terça-feira, 15 de outubro de 2019

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Os Rastros de Sangue que te Deixo

Vejo, com lágrimas nos olhos
que sob os trilhos da esperança
costumam ainda passar todos os dias
os velhos vagões de sempre,
com suas toneladas de ignorância,
O expresso para lugar nenhum,
levando seus passageiros em eterno torpor,
Existem estações sem fim no caminho,
mas porque insistir no erro?
Optar sempre pela mesma plataforma,
perder-se na multidão dos olhos vendados,
pegar a congestionada fila do matadouro dos sentimentos?
Sorrisos maldosos e gestos mecânicos,
membros de tarântula
a compartilharem o veneno num ultimo brinde,
O vento soprou mais forte aqui
me dizendo pra continuar o caminho a pé,
Só, com os pés sangrando,
mas um dia, a estação certa surgirá
como um pôr do sol definitivo,
E os versos do poema
são os rastros de sangue que te deixo, meu amigo.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Como um Beijo Jamais Compartilhado

Me diz,
Qual sua concepção de amor?
Será uma conjunção carnal
selvagem e alucinada
como o frágil cervo a debater-se
nas presas do leopardo?
Será o pulo inconsequente
de um viciado sob efeito alucinógeno
da janela do oitavo andar?
Eu digo
que minha concepção é tranquila e agradável
como a brisa que vem do mar
e acaricia seu rosto
como uma mão carinhosa em luva de seda,
É estar ao lado de alguém
e não haver necessidade de palavras,
não ser preciso entreter um ao outro,
e a simples presença basta,
enquanto ficamos por horas
observando o trânsito das pessoas apressadas na rua,
formigas carregando seus trabalhos e problemas
como enormes folhas,
É estar disposto, apesar de sua natureza pacífica,
a entrar num confronto para defendê-la,
armado até os dentes
apenas da admiração
que sente por esta pessoa,
como lâmina afiada e inquebrável,
É ouvir "Heroes", de David Bowie
e não ter como dizer que se trata de uma simples canção,
mas uma ferida aberta,
que te faz esvair inteiramente em recordações,
e contraditoriamente abrir um sorriso
enquanto o sabor salgado de uma lágrima invade sua língua
como um beijo jamais compartilhado.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Pequeno Relato de Uma Tristeza Sem Fim

Você não me sorri,
mas me basta esse semblante
diabolicamente angelical,
os livros derrubados aos seus pés imobilizados
me dizem com suas páginas escancaradas,
bocas de almas penadas,
que você sente muito por minha sanidade,
esta pessoa obesa e desajeitada
a beira da piscina
e todos riem ao vê-la sacudir
os braços opulentos em pedido de socorro,
O telefone toca,
não há som do outro lado,
As tatuagens são arranhadas
e não há carne viva por debaixo,
Os piercings são puxados
e não há respostas nos orifícios sangrentos,
A mangueira no jardim
enrolada como serpente prestes a dar o bote
é como minha expectativa diante
de teu corpo nu, tão frágil e acessível
como páginas de uma revista masculina
velha e pegajosa,
Melancolicamente agarro e deslizo num vai e vem lubrico
a caneta sobre o papel,
deixando vestígios molhados
lágrimas que caem amargas
neste pequeno relato de uma tristeza sem fim.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Miasmas e Maldições

Minhas fantasias são grades,
Minha mente é a cela
onde me auto-condenei
e trafego, montado neste animal de tetas opulentas
e membro, cuja cabeça de serpente
conta coisas de um paraíso perdido,
cuspindo miasmas e maldições
de forma singela e poética,
O sol ao entardecer
é uma gema de puro sangue,
meus olhos queimam
e as lágrimas que  descem
são desilusões líquidas,
Corpos tombam em nome de Deus,
as balas nas metralhadoras
são os dízimos da estupidez, e sua rajada santa
é uma prece de morte e intolerância,
Meu repudio é um gato a se esgueirar nas sombras
e o orgulho materialista do mundo
é o vaso que o gato empurra ao chão
E cada caco é um dente de minha boca
num sorriso de escárnio e melancolia
ante as faces perplexas por suas convicções tão velhas,
Tão frágeis e ridículas.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Corações Artificiais

A musica tenta me transportar,
minha mente tenta ir,
mas meu corpo não relaxa,
não consigo esparramar as costas,
como se meus testículos tivessem trocado de lugar,
e eu grito silenciosamente,
Só as vaporosas vespas meu ouvem,
fruto de uma imaginação já não tão fértil,
fruto a apodrecer neste solo tão estéril,
Esterilidade de sorrisos sinceros
e abundância de sorrisos-self,
Esterilidade de toques de bem querer
e abundância de agressões, porque "Eu estou certo"!
E as cartas de amor nunca mais chegarão ao seu destino,
Porque hoje, o destino dos sentimentos deletados
é a caixa de spam dos gélidos corações artificiais.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O Banquete dos Vermes

O sol tenta aquecer
o cadáver podre de minha alegria,
Pisco e viro a face,
enxergando a foice da morte
no reflexo do galho da palmeira,
A vida no final das contas
não passa de um ininterrupto coçar e retirar quilos de cera do ouvido,
até o dia que não será mais necessário,
Pois os vermes terão enfim, seu banquete.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Chamas Fugazes

Você cerca meus pensamentos
como promessa de coisas melhores,
como uma academia cheia de aparelhos
com os quais exercitaria minha auto estima estremecida,
mas os dias são como viciados
se escorando em sua fachada bonita,
e os resquícios de esperança
não passam de chamas fugazes
a acenderem seus improvisados cachimbos de crack,
iluminando as trevas da noite de um coração desiludido.

Evolução


Evolução da humanidade:
Ninguém mais fala mal de ninguém.
Agora, todos digitam.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Bicicletas Amarelas

Perambulo pela cidade
Uma barata atordoada,
olhos ardendo,
E a ilusão é um inseticida
que não mata,
mas te faz agir como tonto
e até escrever versos bestas a respeito,
Tão inútil e frustrante
como mandar um beijo cheio de afeição e saudade
e receber em troca um abraço por pura educação,
Sim. Estou falando de amor,
Mas a unica coisa certa
que encontrarei em cada esquina,
é uma maldita bicicleta amarela,
Sim. Procuro o amor inutilmente,
assim como um E.T. a sobrevoar nossas cabeças ocas
a procura de vida inteligente na terra,
mas a unica coisa que se encontra, com certeza em cada esquina
São essas merdas de bi-ci-cle-tas a-ma-re-las!
Porra!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Brisa Maldita

   
--- Boa noite. Meu nome é Josenildo e eu sou viciado em pornografia.
    As pessoas sentadas em volta o cumprimentam apaticamente.Muitos tem a cabeça baixa olhando para os próprios sapatos. Josenildo é muito magro. Tem queimaduras e bolhas no rosto, lábios e nos dedos das mãos inquietas. Seus olhos são vermelhos. O músculo do braço esquerdo se contrai e ele o agarra, sorrindo um sorriso de dentes podres.
-- O que você gosta de ver, Josenildo?
    Pergunta o homem de terno, que o encara rapidamente e volta a atenção as manchas de barro que parecem se mover, formando um desses testes de Rorschach nos velhos sapatos. Um dos sintomas que a pessoa sente, quando eu me aproximo.
-- Gosto de ver viciadas em crack chupando caras por grana...Adoro... Passo o dia todo vendo...Até no serviço...
-- Tá na fissura, Josenildo?
-- Que porra...
    O homem de terno abre a braguilha e de seu caralho sai uma fumaça intensa que domina todo o ambiente.
-- Fuma aqui, filho da puta!!! Ahahahahaah!!!
    O pau havia se transformado em um enorme cachimbo de crack. Faço com que o homem de terno avance. Ele é minha marionete agora. Faço saírem de chifres de sua testa e uma língua reptiliana se agitar para fora da boca que baba e sorri sarcasticamente. Adoro brincar com essa imagem que inventaram de mim,só para ver o pânico nas caras de paspalhos deles.
-- Ao se viciar nesses vídeos escrotos, dominei sua mente e comecei a fazer com que fumasse crack por osmose, seu imbecil! Agora você é meu!! Segurem-no!
   As outras pessoas da roda saem de seu torpor e o agarram. Josenildo tenta se desvencilhar, mas não tem forças. Debaixo de sua cadeira surge uma mulher esquelética, cheia de feridas purulentas e poucos dentes na boca escancarada. Ela rasga suas calças e tenta fazer o mesmo com a cueca, numa ansiedade animalesca.
-- Deixa chupar, caralho! Você vai gostar!
  Enquanto é sugado pela boca banguela, verdadeiro aspirador humano, ela acende um isqueiro embaixo de suas bolas.
-- Aiiiiiiii!!!! Nãooooo!!! Socorroooo!!
  Não tinha mais testículos, eram duas pedras a fervilharem no meio de suas coxas, da cabeça inchada do pau sai fumaça, que é tragada pela criatura bestial.
-- Hmmmmm....Vou te fumar todiiiinhooo...Chuup...Chuuup...
 Ele então consegue se desvencilhar dos braços que o agarram, e acertar um potente soco com as forças que lhe restam no crânio da mulher, que se espatifa contra o chão. Corre trôpego, em direção ao machado ao lado da mangueira e o extintor de incêndio.
 No dia seguinte, grande alvoroço e uma equipe de TV em frente ao antigo cinema pornô da Av. São João.
-- Bom dia! A noite passada foi marcada por um verdadeiro massacre nesta igreja evangélica, que realizava um trabalho de ajuda a viciados em pornografia. Josenildo Santana, porteiro, 37 anos, matou a machadadas o pastor Evaldir Arantes, 45 anos, e os demais participantes da reunião. Josenildo, aparentemente era usuário de drogas e segundo sobreviventes, começou a ter alucinações e a agir de modo violento. Estamos aqui com D. Raimunda Pereira e Damião Esperança, que darão maiores detalhes!
-- Óia...O homi começou a gritar coisa sem sentido, depois pegou um isqueiro e começou a se queimar lá embaixo...Sabe? Nas partes?
-- I-Isso...E-Ele bo-botou fo-fogo nos o-ovo...De-Depois pe-pegou o ma-macha-cha-cha-do e ma-ma-chadou o po-povo to-todo!
-- Isso! Mas uma hora ele pisou e escorregou num "Piiii"! cortado que tava no chão....Acho que era do pastor...Daí caiu de cara na lâmina do machado!
    Desligo a TV, divertido, o alarme toca atrás de mim. Alguém está acessando o "X-Videos" e jogando a palavra "Crackhead" na busca. Hora de sentir a "brisa maldita"...