segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
domingo, 19 de dezembro de 2021
Nasceu Uma Flor Amarela na Janela do Meu Coração
Ai, pobre diabo
este é o meu coração,
um velho triste e tão amargo,
recolhido na mais profunda escuridão
Com os cacos de si mesmo
confeccionou uma coroa de espinhos,
E pelo meu peito saiu a bater a esmo
Como um mártir, indiferente aos externos burburinhos
De um mundo tão brutal
composto de gente tão ignorante,
De uma sociedade tão desigual
Tendo bestas como governantes,
Mas eis que se avizinha
Mais um entre tantos anos novos,
E entre a densa erva daninha
meu coração abre sua janela, cerrada por ferrolhos grossos
E lá ele se depara então,
com uma linda e delicada flor amarela,
E sabem bem, como são essas coisas do coração
Me pintaram no peito, novas esperanças, como a mais vibrante das aquarelas!
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
segunda-feira, 8 de novembro de 2021
Quem Pegou Minhas Tapuér??
A calopsita morreu,
D. Naná ficou triste,
Acordava toda manhã
com a algazarra da pequena ave
que alçava pequenos vôos na sala
pousando nas velhas mãos de D.Naná,
que tricotava,
que tricotava,
E D.Naná voava junto,
nesses pequenos vôos e na tricotagem,
onde tricotava pequenas nuvens
e um pequeno sol
onde brincava a calopsita,
A calopsita morreu,
virou uma coisa seca,
as penas perderam a cor
e ganharam vermes entre suas frestas,
D. Naná procurou um pequeno caixão
para enterrar a calopsita,
Procurou uma daquelas muitas "tapuér" na cozinha,
D.Naná bota os dedinhos finos no peito e grita:
"Quem pegou minhas tapuér"????!!!
Cai fulminada no chão,
e vira também, uma coisa seca
que os vermes vão comer,
Vai! D.Naná!
Vai voar com a calopsita no céu!
Pobre velhinha
Nunca cometeu um só pecado!
Minto.
Ela emprestou as "tapuér"...
Ah..D.Naná...
Isso não se faz!
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
sábado, 2 de outubro de 2021
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
quarta-feira, 29 de setembro de 2021
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
A Poesia do Perfume
Acordei com teu gosto
na boca,
E teu forte odor em minhas narinas
Não sei quem é você,
Qual o teu nome,
os teus medos e anseios,
E se, realmente fizesse o que fiz
qual seria tua reação,
Se se abriria tanto
como de fato, acredito que se abriu
ou se me mataria, com ódio,
Esse ódio que consome a tantos
como um veneno a corroer
toda a gentileza e bom senso,
Mas eu peço que aceite,
O amor tem tantas formas,
Tantos invólucros para este bálsamo,
Esta fragrância exótica, grega e tão pungente,
Aspire a poesia do perfume, meu bem,
Pregas como pétalas,
e a flor do pântano se dilata,
Do barro,
o amor nasceu,
E ao barro, retornará....
terça-feira, 10 de agosto de 2021
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
Colisão dos Desejos
Corpo,
Esta estrada de possibilidades,
Recuar ou seguir em frente?
Acelerar no trecho mais escorregadio
ou pisar no freio do medo?
O próximo retorno
cheira à emboscada,
á suor e saliva,
fluído de motor à se esvair,
pernas entrelaçadas
como peças retorcidas,
A colisão dos desejos,
inevitável choque de volúpia
e as lembranças de você me acompanham
feridas abertas como flores de sangue
pústulas de uma paixão violenta
que nunca cicatrizam.
domingo, 25 de julho de 2021
Imagem Benfazeja
Oh! Grande mar!
Oh! Ardente Sol!
Parem em seu lugar
Beleza fenomenal!
Beleza da mulher
diamante do Pará,
Seja onde estiver
Fará o homem sonhar!
Que o Paraíso não está perdido,
Que ainda resiste a natureza,
onde a alma sensível encontra o abrigo
entre teus seios banhados ao sol...Imagem benfazeja!
terça-feira, 22 de junho de 2021
É Preciso Pisar Em Ovos
É preciso pisar em ovos,
ao se tocar no ego alheio,
Bem de leve, nunca de maus modos
Como se do seu carro, fosse o freio,
Ovos são muito delicados,
a casca pode romper e vazar,
como os temperamentos injuriados
eles podem se rebentar
Mas comigo, já é diferente,
Transmuto toda injuria, na escrita,
chega até ser libidinoso, indecente
de fato, com luxuria mesmo, masoquista
Como hoje, as recebo
as cuspidas e as pisadas,
eu já as recebo sim, desde muito cedo
que já poderia de fato, considerá-las mesmo, perdoadas
Vem! Pisa nos meus ovos
Oh! Mundo cruel!
Que na poesia, os renovo
Transmutando todo o fel em mel!
Escrevo quase contente
sobre toda a dor abrupta,
Vamos! Pode pisar! Siga em frente
Amado e odiado, mundo filho duma puta!
domingo, 2 de maio de 2021
Confissões Cabulosas Sobre as Ombreiras de Paulo Ricardo
Rey Reyes, ex integrante do Menudo, morreu.
Se você foi um jovem imberbe na década de 80. sabe de quem estou falando. E o que tem isso a ver com o apelativo título desta crônica? Nada muito comprometedor, meu caro. Este título é o que é chamado no mundo da internet de hoje, de "click bait". Não é nada muito vergonhoso, mas é algo que escondi por anos (se comentei com algum camarada, foi sob efeito alcóolico e não lembro) e agora, já que me encontro na meia idade, em meio à essa "peste medieval" do século XXI, resolvi me abrir.
Na minha visão de molecão, um ser à procura de si mesmo, recém saído das fraldas, mas ainda longe de ser um adulto, aquela época em que não sabemos qual é a nossa com esse mundo doido, ainda muito distante de me encontrar como poeta, em minhas tardes góticas de cemitério, com o querido Alvares de Azevedo debaixo do braço, deparava-me com o sucesso do grupo RPM, muito ancorado no "sex appeal" de seu vocalista, a arrancar gritos de entusiasmo das moçoilas a ovularem seus primeiros efluvios femininos. Para mim, aquilo era a realização do papel do homem. E o que se destacava, fora os compridos "mullets" do cantor, eram aquelas enormes ombreiras, símbolos máximos da virilidade, alvos de "elogios homoeróticos" por parte de Caetano Veloso, como relembraria recentemente um enfurecido Lobão: "Porra..Em vez do cara falar da musica, vai falar dos ombros do cara"? De mesmo modo arrebatador, existiam os Menudos, que igualmente faziam as meninas desmaiarem, e com modelitos muito mais simples, faixas e panos que eu poderia amarrar na cabeça e nos braços. Bom, se não poderia arrumar as ombreiras de Paulo Ricardo, então vamos de Menudo, não é? Lembro de chegar na banca de jornal, olhar para os lados pra ver se não vinha nenhum conhecido, apontar muito seriamente para o poster do Menudo á venda, e pedir ao jornaleiro, muito a contragosto: Moço! Minha irmã pediu pra comprar esse poster". O jornaleiro me entregou e piscou pra mim: "Sua irmã, né?" Fui embora, queimando de vergonha, xingando a ignorância do vendedor: "Velho idiota! Não sabe de nada"!
Chegando em casa, abri o poster, peguei faixas rasgadas de panos de limpeza de minha mãe, e fui me requebrar com muito estilo em frente ao espelho, cantarolando: "Não se reprima! Não se reprima!" No dia seguinte, saí às ruas, me sentindo na "vibe" de pop star, chegando perto das meninas e esperando que elas pulassem em meus braços, ao sentirem aquela excitante energia masculina que emanava de meu ser, mas, nada aconteceu.
Escrevo isso, ouvindo o CD do RPM, cuja musica sim, é boa, já a do Menudo é um lixo, e aprecio apenas a versão de Renato Russo para "Hoje a noite não tem luar", em contraste com a visão de minha estante cheia de livros, e sinto uma ponta de mágoa no peito, dos tempos em que as coisas pareciam tão mais simples, e hoje tenho a cruel certeza de que o buraco é muito mais embaixo. Como disse o poeta inglês Thomas Gray: "Onde a ignorância é uma benção, é loucura ser sábio"... Poisé, e a ironia é ter por fim me encontrado como poeta, deixando a ilusão das ombreiras de Paulo Ricardo para trás, e sentir o peso desse mundo desumano nos ombros, a cada palavra rabiscada no papel.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
Se é Tempo de Partir
Se é tempo de partir,
penso agora,
que parto em paz...
Pois vivi o sentido de minha vida...
Em meio aos loucos,
que fizeram de seus dias
notas dissonantes,
mas cheios de poesia,
Sonhei,
embriagado na fantasia de dias melhores
Sonhei com um mundo de igualdade,
E o sonho se tornou assim,
numa torta realidade,
Um sofrimento igual para todos,
Os de cima e os debaixo,
Tombando de um mesmo mal,
Mas de qualquer modo ainda, escancarando ainda mais
esse horror social,
o grito de fome ainda ecoando em meio a estupidez elitista
Nada é perfeito, nem mesmo em meio a desgraça,
Que o mundo tire uma lição disso,
Não estarei aqui para ver,
Mas ainda desejo, como sempre desejei
Um mundo de uma igualdade mais justa pra mim e pra você.
quarta-feira, 14 de abril de 2021
As Aventuras Eróticas do Homem Invisível
Olá, amigo do futuro! Estou de volta. E isso não é uma psicografia. Ainda não. Ainda estou vivo neste vale de lágrimas.
Estou fazendo uma das coisas que mais gosto. Ficar deitado, pelado, em frente à janela escancarada. Os raios de sol me atingem como pregos ardentes. Penso nos meus pecados, essas merdas que todo mundo faz quando acha que tem todo o tempo do mundo à sua frente. Pecado é uma palavra pesada... As maiores idiotices que fiz na vida foram motivadas pelo desejo sexual. Até já perdi amizades por conta dessa volúpia que me queima nas veias. Penso que se fosse assexuado, teria tomado um rumo mais acertado na vida e não estaria te escrevendo agora.
Tem uma tela que impede os mosquitos de entrarem aqui, e também, a visão de quem olha de fora. Só se a pessoa colar a cara, ainda assim , verá só formas indistintas dentro do quarto. Mas eu posso ver tudo lá fora. Mesmo assim, sinto o coração sair pela boca. Bom, se morrer de ataque cardíaco desse jeito, será em meio ao prazer e não deste modo triste que milhares estão morrendo neste exato momento.
Quando era moleque, sabe qual o poder de super herói achava mais legal? Voar que nem Super Man? Nãoooo...Escalar paredes como Homem Aranha? Sai fora! Eu queria ser o Homem Invisível! Sim. Na minha época existia uma série de Tv desse personagem, e era como um herói mesmo, diferente da versão literária. O cara usava uma máscara de borracha, que tirava fora quando ia para uma missão, assim como as peças de roupa. Só agora, penso no incômodo que seria andar descalço por aí, porque seria meio estranho um par de chinelos andando sozinhos, não é? Aí seria o "Homem-Chinelo"! Ahahaha..Mas falando sério, se é que dá pra falar sério nesse assunto, achava demais a ideia de andar pelado pelas ruas sem ser percebido.
Com o passar do tempo, sendo um tipo diferente, introvertido, vi que realmente desenvolvi tal poder de invisibilidade no colégio, quer dizer, o poder era meio falho, pois eu era invisível para todos, menos para os valentões que vinham pra cima de mim, praticar o que hoje, é chamado de "bullying", mas que na época era de fato, uma "prática invisível" para os adultos também, que no máximo soltavam uma pérola dessas: "--- Ah! Mas eles só querem brincar! Porque você não pára de ficar emburrado e não brinca também"? Sério. Já ouvi isso uma vez, o que me fez ter certeza de vez, que eu devia ser um alienígena no planeta errado. Lembrei do Karatê Kid tendo esse problema e respondendo ao Sr. Miag que queria uma fantasia de homem invisível pra festa do colégio, mas acabou tomando um pau assim mesmo. É. A vida sempre nos dará uma porrada, mais cedo ou mais tarde. Será que o desejo de ser invisível não passa de uma tentativa de escapar? Coloco minhas roupas novamente e agora sou eu, a voltar a meu serviço nesse home-office interminável. O herói volta a sua identidade secreta de homem sério e compenetrado aos seus deveres. E é isso, meu amigo do futuro. Nos "vemos" por aí! Ou não....
terça-feira, 30 de março de 2021
Crônica Para Carecas
Acabo de ver uma enquete num desses bobos programas de TV da tarde. "Qual o careca mais sexy"?
Quando criança levava tudo muito ao pé da letra, e ao escutar aquela marchinha carnavalesca: "É dos carecas que elas gostam mais"! ficava intrigado, mas acreditava piamente naquela balela. Sem a malícia de captar a piada da coisa. Então, a perspectiva da calvície fatal não chegava a me entristecer demais, mas tornava-se de fato, quase uma esperança de me tornar um "sem telha" popular entre o mulherio em chamas diante de tão brilhante fronte.
Enquanto crescia, e ainda ostentava uma cabeleira, se não encorpada, mas que ainda não deixava entrever as cruéis "entradas", procurava me encaixar em modelos do que em minha ânsia por uma namorada me parecessem o que deveria ser chamado de "viril". Alguém aí lembra do velho cowboy dos comerciais do cigarro Marlboro? Poisé... Adquiri o nefasto hábito do tabagismo, achando que sugar aquela fumaça tóxica para dentro dos pulmões me faria parecer mais macho e atraente para as moçoilas a suspirar por másculos personagens, que apareciam para salvá-las do perigo, nas páginas de subliteraturas tais como os livrinhos da coleção "Sabrina".
Então, o tempo passa..O tempo voa... E como o Banco Bamerindus, minha cabeleira não continuou numa boa..Perdeu-se. Finou-se, fio a fio. Claro, tive meus relacionamentos aqui e ali, mas nada que tenha tido a ver com a galopante perda capilar. Nenhuma delas passou os dedos carinhosamente pelas vastas entradas, nem elogiou o escalvado crânio do poeta.
Hoje, minha alegria relacionada com a calvície, enfim, bem assumida, nada tem a ver com o difícil e pedregoso terreno dos relacionamentos amorosos. Sinto agora, o prazer de não necessitar mais comprar shampoo, apenas passando o sabonete na careca, assim como no corpo inteiro, e também poder dispensar o uso do velho pente, apenas um passar de dedos rápido se os fios teimosos que ainda não desistiram dessa reluzente cabeça decidem ficar em pé. E sem esquecer a utilidade publica de servir de referência quando alguém está procurando uma rua: "Olha! Tá vendo aquele careca ali? Então...Ali você entra a direita!"
Enfim, sem cabelos, mas também, sem pente, nem shampoo. E agora, com o passar dos anos, experiências, desilusões e "calosidades" que a vida submete a todos os homens, sejam carecas ou portadores de grandes "jubas", gordos ou magros, ao analisar profundamente a questão do "que é do que elas gostam mais"... A questão não é tão simples como me parecia na infância e juventude... O negócio é de fato bem mais cabeludo!
sábado, 30 de janeiro de 2021
Mais um Nada
Minhas palavras
batem e voltam
como um reflexo
num espelho frio e indiferente,
Mas porque
elas não refletem em seu coração?
Todos tão aprisionados
em suas histórias,
em suas torres criadas de medo
e auto preservação,
E o tempo passa,
Cada segundo
um pequeno grão de areia
sob a superfície frágil dos dias,
Então, tudo despedaça,
Novos pés a pisarem os cacos do passado,
Sonhos e memórias caindo por terra
E se tornando afinal, mais um nada.
