sábado, 31 de dezembro de 2022

Feliz Velho Novo

 

Feliz velho novo,

se aceitando como é,

aceitando suas lágrimas,

pois o mundo dizia 

Que "garotos não choram",

Agora, sem a necessidade de se encaixar

e agradar aos velhos olhos,

de um mundo velho

com ideias antigas,

Feliz velho novo

que entende que a solidão

poderá ser, enfim, sua sincera amiga,

pois ela não terá vergonha

de sua verdadeira face,

e te acompanhará a todo canto,

sem o menor constrangimento,

Feliz velho novo,

Feliz em seu próprio mundo

Feito da verdade

de sua própria essência,

que continuará genuína,

até o fim da matéria

e da terrena e transitória

experiência...


domingo, 25 de dezembro de 2022

Estação Desilusão

 

Tento me distrair

com a paisagem cinza lá fora,

com seus carros peidando fumaça cinza,

mas as lágrimas ainda insistem em correr

como maratonistas exaustos numa corrida inútil,

em que o prêmio é uma medalha de latão pintada de ouro,

que seria a tua consideração por mim,

e todas aquelas cenas de amizade infinita

vem como uma avalanche de sentimentos dolorosos,

a esmagar este velho coração 

que bate mais forte à ultima lembrança tua,

quando fingiu estar dormindo 

diante de minha patética presença,

relegando minha pessoa para longe de ti

como um joguete que perdeu seu encanto,

um boneco, com o qual você cansou de brincar,

jogado ao fundo do vagão de um trem

com destino à "Estação-Desilusão"...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

O Dom da Praga do Santo Natimorto

 

A avó fora uma bruxa,

E dela herdou seu dom

de expelir veneno de sua língua suja

e fazer tombar corpos, entre convulsões e fezes marrons


Sua figura desengonçada

chamava a atenção das belas pessoas

que enfim, tinham sua vida desgraçada

só porque proferiram "brincadeirinhas à toa"


E assim foi a triste existência

de nosso feio e desprezado herói,

uma série de horror com baixa audiência

que só quem tem empatia, sentirá que o coração lhe dói


Sua anterior e fatal praga

à milhões de vítimas derrubou,

Eis que agora, então perdera toda a graça

E a si próprio, a ultima praga, direcionou


Praguejou que se tornaria santo

em sua próxima reencarnação,

e que em todos os seres vivos, até os mais vis, veria apenas encanto,

e amaria a todos, sem exceção


Mas algo ocorreu de errado,

e a praga, finalmente, falhou,

Sem choro nem vela, renasceu calado,

e um natimorto, o  santo sexo ensanguentado de sua mãe, revelou


A má formação dos membros

e a empapada aparência

lhe tornaram mais próximo de um excremento

e foi jogado ao lixo, como mísera placenta!



domingo, 4 de dezembro de 2022

O Duende e a Dona Natureza

 

Lá vai o pequeno duende,
Muito preocupado, na floresta,
Pois Dona Natureza está doente
já não há motivos para festa.

--- Porque tão triste, Dona Natureza?
--- Estão me matando, Senhor Duende!
--- É coisa do bicho-homem,com certeza!
--- Este bicho malvado! Quem o entende?

---Antes, só derrubava as árvores velhas!
---Agora, acaba com tudo, de forma brutal!
---Precisava é de um puxão de orelhas!
---Sabe construir máquinas! Se acha o tal!

Então, avistam alguem
Era o bicho-homem com a serra elétrica.
Não vai machucar mais ninguem!
Gritou o duende, de forma histérica.

Ficou, então, invisivel.
Colhendo o pó de várias flores.
Jogou tudo na cara do ser desprezível.
E este, se contorceu, cheio de dores.

Ficou cego, por um segundo.
Deixando cair a serra elétrica, em cima do cinto.
As calças cairam, e com a maior vergonha do mundo
fugiu. Deixando o pequeno duende, rindo.

---Pronto, Dona Natureza
Espantei o bicho-homem, de vez!
---Ah, duende! Ele voltará, com certeza...
---E seja alérgico à abelhas, talvez...

Disse o pequeno duende,
preparando uma armadilha.
---O que será que ele pretende?
Pensou Dona Natureza, diante do Senhor Sol que brilha.

O Senhor Sol, bondoso, respondeu:
---Se pudesse, não esquentaria o bicho-homem,
No começo, agia só por instinto, agora, se perdeu
e os recursos da Dona Natureza, a cada dia, somem!

---Ah, Senhor Sol! Eu juro
que se não fosse o pequeno duende...
me meteria num buraco escuro...
E desistiria de ser bela e verde!

---Não desista, Amiga Natureza!
O bicho-homem ainda vai se arrepender...
---Não duvido! Tenho certeza...
Só espero que não seja tarde demais...
E que eu própria, não consiga ver isto acontecer!

Presa Voluntária

 

Jogo-me a teus pés

como presa voluntária,

Desejo teu corpo sólido

como um farol de lubricidade

em meio ao tumultuoso mar da solidão!

Cace-me!

Consuma minha carne tenra!

Canibalize esse sentimento palpitante!

Aperte-o

Até fazer jorrar entre os dedos 

a seiva de minha gratidão!

O delírio se desfaz com o sono que me toma, após o último gole,

Estremeço,

lambuzando a calça puída,

e a visão do bêbado da praça

vai se escurecendo,

mirando o alvo de suas homenagens,

a estátua indiferente

a todo seu amor,

e a toda merda dos pombos

que voam sob sua cabeça dura

e vazia de sonhos.

Teu Maior Pecado

 

Todos os dias

quando acordo,

cumprimento de forma agridoce

tua lembrança,

em cada objeto que detém algo de ti,

Cantarolo aquela velha canção dos Smiths

e estreito assim, teu corpo feito de luz e sombra

sob meu corpo velho e cansado

que já não corre ao teu encontro nos finais das tardes,

mas mesmo assim, ganha o carinho 

da palma de minha mão,

Esta palma que encontrava a tua,

num cumprimento dos mais belos e apertados,

aperto de mãos de melhores amigos,

acima de qualquer suspeita,

Você disse que não pediu meus presentes

porque não podia suportar a realidade do meu maior presente,

Este, imaterial,

Até meu corpo, você poderia destruir,

Eviscerar meu estômago faminto de ti,

Arrancar meus olhos a brilharem na tua presença,

Mas o presente que é a minha alma

Ainda te veria e te amaria,

Te assombrando pelo teu grande pecado

maior até do que a "santa igreja" quisesse nos impor,

maior do que fez o Criador te expulsar do paraíso,

Teu maior pecado foi despertar um coração solitário

das trevas de seu quarto abafado

e cheio de livros empoeirados,

Ao jogar-me essa luz que nunca se apaga,

Oh... Minha estrela da manhã!