Abro a janela do desejo
Deixo a luz do dia me abraçar,
Sinto então, invadir-me como um beijo
Por detrás, sinto a força deste olhar
A perscrutar cada centímetro
Invadindo cada dobra,
O sangue ferve, mas encontro-me lívido
Paranoico vestígio de perigo, que sempre sobra
Cobrindo com película odiosa
estes olhos que devoram minha petulante nudez,
Olhar de quem não admite, mas goza
consumindo-me com repudio, mas com extrema avidez.
André Diaz
