Cabisbaixo
andava
debaixo do céu cinza,
chutou algo que rolou
até a sarjeta.
Limpou as camadas de lama
das pontas,
enfiou no bolso,
foi pra casa.
Lavou,
começou a brilhar.
Sorrindo
correu até o quarto
pendurou em cima da cama
e ficou olhando
o brilho das pontas
E o brilho foi aumentando, até se tornarem braços
que embalaram seus sonhos,
Eram os braços da pessoa amada
perdida num tempo longínquo,
personificada agora,
numa simples estrela
de papelão dourado.



