Em comemoração à minha fase nostálgica da juventude, depois de voltar à curtir o Kiss, resolvi voltar os meus ouvidos velhinhos para uma tendência no rock nacional dos anos 90, letras escatológicas, com muitos palavrões. Pensou em Raimundos? Charlie Brown Jr? Suínos Tesudos? Nada disso. O cd que adquiri é "Tudo ao Mesmo Tempo Agora" dos oitentistas Titãs. Foi um disco esculhambado pela crítica na época. Crítica essa que ovacionou anos antes, "Cabeça Dinossauro", que trouxe o punk para o mundo pop, com suas críticas, cuspindo nas sagradas instituições, etc. E, porque esculacharam com "Tudo"? Porque sua virulência não tem um alvo específico. Não é engajada. É pura arte! Não o fruto do inconformismo que permeou "Cabeça", que hoje é revisitado pela banda. Toda injúria justificada é perdoada. Quando o escatológico aparece em publico, simplesmente porque é a secreção que tem que sair, após o estouro da bolha... Simplesmente porque é o acumulo de gases em nosso ventre...Ah! Meu querido! É um escândalo! Versos cantados por Nando Reis em "Isso Para Mim é Perfume" como: "Chupar o seu dedão/Cheirar sua calcinha suja de menstruação/A cabeça do pau faz esporra de leite/" e que acaba com o singelo: "Amor, eu quero te ver cagar" (dizem que o "amor" em questão era a Marisa Monte) causam horror porque é algo interior que, na nossa sociedade hipócrita deve se manter trancado, como a porta do banheiro quando estamos fazendo cocô. É a intimidade partilhada. É isso que choca. Pessoas de bem, não falam palavrão. A "merda" falada, deve ser mantida em segredo, assim como a merda cagada. Muitos que lerem essa crônica, acharão que sou um louco sem vergonha nenhuma na cara, por decidir jogar essa "merda" no ventilador. Mas é com grande prazer que a jogo. Para que serve ser artista? Acho que está nessa liberdade de jogar a merda, mesmo. E digo, o artista que não tem rabo preso. "Tudo Ao mesmo Tempo" foi produzido pelos próprios Titãs, sem produtor Liminha nenhum, para "limar" as arestas que pudessem ferir a dignidade alheia. O disco incomoda, não por mostrar algo diferente do que somos, mas exatamente por jogar na cara, nosso interior nauseabundo, que tentamos esconder de toda forma. Isso já é mostrado logo na capa, montada a partir da enciclopédia Barsa. É nossa anatomia asquerosa estampada lá. E não adianta dizer, que não temos nada a ver com aquilo. Que libertador dizer que se quer ver o seu amor, cagar! Eu mesmo, assim como o personagem poeta do filme "Febre do Rato", sempre pedi pros meus amores mijarem na minha frente. E daí? Porque você está torcendo a boca, ao ler isso? Vai parar por aqui, porque futuquei aquela ferida purulenta que você guarda bem escondidinha? Porque ao ler isso, sente que puxo suas calças, revelando aquele velho furunculo? Não estou aqui, pra ofender ninguem. Só pra dizer a verdade. Pena que a verdade ofende.
--- Menina! Viu esse doido do André, agora? Além de não esconder de ninguem que gosta de lamber pé, agora vem falar que gosta de ver seu amor fazendo xixi? Falando que palavrão é normal? Tá precisando é se benzer! Esses artistas são um bando de loucos!
---- Nunca me enganou aquela cara de santinho! Todo quietinho, hein? Esses são os piores!
Poisé. Quem fala o que quer...Mas que importância tem isso? Se é a arte que me impulsiona, posso montar castelos, não de areia, mas de estrume de cavalo... Considerar o prato mais fino e delicioso, o queijo gorgonzola, pois "Isso Para Mim, É Perfume". E, para fechar, ins"pirado" pela poesia do genial disco rejeitado dos Titãs (porque versos como os que citei, são poesia, do tipo de Glauco Mattoso, ou meu amigo Paulo D'Auria, mas são, ou seja, poesia que diz a verdade, que não "floreia", e por isso, dita "maldita"), resolvi deixar aqui, minha poesia em homenagem ao escândaloso palavrão, que nada mais é, que nós mesmos, sem as velhas máscaras:
Todo Mundo Fala Palavrão
Todo mundo fala,
às vezes, se sente "cu"lpado,
Todo mundo cala,
Mas, na injúria
muito já havia mamado,
"Pô! Ra" "imundo!"
Deixa de ter a boca tão suja,
Que tá mais prum buraco sem fundo
Deus vai te deixar com a lingua murcha!
Ah! Minha senhora!
Ainda há de topar numa pedra
Ainda há de chegar sua hora,
A "grande palavra" virá estrondosa e certa!
E outra coisa tambem é certa!
Todo mundo fala palavrão,
Cacete! Porra! Merda!
Até a digníssima senhora sua mãe, meu irmão!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Livro Aberto
Livrai-nos das tentações,
Oro, com pouca convicção
Reparo em minhas ações
como formigas perdidas no chão
Leio todo meu passado
como se minha vida fosse um livro aberto,
Não percebo o amor do meu lado
Confundido com o que é errado e o que é certo.
Oro, com pouca convicção
Reparo em minhas ações
como formigas perdidas no chão
Leio todo meu passado
como se minha vida fosse um livro aberto,
Não percebo o amor do meu lado
Confundido com o que é errado e o que é certo.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Contrastes
Caminho
com o sol queimando-me a careca,
busco refugio nas sombras,
debaixo do toldo
a moça do anuncio sorri um sorriso branco
que parece até de mentira,
o menino esparramado na calçada
ronca entorpecido com os dentes podres
pior é que é verdade,
Penso que tudo deve ter começado
quando Eva tatuou a serpente nas costas
E Adão, sem a costela
se pôs praticar auto-felação.
com o sol queimando-me a careca,
busco refugio nas sombras,
debaixo do toldo
a moça do anuncio sorri um sorriso branco
que parece até de mentira,
o menino esparramado na calçada
ronca entorpecido com os dentes podres
pior é que é verdade,
Penso que tudo deve ter começado
quando Eva tatuou a serpente nas costas
E Adão, sem a costela
se pôs praticar auto-felação.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Nós
Libertei-me de você,
Libertei-me dos nós
Libertei-me de nós
Nós juntos
como corrente e cadeado,
Nós juntos
Como coleira e quadrupede
E sorrio agora,
Sorrio agora, junto
Junto de uma solidão
feita de cinco dedos
tocando-me como você nunca soube me tocar.
Libertei-me dos nós
Libertei-me de nós
Nós juntos
como corrente e cadeado,
Nós juntos
Como coleira e quadrupede
E sorrio agora,
Sorrio agora, junto
Junto de uma solidão
feita de cinco dedos
tocando-me como você nunca soube me tocar.
O Colecionador de Desilusões*
Sou um colecionador de desilusões
Sei que meus novos amigos não irão me trair,
Sim. Eu comprei dois cães
o resto, não sei o que está por vir.
Sou um colecionador de desilusões
Sei que este tipo de amor não se compra,
Mas comprei logo, duas mães
Pois viver assim, já é uma afronta.
Sou um colecionador de desilusões
Minh'alma é um asilo,
Meus dias, anciões
a tossirem o ultimo sangue, posso senti-lo.
Sou um colecionador de desilusões
a juntar nuvens de algodão,
sem maiores pretensões
a não ser, inflar de amor, um velho coração.
*Parceria com Paulo D'Auria
Sei que meus novos amigos não irão me trair,
Sim. Eu comprei dois cães
o resto, não sei o que está por vir.
Sou um colecionador de desilusões
Sei que este tipo de amor não se compra,
Mas comprei logo, duas mães
Pois viver assim, já é uma afronta.
Sou um colecionador de desilusões
Minh'alma é um asilo,
Meus dias, anciões
a tossirem o ultimo sangue, posso senti-lo.
Sou um colecionador de desilusões
a juntar nuvens de algodão,
sem maiores pretensões
a não ser, inflar de amor, um velho coração.
*Parceria com Paulo D'Auria
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Perdi o Cabaço com Clarice
Até pouquíssimo tempo, Clarice Lispector era para mim como o caviar da canção do Pagodinho: "Nunca comi...Só ouvi falar..."
Meu interesse na escritora já vem de algum tempo, lembro de ficar encantado com o belíssimo poema "O Cigarro de Clarice", do meu amigo Junior Braz, que apesar dele não achar essas coisas, considero uma das mais lindas odes escritas em homenagem a um artista. Alguem que o ouvir declamando certamente irá correr atrás de conhecer Clarice. Semana passada fui à uma peça teatral intitulada "Prazer", baseada em textos de Clarice. E é claro, o prazer foi todo meu e de todos os presentes na platéia.
Saí de lá pensando: "Ainda levo Clarice pra casa!" Confesso que tenho certa dificuldade de ler textos muito longos na internet. Sempre preferi ler os poemas. E o prazer de ter um livro nas mãos, não se compara! Tenho com ele, se não for igual, algo bem próximo do fetiche por pés. Posso dizer que são gostos que "caminham" juntos.
Como tenho uma fila de livros de quase uns 20 volumes (peguei vários de uma imobiliária, que após um malogrado projeto social-literário os deixou a disposição, mais vários outros dessas máquinas que existem agora no metrô, em que você pode pagar até com uma nota de 2 reais por um livro). Nem pensei em ir atrás de algum livro de Clarice, tão cedo.
Mas Clarice veio até mim! Andando pelas ruas do centro, deparei-me com um vendedor de livros, com uma banquinha improvisada, com livros no pior estado de conservação possivel. E lá estava Clarice: "Laços de Familia", uma coletânea de contos, toda estropiada, com suas páginas coladas porcamente com um durex amarelado.
--- Quanto é?
--- Faço por 5! Se tiver faltando página, o senhor pode trocar por outro depois!
Dei uma folheada, as páginas estavam em bom estado, só estavam descoladas mesmo. Paguei os 5 reais.
Como num ritual romântico, chegando em casa, tomei aquele banho, botei perfume e levei Clarice para cama. Antes de começar a ler, acariciei sua capa, em que aparece a figura de um homem bigodudo e galanteador dando flores à uma formosa moçoila.
Comecei a ler avidamente. Deti-me! Percebi que não deveria tratar Clarice com tamanha afobação. E sim, ir saboreando-a aos poucos, palavra por palavra. Pois Clarice é papa fina. Dessas guloseimas que você deve deixar derreter na lingua e só depois se servir de nova porção.
Percebi que Clarice é leitura não para simples entretenimento, mas para uma degustação lenta e exigente.
Já conhecia este tipo de leitura, mas com um escritor. Confesso que antes de Clarice, perdi meu cabaço "fino-literário" com Marcel Proust em "No Caminho de Swan", um dos livros que mais demorei para terminar de ler. Pois sempre era preciso retornar ao parágrafo anterior, ou para captar melhor sua essência, ou pela simples "gulodice" de experimentar aquela "frase doce" mais uma vez! E é o que me ocorre agora, com Clarice. Demorei um bom tempo para terminar a leitura do primeiro conto. Parava extasiado com seu senso de humor requintado, sorvendo aquelas palavras como as velhas "jujubas" de uma infância longínqua, mas ainda doce na mente.
Não sei se partirei tão cedo para o conto seguinte. Medo de que minha relação com Clarice termine rápido...Me deixando só, com a mão pendente entre as cobertas que agora testemunham a lascívia glutona com que devoro essa escritora, que vale bem mais que a fila de 20 livros que me espera na estante, toda enciumada!
Meu interesse na escritora já vem de algum tempo, lembro de ficar encantado com o belíssimo poema "O Cigarro de Clarice", do meu amigo Junior Braz, que apesar dele não achar essas coisas, considero uma das mais lindas odes escritas em homenagem a um artista. Alguem que o ouvir declamando certamente irá correr atrás de conhecer Clarice. Semana passada fui à uma peça teatral intitulada "Prazer", baseada em textos de Clarice. E é claro, o prazer foi todo meu e de todos os presentes na platéia.
Saí de lá pensando: "Ainda levo Clarice pra casa!" Confesso que tenho certa dificuldade de ler textos muito longos na internet. Sempre preferi ler os poemas. E o prazer de ter um livro nas mãos, não se compara! Tenho com ele, se não for igual, algo bem próximo do fetiche por pés. Posso dizer que são gostos que "caminham" juntos.
Como tenho uma fila de livros de quase uns 20 volumes (peguei vários de uma imobiliária, que após um malogrado projeto social-literário os deixou a disposição, mais vários outros dessas máquinas que existem agora no metrô, em que você pode pagar até com uma nota de 2 reais por um livro). Nem pensei em ir atrás de algum livro de Clarice, tão cedo.
Mas Clarice veio até mim! Andando pelas ruas do centro, deparei-me com um vendedor de livros, com uma banquinha improvisada, com livros no pior estado de conservação possivel. E lá estava Clarice: "Laços de Familia", uma coletânea de contos, toda estropiada, com suas páginas coladas porcamente com um durex amarelado.
--- Quanto é?
--- Faço por 5! Se tiver faltando página, o senhor pode trocar por outro depois!
Dei uma folheada, as páginas estavam em bom estado, só estavam descoladas mesmo. Paguei os 5 reais.
Como num ritual romântico, chegando em casa, tomei aquele banho, botei perfume e levei Clarice para cama. Antes de começar a ler, acariciei sua capa, em que aparece a figura de um homem bigodudo e galanteador dando flores à uma formosa moçoila.
Comecei a ler avidamente. Deti-me! Percebi que não deveria tratar Clarice com tamanha afobação. E sim, ir saboreando-a aos poucos, palavra por palavra. Pois Clarice é papa fina. Dessas guloseimas que você deve deixar derreter na lingua e só depois se servir de nova porção.
Percebi que Clarice é leitura não para simples entretenimento, mas para uma degustação lenta e exigente.
Já conhecia este tipo de leitura, mas com um escritor. Confesso que antes de Clarice, perdi meu cabaço "fino-literário" com Marcel Proust em "No Caminho de Swan", um dos livros que mais demorei para terminar de ler. Pois sempre era preciso retornar ao parágrafo anterior, ou para captar melhor sua essência, ou pela simples "gulodice" de experimentar aquela "frase doce" mais uma vez! E é o que me ocorre agora, com Clarice. Demorei um bom tempo para terminar a leitura do primeiro conto. Parava extasiado com seu senso de humor requintado, sorvendo aquelas palavras como as velhas "jujubas" de uma infância longínqua, mas ainda doce na mente.
Não sei se partirei tão cedo para o conto seguinte. Medo de que minha relação com Clarice termine rápido...Me deixando só, com a mão pendente entre as cobertas que agora testemunham a lascívia glutona com que devoro essa escritora, que vale bem mais que a fila de 20 livros que me espera na estante, toda enciumada!
domingo, 3 de fevereiro de 2013
"A Cabeça do Poeta" *
Ela estava lavando a louça,
limpando a cozinha
Ele se aproximou da moça
e lhe ofereceu uma flor e um singelo poeminha
-- Não tá vendo que tô ocupada?
Parece que tem problema na cabeça!
Passa o dia sem fazer nada!
Só na poesia! Tem conta pra pagar! Não se esqueça!
O poeta então, pegou a faca da cozinha
A moça já ficou toda alarmada:
-- Pára! Se não grito! Eu chamo a vizinha!
Saiu correndo, a pobre coitada.
O poeta decidiu fazer sua ultima obra de arte,
cortando a própria cabeça fora
Carregando-a debaixo do braço, para outra parte
E com ela, se pôs a brincar de bola.
*Poema de André Diaz com co-autoria de Carolina Peixoto (Blog: "Disperso em Versos")
limpando a cozinha
Ele se aproximou da moça
e lhe ofereceu uma flor e um singelo poeminha
-- Não tá vendo que tô ocupada?
Parece que tem problema na cabeça!
Passa o dia sem fazer nada!
Só na poesia! Tem conta pra pagar! Não se esqueça!
O poeta então, pegou a faca da cozinha
A moça já ficou toda alarmada:
-- Pára! Se não grito! Eu chamo a vizinha!
Saiu correndo, a pobre coitada.
O poeta decidiu fazer sua ultima obra de arte,
cortando a própria cabeça fora
Carregando-a debaixo do braço, para outra parte
E com ela, se pôs a brincar de bola.
*Poema de André Diaz com co-autoria de Carolina Peixoto (Blog: "Disperso em Versos")
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