sábado, 31 de dezembro de 2022

Feliz Velho Novo

 

Feliz velho novo,

se aceitando como é,

aceitando suas lágrimas,

pois o mundo dizia 

Que "garotos não choram",

Agora, sem a necessidade de se encaixar

e agradar aos velhos olhos,

de um mundo velho

com ideias antigas,

Feliz velho novo

que entende que a solidão

poderá ser, enfim, sua sincera amiga,

pois ela não terá vergonha

de sua verdadeira face,

e te acompanhará a todo canto,

sem o menor constrangimento,

Feliz velho novo,

Feliz em seu próprio mundo

Feito da verdade

de sua própria essência,

que continuará genuína,

até o fim da matéria

e da terrena e transitória

experiência...


domingo, 25 de dezembro de 2022

Estação Desilusão

 

Tento me distrair

com a paisagem cinza lá fora,

com seus carros peidando fumaça cinza,

mas as lágrimas ainda insistem em correr

como maratonistas exaustos numa corrida inútil,

em que o prêmio é uma medalha de latão pintada de ouro,

que seria a tua consideração por mim,

e todas aquelas cenas de amizade infinita

vem como uma avalanche de sentimentos dolorosos,

a esmagar este velho coração 

que bate mais forte à ultima lembrança tua,

quando fingiu estar dormindo 

diante de minha patética presença,

relegando minha pessoa para longe de ti

como um joguete que perdeu seu encanto,

um boneco, com o qual você cansou de brincar,

jogado ao fundo do vagão de um trem

com destino à "Estação-Desilusão"...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

O Dom da Praga do Santo Natimorto

 

A avó fora uma bruxa,

E dela herdou seu dom

de expelir veneno de sua língua suja

e fazer tombar corpos, entre convulsões e fezes marrons


Sua figura desengonçada

chamava a atenção das belas pessoas

que enfim, tinham sua vida desgraçada

só porque proferiram "brincadeirinhas à toa"


E assim foi a triste existência

de nosso feio e desprezado herói,

uma série de horror com baixa audiência

que só quem tem empatia, sentirá que o coração lhe dói


Sua anterior e fatal praga

à milhões de vítimas derrubou,

Eis que agora, então perdera toda a graça

E a si próprio, a ultima praga, direcionou


Praguejou que se tornaria santo

em sua próxima reencarnação,

e que em todos os seres vivos, até os mais vis, veria apenas encanto,

e amaria a todos, sem exceção


Mas algo ocorreu de errado,

e a praga, finalmente, falhou,

Sem choro nem vela, renasceu calado,

e um natimorto, o  santo sexo ensanguentado de sua mãe, revelou


A má formação dos membros

e a empapada aparência

lhe tornaram mais próximo de um excremento

e foi jogado ao lixo, como mísera placenta!



domingo, 4 de dezembro de 2022

O Duende e a Dona Natureza

 

Lá vai o pequeno duende,
Muito preocupado, na floresta,
Pois Dona Natureza está doente
já não há motivos para festa.

--- Porque tão triste, Dona Natureza?
--- Estão me matando, Senhor Duende!
--- É coisa do bicho-homem,com certeza!
--- Este bicho malvado! Quem o entende?

---Antes, só derrubava as árvores velhas!
---Agora, acaba com tudo, de forma brutal!
---Precisava é de um puxão de orelhas!
---Sabe construir máquinas! Se acha o tal!

Então, avistam alguem
Era o bicho-homem com a serra elétrica.
Não vai machucar mais ninguem!
Gritou o duende, de forma histérica.

Ficou, então, invisivel.
Colhendo o pó de várias flores.
Jogou tudo na cara do ser desprezível.
E este, se contorceu, cheio de dores.

Ficou cego, por um segundo.
Deixando cair a serra elétrica, em cima do cinto.
As calças cairam, e com a maior vergonha do mundo
fugiu. Deixando o pequeno duende, rindo.

---Pronto, Dona Natureza
Espantei o bicho-homem, de vez!
---Ah, duende! Ele voltará, com certeza...
---E seja alérgico à abelhas, talvez...

Disse o pequeno duende,
preparando uma armadilha.
---O que será que ele pretende?
Pensou Dona Natureza, diante do Senhor Sol que brilha.

O Senhor Sol, bondoso, respondeu:
---Se pudesse, não esquentaria o bicho-homem,
No começo, agia só por instinto, agora, se perdeu
e os recursos da Dona Natureza, a cada dia, somem!

---Ah, Senhor Sol! Eu juro
que se não fosse o pequeno duende...
me meteria num buraco escuro...
E desistiria de ser bela e verde!

---Não desista, Amiga Natureza!
O bicho-homem ainda vai se arrepender...
---Não duvido! Tenho certeza...
Só espero que não seja tarde demais...
E que eu própria, não consiga ver isto acontecer!

Presa Voluntária

 

Jogo-me a teus pés

como presa voluntária,

Desejo teu corpo sólido

como um farol de lubricidade

em meio ao tumultuoso mar da solidão!

Cace-me!

Consuma minha carne tenra!

Canibalize esse sentimento palpitante!

Aperte-o

Até fazer jorrar entre os dedos 

a seiva de minha gratidão!

O delírio se desfaz com o sono que me toma, após o último gole,

Estremeço,

lambuzando a calça puída,

e a visão do bêbado da praça

vai se escurecendo,

mirando o alvo de suas homenagens,

a estátua indiferente

a todo seu amor,

e a toda merda dos pombos

que voam sob sua cabeça dura

e vazia de sonhos.

Teu Maior Pecado

 

Todos os dias

quando acordo,

cumprimento de forma agridoce

tua lembrança,

em cada objeto que detém algo de ti,

Cantarolo aquela velha canção dos Smiths

e estreito assim, teu corpo feito de luz e sombra

sob meu corpo velho e cansado

que já não corre ao teu encontro nos finais das tardes,

mas mesmo assim, ganha o carinho 

da palma de minha mão,

Esta palma que encontrava a tua,

num cumprimento dos mais belos e apertados,

aperto de mãos de melhores amigos,

acima de qualquer suspeita,

Você disse que não pediu meus presentes

porque não podia suportar a realidade do meu maior presente,

Este, imaterial,

Até meu corpo, você poderia destruir,

Eviscerar meu estômago faminto de ti,

Arrancar meus olhos a brilharem na tua presença,

Mas o presente que é a minha alma

Ainda te veria e te amaria,

Te assombrando pelo teu grande pecado

maior até do que a "santa igreja" quisesse nos impor,

maior do que fez o Criador te expulsar do paraíso,

Teu maior pecado foi despertar um coração solitário

das trevas de seu quarto abafado

e cheio de livros empoeirados,

Ao jogar-me essa luz que nunca se apaga,

Oh... Minha estrela da manhã!


sábado, 12 de novembro de 2022

Masoquismo Transcendental

 

Como um palhaço infernal

você sapateou com seus grandes sapatos

sobre meu cadáver apaixonado,

Arrancou minhas vísceras

que tanto arderam em sua presença

e as usou de enfeite

sobre as lápides dos amores não correspondidos,

Castrou-me 

com a lâmina afiada de teu pouco caso,

e fez de meu órgão flácido

penduricalho de teu escárnio,

Aterrorizante

é sentir que meu corpo dissecado

ainda chama por ti,

e que meus ossos quebrados

ainda chacoalham à tua lembrança,

Vem!

Volte e acabe o serviço,

Canibalize os nervos que ainda palpitam

neste masoquismo transcendental

que vai além da putrefação da carne

e faz gritar minh'alma penada

que assombra e me desperta

como pesadelo às 3 da manhã

em meu quarto solitário,

onde esguicho minha saudade 

na mão trêmula

que se agita debaixo dos lençóis!

Prazeroso Vilipêndio

 

Teu sorriso debochado

em minha mente,

se materializa

como farpa de madeira

na sola de meu pé,

Cada dia é um tormento

e uma pegada sangrenta

que te deixo

Oh! Ser tão amado!

Siga os rastros vermelhos,

Meu corpo frio estará te esperando,

Te deixo esta carta tola

e úmida de lágrimas

como autorização

para o prazeroso vilipêndio 

de meu cadáver apaixonado,

Rasgue meu estômago,

Minhas tripas ainda estarão quentes e famintas,

(apesar dos enormes sapos que você me fez engolir)

Não! Não é necrofilia!

É minha doce entrega

além dos portões da decomposição!

Com a cadavérica dama da foice

sob nossos ocos e mortais crânios 

abençoando 

nosso pútrido enlace final!


sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Você Comeu Meu Coração

 

Já faz uma década

que vagueio à esmo,

com um rombo em meu peito,

Sabe porque, amor?

Você comeu meu coração!

Se fartou com minha entrega e carinho,

Não só de presentes materiais

mas todo meu sentimento palpitante

numa bandeja de prata

a respingar sangue e paixão

nos fins das tardes ao teu lado,

Senti o medo em teus olhos,

Era uma refeição farta demais?

Seu apetite não chegava a tanto?

Teu garfo não daria conta?

Mas você comeu meu coração, assim mesmo,

Vomitando os restos,

Enjoado de ti mesmo,

E me mandou embora,

Mesmo sem expressar essas palavras,

E eu fui,

Como alimento rejeitado,

Jogado no lixo do medo,

Apodrecendo aos poucos,

Corroído pelos vermes da saudade,

E cada lágrima como chorume

haverá de feder em tuas narinas,

E não terás uma noite tranquila,

Pois meu cadáver putrefato

Irá de assombrar teus sonhos mais íntimos

e enfiará tua cabeça altiva

no rombo de meu peito escancarado!

Flores Abertas

 

Você abriu

o cadeado de minha tristeza,

e então se partiu

a corrente que me prende a essa certeza


Que os dias eram todos maus

e que o sol nunca iria se pôr

mas cada momento contigo, era como um degrau

que me levava a um fogo ardente e redentor


Que me queimava desde dentro

ao ritmo da chibatada recebida,

que me trazia então, alento

a esta personalidade repartida


E me arrastava para a noite

de encontro a tuas mãos inquietas,

do suor, do couro e seu doce açoite,

Ostento agora, com orgulho, minhas feridas como flores abertas


E estremeço feliz

na lembrança das sonosras estaladas,

Afinal, era tudo o que sempre quis

Que me arrancasse as dores da alma, na ardência da pele esfolada!


sábado, 8 de outubro de 2022

Caminhão da Luxuria

 

Sou um vulcão 

em erupção,

Minha lava 

queima tudo em minha volta,

até essa distância pesada

de concreto

que me separa de você,

Meus mamilos 

são pontas de lança afiadas

perfurando

a venda de teus olhos

que não souberam enxergar meu desejo,

Esfrego minhas coxas inquietas

como duas rodas a toda velocidade

deste caminhão da luxuria

que é meu corpo grande e pesado,

cujo motor em brasa

expele o óleo orgásmico

dos orifícios mais íntimos

como graxa lubrificante,

Vem amor!

Pode embarcar!

As portas sempre estiveram abertas para você!


sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Eterno Reflexo do Sol

 

Sento 

em frente a tua lembrança,

como diante de um quadro antigo

e belo!

Belo e saboroso como um dos pecados

mais satisfatórios,

Como a mordida na maçã

e Satã, em forma de serpente, a se insinuar debaixo do tecido,

Me alimento 

de tua jovem imagem

enquanto meus cabelos embranquecem e rareiam,

gritando aos meus ouvidos surdos

a não ser a tua voz ao longe,

que segundos, minutos e diversas horas nos separam

daqueles momentos de felicidade eterna

que era estar ao teu lado nos finais das tardes,

E começava a noitecer

mas que me importava?

O sol continuava ali...Radiante...

E o reflexo fazia com que as estrelas 

brilhassem em meus olhos apaixonados!

Rosa de Devoção

 

Tua voz tem frios braços

que me embalam,

acalmando-me dos tormentos,

dos dias repletos de ignomínia

e almas mesquinhas a penarem cotidianamente,

Tua voz me embala

contando-me histórias do oculto

e do silêncio dos que já se foram,

Descanso em paz, enfim,

nos braços de cada sílaba

de tua tétrica poesia,

Oh noite! Dama da escuridão!

Não te cales

diante de minha afeição,

Derrama tuas palavras

como o vento sussurrante e sombrio

em cima deste peito petrificado

e faz florecer uma rosa de devoção

na lápide fria

que é este aquebrantado coração!

Memórias de Polaroid

 

Será que você ainda guarda aquela velha fotografia? Registro de um momento de loucura e esperança de amor? Primórdios da internet discada. As batidas de meu coração acompanhavam aquela discagem que muitas vezes falhava. Mas minha vontade de te conhecer não falhava nunca. Nos falamos então, por telefone fixo. Você me pediu uma fotografia. De roupa social. Você achava bonito homem de roupa social. Pedi para alguém tirar. Vesti minha melhor roupa e fiz pose de homem sério. A máquina Polaroid cuspiu na hora aquele registro de ansiedade. Mandei a foto pelo correio. Para o endereço de seu trabalho. Era muito cedo para saber onde você morava. E eu, tolo, aceitei. Você me achou bonito. Marcamos de nos encontrar no cinema do shopping. Estreava o primeiro filme dos "X-Men"..Poxa..Tem mais de vinte anos, hein? Esperei... Vendo as pessoas entrando. O filme já ia começar. Me senti tão estranho e excluído como os mutantes do filme. Mas sem nenhum super poder. Te liguei do próprio banco onde você trabalhava num setor interno, de um telefone que me indicaram. Você me disse que não poderia mais me conhecer. Que seu ex voltou para você. Para eu não fazer escândalo e ir embora. Exigi minha fotografia de volta. Você disse que mandaria e estou esperando até hoje... Posso vê-la perdida em meio a mais um monte de homens bonitos de roupa social... Era seu fetiche, não é? Você nunca de fato, pensou em me conhecer pessoalmente... Relembrei de tudo isso ao achar uma foto daquela época. Não estou usando roupa social. Mas... Meu Deus... Como eu era bonito... Aproximo então, esse homem jovem para meus lábios já murchos e cinquentões e beijo a face de dias de sonhos e vitalidade que nunca mais voltarão...

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Hipertensão Sentimental

 

Os assassinos de afeições

tem medo do amor,

e com a lâmina trêmula deste medo

fatiam os corações apaixonados,

deixando-os agonizar de saudades

na sarjeta imunda do desprezo,

E sua lembrança 

vem trazida pelo vento,

como uma embalagem vazia de Doritos,

Porém, uma lembrança cheia das delícias

que um dia experimentamos,

mas que hoje, afetam-nos a saúde,

como o sódio deste produto industrializado 

que é a fantasia que um dia ousamos criar

em ser correspondidos nesta hipertensão sentimental!

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

terça-feira, 9 de agosto de 2022

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

sexta-feira, 22 de julho de 2022

quinta-feira, 21 de julho de 2022

sábado, 16 de julho de 2022

segunda-feira, 27 de junho de 2022

terça-feira, 14 de junho de 2022

segunda-feira, 13 de junho de 2022

terça-feira, 7 de junho de 2022

terça-feira, 31 de maio de 2022

sexta-feira, 27 de maio de 2022

quarta-feira, 25 de maio de 2022

"COGUMELOS E BOCHECHAS"

Cogumelos e Bochechas

 

A vingança

é um prato que se come frio

eu ouvi uma vez,

Mas é preciso sangue quente

para encher um coração vazio,

em um mundo de insensatez


Cogumelos e bochechas

esse é meu prato predileto,

primeiro, as perfure com afiadas flechas,

depois, as tempere, de modo discreto


Não deixe

que a natureza da carne, se extingua,

Não deixe 

o gosto do sangue, se esvair


Que este é o gosto vital

que irá te acompanhar

até o suspiro final,

onde, enfim, a vingança, irá de se degustar!

terça-feira, 24 de maio de 2022

segunda-feira, 23 de maio de 2022

sábado, 21 de maio de 2022

terça-feira, 17 de maio de 2022

"VEM TOCAR ESTE INSTRUMENTO, QUE É A SAUDADE QUE SINTO DE VOCÊ"

 

Nossa musica toca,

no som, 

no vento que passa,

num sorriso que lembra o teu,

e toca a sensibilidade de meus nervos,

como se fossem cordas desse instrumento

que é a saudade que vem todos os dias me visitar,

enquanto percorro uma estrada incerta,

para mais uma incógnita, que costumam

chamar de um "novo dia",

Mas quando você me esperava todo o final de tarde,

não era mais um dia que acabava,

lá começava uma nova melodia,

mais uma faixa no nosso disco favorito,

que você riscou com brutalidade,

e a agulha de meu amor, ficou lá, parada,

na repetição infinita de um único refrão:

"Estar ao teu lado, é o que me bastava 

mesmo sem nenhuma letra nesta tortuosa melodia.."

Apenas um "Lá- lá- lááá..." Lá longe...

onde deixei meu coração aos teus pés...Criatura ingrata!

"VEM TOCAR ESTE INSTRUMENTO, QUE É A SAUDADE QUE SINTO DE VOCÊ"

terça-feira, 3 de maio de 2022

"CARCAÇA DE SONHOS VÃOS"

Nas Noites Vazias, Eu me Encho de Você

 

Saio nas noites,

Vazias de luz,

Vazias de afeto,

Vazias de cumplicidade,


Olhos me espreitam,

Olhos vazados, em órbitas cadavéricas,

Braços descarnados me chamam

para seus leitos gélidos e imundos


A bílis me domina,

O mundo anda de cabeça para baixo,

E o pior de tudo

é que não sei se você ainda existe nele,

ou apenas, em minhas recordações,

Então, recolho-as todas, e te recrio em barro,

E te engulo,

Então,

nas noites vazias, eu me encho de você...

segunda-feira, 2 de maio de 2022

"NAS NOITES VAZIAS , EU ME ENCHO DE VOCÊ"

Canário Mudo em Gaiola Dourada

 

Desejo obsessivo

de romper este vínculo,

esta mentira tão bonita e aceitável,

se curar dela, como se fosse uma doença,

dessas que deixam feridas purulentas,

e que causam ânsia de vômito só a simples visão,

Desejo obsessivo de reparar este erro

como furar um cano, na tentativa de pendurar

um belo quadro na parede,

Uma existência que não te faz satisfaz,

a porra dum canário mudo em gaiola dourada,

Desejo obsessivo

de correr a outros braços

onde encontrar, enfim,

a segurança e rigidez, tão sonhados,

como escada de madeira nobre e corrimão firme,

É preciso correr,

pois o tempo, este é um queniano alucinado e de pernas longas

em prova de São Silvestre!

Corra como louca! Corra!


quarta-feira, 27 de abril de 2022

terça-feira, 26 de abril de 2022

Asas Cortadas

 

Faltou-me um verso

à declamação,

Desfilou meu poema

manco e trôpego

e ninguém percebeu,

Recebi as palmas, por educação

Mas a joia da metáfora, se perdeu


Me senti medíocre,

Me senti impotente,

Agora, também, na escrita?

Já não me basta, fisicamente?


Guardei o manuscrito imcompleto, no bolso,

Assim, como a face envergonhada, nas sombras,

Do velho entusiasmo, já não existe nem o esboço,

Nem as fantasias e quimeras mais tolas


Não riam! Não façam pouco!

Não era apenas, um simples verso!

É uma tristeza, que me faz gritar até ficar rouco

Foram as asas cortadas de um pássaro

que jamais fará seu regresso!

Ilusão e Estupidez

 

Não era um fio de cabelo,

era uma ruga,

uma dobra no tempo

marcada na pele,

puxando minha boca para baixo

numa carranca demoníaca,

a expressão de todo medo e toda angustia acumulada

por anos e anos de erros e tropeços,

em uma fuga inutil

ao destino, que enfim

me pregou um dos sustos mais angustiantes

nessa manhã de domingo de páscoa,

marcando, não uma ressurreição,

mas a morte, enfim,

de todos os sonhos

ao fim de um calvário de ilusão e estupidez:

"Deus! Quem é esse velho medonho, me encarando no espelho"!?

segunda-feira, 25 de abril de 2022

terça-feira, 19 de abril de 2022

segunda-feira, 18 de abril de 2022

NÃO CONSEGUI ABDICAR

Não Consegui Abdicar

 

A tristeza infinita 

de um segundo,

me mata toda a vontade

a todo momento que morre,

a todo vislumbre do tempo que passa,

seu rosto, seu sorriso

em cada pedra da calçada

que ornava

a ilusão de adentrar tua casa,

e abdicar desse "ser poeta"

e parecer um bom partido para tua família,

Abdiquei enfim, de nada,

e continuo a ser o mesmo,

com quilos a mais e cabelos a menos,

Porque tudo volta,

quando passo em frente a tua casa

que não está mais lá,

esperando que a agonia o arrependimento enfim,

desabem, com o fim dessa existência,

Assim como seu quarto de paredes cor de rosa,

que nunca conheci, mas juro que imaginava,

assim como as formas nas nuvens,

hábito que não consegui abdicar,

Desculpe,

não consegui abdicar...


terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Apenas o Essencial- Parte 02


Fazendo a limpeza na estante, me deparei com o rascunho de um poema e um lembrete endereçado a mim mesmo para não esquecer de colocar o lixo fora. Juntos, em forma de escrita, estava o "supérfluo" e o "essencial". Mas ambos com uma natureza similar. É necessário botar o lixo orgânico para fora, pois pode atrair bichos peçonhentos, doença, etc... Do mesmo modo, é necessário colocar para fora sentimentos e anseios que se não exteriorizados, também atrairão doença e males tanto para o corpo físico como o espiritual. Sentimentos não trabalhados também são como o lixo, começam a feder e nos tornamos seres amargos, cuja "boca de caçamba de lixo" revelará cedo ou tarde todo esse amargor e fedentina. Porque não tornar isso arte? Não é besteira. Não é perda de tempo. É apenas o essencial.
 

Apenas o Essencial

 

Este ultimo sábado, fui ao lançamento do livro "Planos, Paçocas e Poemas" da amiga @patricia_pantaleao. Longos dois anos enfurnado em casa, longe dos saraus e saindo apenas para o "essencial". E o que é o "essencial"? São as necessidades básicas do corpo? E a alma, como fica? Apesar de todo o clima atípico, da paranoia e uso de máscara, durante aquele curto período de tempo, minha alma conseguiu respirar um pouquinho, como à muito não acontecia. Não digo apenas da questão de ir lá na frente e recitar minha poesia para as pessoas, mas essencialmente de ouvir outras pessoas lerem seus poemas, desnudarem suas sensibilidades e no final, não importava se uns versos eram os mais simplórios ou mais bem escritos, eu os degustei todos como um único sopro de vida a me encherem os pulmões e a alma de algo que quem desconhece o conceito de "empatia", não irá entender. Pois o que todos os presentes tinham em comum era o amor ou a indignação da falta deste nesse momento conturbado que vivemos. Obrigado à Patricia pelo carinho e que continue mostrando que a força feminina não apenas não se cala, como também escreve! Obrigado aos demais Poetas do Tietê, presentes, Akanni, Marcelo Lemos, Caranguejunior e Erika por me receberem tão bem depois de tanto tempo longe e finalmente @dauriapaulo , que está comigo nessa jornada desde o início. Beijos, meus caros. E mais do que nunca.."Poesia não é besteira"!

Poesia Mascarada

 


Coitada de minha poesia
ela anda meio assim,
encoberta e em agonia
de que tudo termine, em rima ruim

Poesia mascarada
a se esconder do maldito vírus,
Passando quase despercebida e calada
na época da discórdia e dos tiros

É o vírus da ignorância
querendo matar minha poesia,
que tão esperançosa, já foi na infância
tão acabrunhada, se manifesta hoje em dia

A poesia mascarada
anda com medo de mostrar a face,
que lhe digam que não vale nada
que seus versos tortos, nunca mais me abracem

Mas não posso deixá-la morrer
minha querida e bem amada,
pois no final é você a me socorrer
da realidade tão assombrada

Assombrada por esses fantasmas
de um passado sombrio e tão feio,
O negacionismo é seu ectoplasma
E por seu exorcismo, é que anseio

Então, vou parando por aqui
essa minha poesia mascarada,
até o dia em que as máscaras por fim, venham a cair
e a verdade possa prevalecer, respirando aliviada.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Novo Ciclo

 

Meu desejo

se insinua nas sombras

como sedento vampiro

de um filme mudo,

e sem palavras

sussurra uma brisa fria

Te chamando

para deitarmos juntos 

no sepulcro

de toda vergonha,

de toda a censura,

de todo o preconceito,

Contigo

o velho mundo está morto,

O sangue escorre

num novo ciclo,

E eu chupo

E eu chupo...