quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Só Mais Um Dia no Calendário

 Meia noite se aproxima

 Mais uma meia noite, como tantas,

Mais do mesmo, abaixo e acima

A canção dos fogos já não encanta


Maturidade também será isso?

Reconhecer que corremos como camundongos

diante do primeiro felino perigo,

Num jogo mortal, onde jamais se ganham pontos


Encarcerados num ciclo vicioso

Mecanicamente se puxa uma peça branca do armário,

Mais um prego no caixão de um cotidiano insosso,

Só mais um dia no calendário



André Diaz

Droga de Amor

 

Minha saudade persiste

como um "nóia" atravessando a rua,

sem racionalidade ainda existe

impedindo que o trânsito da vida flua


A realidade é o ônibus que breca

a voz da razão, sai da boca do motorista,

Mas essa saudade entorpecida, não há nada que impeça

e a droga deste amor não me sai da vista


E este amor ficou à paradas atrás

E eu não quero aceitar que está chegando,

o ponto final, e isso me tira a paz

e este itinerário, não posso repetir, nem pagando


Só posso deixar que a saudade se consuma

como o usuário da droga mais pesada,

Tragar este velho amor, como quem fuma

E no final, não bater nenhum barato...Não acontecer nada!



André Diaz


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O Meu Grito Também é Em Vão

 

Só esperando o fim

o amor, já conheci,

Não há mais nada para mim,

Se aproxima a hora de partir


Como o Papai Noel do apocalipse

carrego no saco, cacos de decepções,

E para quem pediu que meu coração se abrisse

distribuo tudo agora, sem as renas e sem a porra dos anões


Ouço gritos de comemoração

daqueles que tem sua fuga no futebol,

E como o deles, o meu grito também é em vão

Todos somos mãos sujas estendidas no farol


E já não existem mais trocados

na era digital do pix, afinal

os humilhados não serão exaltados

Mas hipocritamente fingiremos, com os parentes e vizinhos: "Feliz Natal"!



André Diaz

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Tão Relevante Quanto Titica de Passarinho

 

Sou apenas um jornal velho

esquecido no fundo do armário,

retratando um tempo mais vibrante e belo

muitíssimo diferente do triste e atual cenário


Chamava de todos, a atenção

com minhas manchetes em letras garrafais,

Agora virei papel de pet, privada de cão

Não resgatarei minha importância jamais


Relegado a pegar pó

Antes, verdadeiro baluarte da informação,

Hoje sou menos que lixo e só

encontro utilidade ao forrar o chão


Em dias de pintura e reforma

que virarão posts de rede social,

E dia após dia, minha história jornalística se torna

tão relevante como a titica de passarinho, que cai sobre mim, na gaiola, no fundo do quintal.



André Diaz

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Assumo Meu Papel de Poeta

 

Mais um solitário domingo

em que te carrego no pensamento,

um canguru, é como me sinto

te levando na bolsa, dando pulinhos ao vento


Mas vou pulando, sempre atento, aos caçadores de espécies exóticas

que não hesitariam em ter minha cabeça como troféu,

tanto pela minha sensibilidade artística, como por minhas fantasias eróticas

Aquele que não exerce o tradicional e másculo papel


E como o impávido animal

a percorrer as áridas planícies australianas,

Assumo meu papel de poeta, afinal

com instinto de sobrevivência e livre de preocupações mundanas



André Diaz