Apesar de lindo
embriago esta minha beleza solitária,
Mais um domingo findo
e a transmutação da melancolia em verso, se torna necessária
Como numa quase morte
vejo minha vida toda passar pelos olhos,
Penso se é karma ou falta de sorte,
se é dado à alma sensível, deparar-se perpetuamente, com abrolhos
Tento dar à vacilante caneta
direção a um final razoável,
Mas agora, já não tenho certeza
se minha poesia, não se tornou vítima de uma repetição intragável,
Um eterno lamento
sobre uma situação imutável,
Meu coração é um cão ao relento
bebendo àgua da sarjeta, como qualquer palavra que lhe soe amigável
André Diaz
