domingo, 23 de fevereiro de 2025

Vício em Você

 

Hoje me embebedei no shopping center Lapa

Lembrando de como acariciei as estrelas de sua tatuagem,

Como se quisesse alcançar um hipotético céu dos cristãos

Mesmo refestelando-me nesse desejo tão condenado,

E quer saber?

Foda-se!

Santo é meu desejo

que não quer mal a ninguém,

Só o gozo

para dar sentido a essa existência,

Havia sentido até quando você não sabia o nome de determinado artista ou banda e nem o nome de tal musica e você mandava um "embromation" e eu corria a pesquisar para você

Tolice? Não! Vício!

Esse vício em você,

que desafogo no mictório do terminal,

chamando-me então a atenção

um pino de cocaína vazio,

entre mijo e resíduo seminal,

no final, tudo é vício

Vício nessa busca incessante por ser feliz,

Mesmo que por um breve momento,

para mim, de uma mijada de cerveja barata, ou para outros, de uma boa  cafungada...


André Diaz

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Como Uma Flor

 

Como o corvo de Allan Poe

com seu enorme bico,

Você bateu na janela de onde estou

esta solidão que me deixa aflito,


Quis acariciar teus sedosos cabelos negros

como as penas desta ave de mau agouro,

Fecho os olhos e sob tuas asas, me alegro

e nesta morte, encontro enfim, o meu tesouro


Você é igual a mim

Nosso beijo é como um espelho,

cuja moldura pode ser comida pelos cupins

mas o vidro corta, revelando o sangue vermelho


Nossas mãos lubrificando

Sabemos tocar nossos órgãos,

e a melodia perfeita se intensificando

os que nos apontam, não importam


Arranca esse vazio de mim

Vem e me machuca por dentro,

Amo ser machucado assim,

Receba como uma flor, este palpitante ferimento.


André Diaz

15/02/2025


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Poeta Pet

 

Se joga no chão!

Se finge de morto!

Sou poeta pet, lato rimas como cão,

Neste fim de domingo, penso nisso, absorto,


Não! Não espero mais nada!

Se um dia, já pensei nas glórias da poesia,

Até me tocar, que ser poeta é ser motivo de piada,

Talvez, pelo nível alcóolico, não me apercebia,


Ou talvez, fingisse para mim mesmo

Que com meus versinhos, chegasse a ser o tal,

até ser enganado, com um pedaço de torresmo,

Para que fosse latir minhas pobres rimas no fundo do quintal!


Nem o perfume das belas rosas

conseguem disfarçar o chorume das más intenções,

Nem mesmo, a localização mais famosa

emoldura com respeito, minhas chorosas lamentações,


Escrevo isto, enquanto espero o busão,

Enfim, porque não espero mais nada,

Sou apenas mais um peão sofrendo por antecipação,

por mais uma segunda feira, de cara amarrada!



André Diaz