domingo, 28 de julho de 2024

Exorcismo

 


No meio de toda a amargura

e o lixo tóxico dos dias a me asfixiar,

Você me plantou teu lindo sorriso,

no fundo da minha alma,

Como fonte de oxigênio,

me ajudando à respirar


Queria ser criança de novo

Fazer até o certo, na brincadeira,

Enquanto o adulto prepotente, aguarda na faixa

esperando que o sinal se abra para vossa majestade,

Lá vai a criança peralta

apertar o botão, de bisbilhoteira


O mundo se move, afinal

de boas intenções acidentais,

É tudo incerto, como abraçar um desconhecido,

Quando o que se procura é o afeto

e se encontra a agressão e até a morte,

e o sentido? Jamais!


Mas eu procuro pôr um sentido no papel

um exorcismo de todo esse horror,

Mas, se ainda assim, conseguir te plantar um sorriso

Aceito de bom grado, minha sina,

E gozo, masoquisticamente, de tua gargalhada sob minha dor...


André Diaz




domingo, 14 de julho de 2024

Apetitoso Martírio

 


Ouvindo a banda The Police

a musica "Walking on The Moon",

Pareço escutar o que você nunca me disse,

que não trocaria esta caminhada comigo, por lugar nenhum


Procuro então, esta lua no céu

me perguntando, se para lá, você não partiu,

Porém, a natureza joga-me o escuro véu

e chego a pensar se você realmente existiu,


Ou foi fruto desta fértil imaginação

de um poeta, em alcóolico delírio,

Hoje, me vejo presa desta terrível resignação,

Gozando, masoquisticamente, de tão apetitoso martírio...


André Diaz

domingo, 7 de julho de 2024

A Solidão da Lombriga

 

Chega. Estou cansado de tudo.

Necessito de um abrigo amigo,

Sem guerra. Sem espada. Só escudo,

Será que posso me abrir contigo?


Dando murro em ponta de faca

Quase a me desculpar por ser eu mesmo,

Chega dessa existência ingrata,

Em meio à um banquete vegano, sinto-me torresmo


O argumento do ignorante

sempre será a agressão,

E mesmo sabendo que é tão insignificante

às vezes, sou atacado de profunda depressão


Tentando argumentar

Apenas jogo pérolas à este porco,

Em meio à bosta, procuro meu lugar

Mas, como lombriga, sei que serei expelido daqui a pouco


André Diaz

terça-feira, 2 de julho de 2024

Trôpego Equilíbrio

 

O refúgio das boas sensações

onde afinal, estará?

Na fuga espiritual das religiões

ou nesta cerveja, a me embriagar?


Procuro nas imagens sensuais

nestes blocos de carne, a me agarrar,

Mas pareço ouvir o o corvo de Poe, à grasnar: "Jamais"!

E às vezes, sinto a mim mesmo, enganar!


Corro uma corrida improvável

a um beco sem saída,

e me farto, deste alimento intragável

que é a triste constatação do que é a vida!


Andar eternamente, em círculos,

como uma imunda barata tonta,

Sempre à volta do mesmo imundo umbigo,

e hipocritamente, a solidão me revolta


E o que me resta, afinal,

é o registro dessa tola existência,

Um trôpego equilíbrio entre o bem e o mal,

entre o destrutivo ódio, e a patética carência.


André Diaz