sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Folhas Varridas pelo Vento

 

Mais um domingo igual

uma caminhada mecânica, rumo ao nada,

só aguardando o momento final

quando mão e memória falharem, término da estrada


Os velhos prazeres da carne

deram lugar ao consumo do álcool,

E com lubricidade, ponho-me a embebedar-me

Mas nem tanto, pois até para isso, encontro-me fraco


Sinto saudades do outro

dando sentido a essa insossa jornada,

penso se não cultuo a imagem de alguém já morto

como imaginar degraus, numa escada inacabada


O sentido de tudo é ideia vaga

misto de apatia e ressentimento,

Percebo mais e mais que as utopias já não valem de nada

E que os sonhos não passam de folhas varridas pelo vento.



André Diaz



quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Como Vampiro

 

Lá fora, os anjos choram seus mortos

varrendo as imundas calçadas,

Aqui dentro, os pensamentos percorrem caminhos tortuosos

E grito tristemente, com a boca calada


Neste sorumbático dia de finados

a caneta é uma vela que acendo,

à morte desta amizade, e inflamado

registro como cera quente quente, o meu lamento


Meu coração também parece morto

frio e indiferente, à novas sensações,

Mas, como vampiro, se alimenta absorto

do fluído quente, que escorre dessas velhas recordações


Teu bonito e inesquecível sorriso

aparece, como um cordeiro apetitoso,

E meu frio corção, bate excitado com isso

Criando presas e dilacerando seu pescoço


André Diaz