

sábado, 1 de novembro de 2008

Monstro de pedra

Monstro de pedra

Grossas cascas
de ignorância...
Porque cobrem
com insistência...

A fraca luz que se esconde...
No fundo do espirito?

Tens medo, não é?
De que não virá nada, após?
Achas que o belo deve ser reprimido?

Que a violência...
Deve se fortalecer?
Que só ela pode vencer aqui?

E o que é vencer
afinal?
Teus conceitos são sólidos...
Como teu punho, monstro de pedra?

Podes destruir o Infinito?
Aquilo que arrastará
Todas as luzes ao Centro?

Depois que toda
Maldita armadura virar pó?

O beijo

O beijo

Sangrei...
Sangrei até não poder mais!
Gritei até o tórax...
Gritar comigo mesmo...

Vadiei pelas ruas
Com rancor
e rumo incerto...

Farejei
como cão vadio...
Coisas que só o corpo se compraz!

Que ganhei?
Vômitos e lágrimas...
Enxaquecas e o vazio...

Vi que não havia
sentido,
Entrei para dentro...
da minh'alma confusa...

E eu te encontrei!
Me abraçastes forte...
Feriu-me com tua
Coroa de espinhos...

Quem disse que é fácil?
Feriu-me,
Ao beijar-me a face...

Quem disse que é fácil?

domingo, 26 de outubro de 2008

Vamos embora

Vamos embora

Inconsciente devo estar...
Inconsciente da carne,
Do pecado...

Não me queimar,
Sangue como lava...
Levando tudo
que há na frente...

Frenético,
Sem dó...
Dissimulado,
Rasga o fim...
Navalha é...

Entorpecido...
Ver através do vidro,
Tão sujo...
Deforma as formas...

Então digo:
Vamos embora!
Deixa a carne de lado...
Deixa às moscas...

Só uma ferramenta velha.

Interminável Canção

Interminável Canção

A Canção existe...
Mesmo se não cantada,
Nem ao menos assobiada...

O homem termina,
A Canção não...

Ela se insinua ao redor,
Água cristalina...
Rondando o poço podre...

Gotas escorrem,
Lágrimas de um anjo...
Abro os braços,
Pego as notas no ar...

Rabisco-as no caderno,
Ofereço-lhes a Canção-Poesia...
Não leia...

Feche os olhos
e ouça...

Ela é o Infinito,

Realidade alem de teus olhos...

Vício da ilusão amorosa

Vício da ilusão amorosa

Estou vazio...
Não vejo o amor,
Acordei de um pesadelo...
Vício da ilusão amorosa...

É como ressaca,
Copo vazio, sem sentido...
Velho mais um dia...

Elas riem,
Riem atrás dos tolos...
E tolo não sou eu?
Minha tolice não ajuda...

Talvez acordado demais,
Vejo o que ninguem vê...
Valorizo o invisível...

É isso!
Voando em volta da luz...
Enamorado como um inseto...

Que uma hora
perde as asas...

E finalmente cai!