segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Beija-me

Beija-me
Como lâminas afiadas,
Corta as correntes
desse sofrimento,
Beija-me
Como torniquete,
Estanca a hemorragia
do coração,
Beija-me
Belo Anjo,
Suga minh'alma
dessa carcaça cansada,
Que há muito
Já não vive,
Vegeta só,
Entre essas bestas
Chamadas de homens.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sementes

A menina






passeia entre





eucaliptos,





colhendo





as flores





deixadas





pelo caçador,





Flores





de infinita beleza,





Perfume sedutor,





Cai na armadilha,





Seu pequeno corpo





desmenbrado





já não é seu,





é da natureza,





E quantas flores





não nascerão dali,





Daquela dor pungente





daqueles gritos de horror?





Acordo do pesadelo,





Crente de que nem sempre





sairão inocentes





sementes





das flores ao redor!

Hino do Fim de Tudo

Espirito atormentado






Água suja





se esvai





dos poros,





A morte dos princípios





me encantou





certa vez,





Hoje, felizmente,





canto,





O hino do fim de tudo,





Cheio de arrependimento,





Com o olho fito no céu,





Á espera da ultima luz,





Antes do jantar dos vermes.

Deleite da Alma

A carne acaba






e acordo





de meu sono profundo,





Acordo





para deleite da alma





Levanto para as alturas





a cada sete palmos





que afundo!





Glória!





Vejo as faces angélicas





fitarem-me,





nas órbitas vazias





dos crânios





dos antepassados,





Me sorriem





através





destes sorrisos





já descarnados,





Só um doce





fluído agora,





entre a matéria putrida





e sem importância,





Glória!





Liberdade, afinal!





Na reclusão de meus ossos,





Neste buraco fundo!

Quem Sou?

Não sei






quem sou,





Se trevas,





Se luz,





O céu





me cega





com seu sol,





Então, o nego,





Só um instante,





a sarjeta





é o inferno





do vício





e imundície,





Sou um





anjo caído,





E arrependido!

Os Dois Lados

Dois lados






da mesma





moeda,





Um rio





passa





pelo





meu peito,





Feito de





lama e





àgua cristalina,





Que acaba





num mar





de duvidas





e poesia.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sonhos Suspensos

O caos me cerca,
Os carros,
Os bandidos,
Pessoas me rodeiam,
Quero respirar,
Por isso
tenho àrvores na cabeça,
Frutos de poesia
Que não apodrecem,
Sonhos suspensos
Acima de todo o lixo humano,
Esse grande cocô
Chamado progresso!