sábado, 16 de dezembro de 2023

Amargoso Fel

 

Chegando cansado em casa

depois de estafante ida ao supermercado,

Eis que  me deparo com um acontecimento que me arrasa

Vi que meu inchado dedo, fora abandonado

 

Já não tinha aquele abraço à envolve-lo

dando aquele aspecto de enfeite

Fiquei a olhar e apalpá-lo inteiro

na vã esperança de achar o objeto ausente

 

Já perdi várias coisas na vida

de animais de estimação à amores de verdade

Mas hoje, envolvido pelos eflúvios da bebida

me dei conta desta real ambiguidade


Que se me acostumei com a solidão

Não me acostumei com a ausência de certos adereços

que se somem, causam sofreguidão

Jogando luz sobre aquilo que finalmente acho que já desmereço

 

Mas não, estava tudo ali

naquele barato e desprezível metal

Todas as desilusões que um dia sofri

E constatei toda a verdade afinal

 

O anel é como a poesia

Uma transmutação de minhas diárias dores

e sua perda é como um espinho que meu dedo furaria

ao manusear embevecido um buquê de flores!

 

Oh! Meus nobres amigos!

Eu perdi o meu anel

que em sua pequena e circular forma era como um abrigo

neste mundo tão feio e cruel

 

Agora ando desencantado

e desprovido do prateado anel

e com o solitário dedo, apenas com a marca ornado

levantando um brinde à mais uma decepção, amargoso fel! 


André Diaz


 

 

 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Foi Aqui Que Roubaram Meu Coração

 

-- Na volta a gente compra!

   Minha penitência à lugar nenhum, e à nenhuma redenção é travada pela cena da criança esperneando no meio da Av. Paulista, trazendo de volta a lembrança de algo que parece persistir por mais que as crianças de hoje tenham acesso a coisas que para nós, coroas passados os cinquenta anos seriam obra de ficção científica.

É claro que há a variação "Na volta eu compro". Mas é a mesma balela de sempre. Mordi a língua para não disparar um "Mentira! Eles não vão comprar nada"!Mostrar a língua e sair correndo. Mas minhas pernas estavam me matando e o sol estava de rachar. E ainda seria capaz de comprarem a maldita coisa "só pra contrariar" e desmentir este estranho louco tentando acabar com a paz e com a regra pré estabelecida das eternas balelas já plantadas desde cedo na vida do indivíduo.

Continuo minha caminhada pelo meio da avenida fechada ao trânsito de automóveis, mas aberta ao livre vai e vem de pessoas iludidas e felizes na eterna perpetuação de suas mentiras.

Barbie passa com seu belo vestido cor de rosa, que lhe custou uma nota, assim como seus lábios preenchidos, prontos para beijos tão verdadeiros quanto sua natureza plástica. Barbie se tornou aquilo que cultuara na infância. Aquilo ou apenas um arremedo de um ideal inalcançável. O objeto de desejo se tornou alvo de asco, riso ou pura dúvida. Fendas não eram necessárias então, diferenças mais gritantes com seu companheiro Ken não passavam de corte de cabelo e figurino...Assim, fica fácil, não?

-- Olha Arnaldo! Tem algo de estranho com aquela mulher!

-- Fala baixo, Raimunda...

   Continuo a caminhada, passando por uma celebração natalina num tal de "Méqui"... O que é isso? Ah tá! O "abrasileiramento" do Mc Donalds para que o pobre explorado se sinta mais reconfortado e próximo do ideal capitalista ianque mas sem deixar de ter sua própria personalidade brejeira... Isso enquanto uma máquina de 'fazer neve" despeja flocos branquinhos sob o povo alegremente estupidificado. 

Nestes meus passeios de fim de semana, invariavelmente acabo por desaguar em minhas lamúrias na Av. Brig. Luis Antonio, palco de dias tão ilusoriamente felizes como a satisfação da criatura encarnada na boneca Barbie.

Desço a avenida, com toda sua miséria, pedintes e sujeitos suspeitos. Para eles não existe a ilusão, além da proporcionada por meio das drogas, lícitas ou não. Os iludidos trabalhadores são suas vítimas preferidas. Nada melhor que um otário distraído, chorando as pitangas por um amor não correspondido. Esses são alvos ideais para as "armadilhas da carência"... Já contei da vez que quase desci rolando as escadas de um "treme-treme" suspeito, atrás  de um pouco de carinho, ao me ver numa bela enrascada? Calma, amigos! Estou bem! Estou aqui! Poisé...

Mas vamos aos eventos de hoje. Parei mais uma vez em frente ao lugar que à uma década atrás vivi "dias ideais" ao lado de alguém "que finalmente valera a pena." Das primeiras vezes que voltei a visitar o local, nem havia percebido, de tão embevecido que estava, mas hoje me atentei à placa: "Você está sendo filmado"! O que não me impediu de ainda ficar olhando para a grande galeria e a escada rolante (que nunca funcionava) que ia dar na guarita do porteiro, a qual subia alegremente e regularmente como um principe pobre rumo a torre de um castelo tão suspeito como o "treme-treme" mencionado antes. 

Fiquei imaginando quem vê as tais pretensas "imagens filmadas"... Será que pensariam que sou um criminoso? Que tencionava invadir o recinto para roubar? Absurdo! A vítima fui eu! Foi aqui que roubaram meu coração! 

Engraçado, minha ida hoje, não foi satisfatória... Será que esta ilusão está perdendo seu "prazo de validade"? Termino este relato então, ouvindo uma musica dos Smiths que diz que "Há uma luz que nunca se apaga"... Um vestígio não físico daqueles dias e daquela relação, que este sim, ainda se mantém firme e pulsante... É quando construções físicas podem ruir, perder sua solidez no nosso sentimento e na correspondência de nossas saudades e ilusões, mas sempre haverá algo mais íntimo e indestrutível... A subjetividade de um som... De um cheiro e de algo intangível que sempre terá lugar em nosso coração, apesar dele ter sido covardemente arrancado de nosso peito.


André Diaz


domingo, 12 de novembro de 2023

A Poesia da Porrada

 

Meu coração é uma flor

que cresceu em meio a enorme avenida

de teu desprezo, meu amor

Mas ainda mantem-se, cheia de cor e de vida,

 

Mesmo que sufocada

pelo concreto de tua mesquinhez

Mesmo que com suas pétalas espezinhadas

pelos passos duros de tua estupidez

 

Deixando-me largado como bosta

no ringue, adversário passivo,

com as luvas de boxe, amarradas às costas

com boca sem dentes, ainda te abro um sorriso

 

E como um desconhecido e pecaminoso santo

dos flagelados da terceira divisão,

Te deixo uma prece como pranto

e te concedo o meu mais sincero perdão,

 

E em celestial êxtase, estremeço,

ao deixar em lágrimas e sangue, gravada

O que agora, carinhosamente, te ofereço,

Isto se chama: "A Poesia da Porrada"!

 

André Diaz

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Poeta Li (n)do

 Ai! Queria tanto

tanto...Ser um poeta lido!

Porque lindo eu já sou!


André Diaz

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

As Alegrias

 

Vestígios de uma amizade

que me ferem como cacos de vidro

sintomas cortantes de saudade

são as palavras que lhe dedico

 

Hoje, os fins de tarde

já não tem nenhuma graça.

e todo dia, o coração se parte

neste sentimento que me mata

 

Mesmo quando acabava o assunto

era prazeroso estar ao teu lado,

pois a amizade maior do mundo

é estar feliz ao lado de alguém, mesmo calado

 

As folhas das arvores caem

esvoaçam e adubam o solo

Assim como minhas lágrimas fazem

a germinarem mih'alma no subsolo

 

Fazendo com que floresçam

palavras de poesia,

impedindo que feneçam

as alegrias que tu me destes um dia.

 

André Diaz

 

terça-feira, 4 de julho de 2023

O Estranho Homem Que Cheirava Flores

 

Da escola só herdei os traumas e a poesia... Mas a poesia no sentido de aprender a escrever versos. Eis que então nesse ultimo domingo, tive a certeza que a poesia de fato existe em pequenos gestos que não dependem de escolaridade ou erudição... A poesia sempre morou em mim, no meu coração que sempre bateu mais forte diante da beleza ou de modo aflitivo, diante da maldade humana. Sempre morou em mim, nos meus olhos marejados diante de um mundo que escarnecia de minha sensibilidade, e isso desde os tempos de escola, onde já aprendi cedo que o valor de "ser homem" estava em sair na mão na hora da saída após o famigerado "Te pego lá fora!"... 

Neste ultimo domingo, me encontrava num sarau de poesia, e uma estranha cena tirou minha concentração da pessoa que declamava ao microfone. Um senhor de longos cabelos e  barbas brancas  esgueirou-se por trás da tenda montada para o sarau, e com dificuldade chegou até as rosas amarelas que se encontravam na parte de trás, puxou uma para de encontro ao velho e calejado nariz e aspirou seu perfume, depois esgueirou-se novamente para a parte externa e foi andando, parando mais à frente para cheirar outra rosa, agora de cor vermelha. Aquela cena impactou-me de um modo que apenas continuei sentado em meu lugar e acompanhei o sarau até o fim por mera formalidade, pois toda a poesia daquela tarde estava contida no gesto que para as pessoas que normalmente correm apressadas pela Avenida Paulista poderia parecer prova da insanidade daquele idoso. De qualquer maneira é como se houvesse de fato, uma "lei da atração" e nada mais coerente que uma pessoa que sinta-se atraído pela beleza não destoasse daquele ambiente dedicado à consagração da arte de se criar poesia. Mais uma vez digo, criar no sentido em que aprendemos na escola, colocar uma palavra atrás da outra e construir versos, mas que de nada adianta, tornando-se algo vazio, se não for preenchido pela verdadeira arte de se assumir a sensibilidade de se desprender dos farrapos do orgulho humano e vestir a colorida pluma do beija-flor que se esgueira pela rude floresta de concreto até o encontro da beleza que ainda resiste, ela poesia como a alma do verdadeiro poeta.


André Diaz

terça-feira, 27 de junho de 2023

Avenida da Desesperança

 

Te procurei em nosso velho esconderijo

Pena que as sujas paredes não falam,

Permaneceram mudas neste silêncio em que habito,

e nas malditas lágrimas que desaguam

 

Toco trêmulo suas paredes frias

cheias de riscos e pichações,

como se fossem as tatuagens em suas pernas esguias

e em tua pele quente de palpitações

 

Volto a subir a avenida da desesperança

carregando o peso dessa sufocante saudade,

como o corpo fantasmagórico de uma criança

que é este sentimento pungente que nasceu de tua maldade

 

Que foi o primeiro sorriso que você me deu

ao falar da saudosa musica dos Smiths, dos anos oitenta,

e o equívoco certamente, acho que alí nasceu

um amor que até hoje, meu peito arrebenta 


Te deixo estas tortuosas linhas

sem gozo e sem o menor prazer,

reminiscências de um velho que definha

sem nunca de fato, "biblicamente" te conhecer...


André Diaz

quinta-feira, 1 de junho de 2023

No Leite Derramado Sob as Lágrimas dos Anjos Deixei Minhas Pegadas

 "Ploct...Ploct..Ploct..." Minhas meias empapadas dançavam dentro de minhas botas encharcadas. O que era pra ser um passeio de domingo cheio de distração dos perrengues cotidianos se tornou uma verdadeira roubada. "Saí da minha cama quentinha pra isso.." Pensava indignado... Desde o estouro da pandemia minhas andanças minguaram e a arte de "flanar" como diria o grande cronista João do Rio ficou num passado distante...Não muito nublado, pois tem seu testamento escrito e os herdeiros dessa tristeza infinita um dia pararão para ler e se perguntarão..."Que porra queria André Diaz"? Amor? Um lugar no mundo pra chamar de seu? Ou apenas um canto sossegado sem seres escrotos para lhe encherem o saco? Mas também sem esses seres escrotos qual seria a motivação do poeta..Do cronista..Do contista...Da puta que pariu... Não sei lhes responder com certeza. Mas uma coisa é certa. O bagulho é doido e já faz meio século já, de procura infrutífera.

Choveu. Choveu para um caralho...Os anjos choraram borbotões em cima dessa "gente careta e covarde", como diria Cazuza... E as banquinhas de livros baratos da Paulista foram se recolhendo ao passo molhado do poeta indignado. Nada sobrava. Pegar um ônibus de volta já? Não. Tinha vindo para percorrer todo o trajeto desse endereço famoso da capital dessa metrópole doida e foi o que fiz, com minhas botas mais molhadas a cada passo ao tentar me desviar das poças formadas pelas depressões nas calçadas. E a depressão em minha alma foi sendo pisoteada ao mesmo tempo. Sensação de que o melhor se perdeu lá atrás. Antes de sair para a rua, com seu tempo inegavelmente nublado (mas eu não quis enxergar) fui me olhar no espelho para limpar a baba da boca (hoje em dia, um fenômeno vem acontecendo, mesmo após breve cochilo, acordo babado) mas eu não vi meu rosto refletido. o que vi foi um velho triste que me persegue insistentemente. 

Pés molhados e medo. Foi o que senti. Como num ano perdido no início dos anos 80. Minha mãe me mandou comprar um saquinho de leite. Sim. Naquele tempo o leite vinha num saquinho. No meio do caminho de volta parei numa banca de jornal e observei um grupo de meninas mais velhas e histéricas a folhearem uma revista com fotos de um novo grupo musical que tinha estourado, o "Menudo". Continuei meu caminho pensativo. Me imaginando como um dos membros do grupo a ser reverenciado pelas meninas e como aquilo deveria ser bom, ou não? Era esse o papel de um menino normal, ou não? E depois o homem já crescido, procriaria e deixaria seu legado. É assim que deveria ser..Ou não? Em meio a meus imbecis devaneios tropecei e deixei cair o saquinho de leite, que se espatifou aos meus pés, e voltei para casa com os tênis a fazerem "Ploc..Ploc..Ploc..." encharcados de leite. Tomei um esculacho merecido e ao voltar na padaria, a dona portuguesa me deu outro esculacho, dizendo que o leite era apenas um por cliente. Voltei arrasado para casa e tive que buscar um novo leite em outro lugar, e pagar por meu jeito desastrado com o dinheiro que ganharia aquela semana para comprar um gibi.

Enfim, com 50 anos nas costas, debaixo dessa chuva, me dei conta que não existem regras e ninguém afinal anda nos sapatos de ninguém... E decido não desviar das poças e assumir que não adianta tentar desviar a todo custo, assumir que estou todo molhado afinal, e decido pisar indiscriminadamente em todas elas, repetindo o velho mantra "menúdico": "Não se reprima! Não se reprima!" Tanto tempo desperdiçado, mas referenciando a canção do já em "carreira solo" Ricky, não é mais possível dar "um pasito pá' atrás"...Pés molhados e medo. Noutra época o medo era da bronca. Hoje, o medo é de voltar para casa e encontrar um velho ainda mais irreconhecível no espelho. Que me diria com o jeito mais rabugento e sarcástico de velho:

---- Não adianta chorar o leite derramado, garoto...


André Diaz

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Palavrão à Fórceps

 

Ai! Meu Deus! Como é difícil

manter a civilidade entre as bestas,

gostaria é de tornar-me invisível

ou perder-me nas florestas!

 

Invejo, não o bravo,

Nem aquele, que sai a esmurrar,

Mas aquele que se mantém calmo,

ao assédio do energúmeno, que vem lhe atentar!

 

Cultivando as palavras belas

mesmo diante dos trambolhos cotidianos,

E que jamais se rebela,

Fazendo-se de bobo, como diante de um engano!

 

Dedico estas linhas, a todo espirito de porco

que tenta podar-me as flores e a beleza do céu azul,

e que arranca-me à fórceps, do âmago, como um arroto

o fatal palavrão: "Vai tomar no cu"!

terça-feira, 4 de abril de 2023

A Trágica Trajetória do Homem Girassol

 Passou a vida toda, atrás do encanto

e o calor que vem do seu sol,

cuja face luminosa, sempre mudava, mas no entanto

era sempre a mesma e com o mesmo sentido de farol


Nessas trevas que sempre obscureciam

os caminhos do homem girassol

cujo pescoço-caule girava, quando os raios apareciam

e que a noite, voltava a se sentir tão só


Um dia, seu  Sol se recusou

a continuar a brilhar para nosso herói,

Suas pétalas murcharam e sua cabeça tombou

e a triste lembrança, até hoje dói


As lágrimas caem no papel

como sementes de poesia,

Pois à recordação de seu sol, sempre será fiel,

Na fé que ele haverá de renascer todos os dias

 

 

André Diaz

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Chibatadas de Lembranças

 

Duvidas me assaltam

como um dilúvio dentro de mim

chibatadas de lembranças me maltratam

neste amor sincero que não tem fim


Recebo cada sonora estalada

no meu couro tesudo e suado

Cada verso que escrevo é uma chaga inflamada

de  saudades de estar ao teu lado


Me reviro aos gritos

no empapado colchão

Oh! E termino tremendo aos gemidos

Contigo explodindo em leite morno na palma de minha mão

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Estrelas no Teto do Quarto

 

Vem amor, no meu colchão,

Vem com tua língua nervosa,

me escrever palavras de paixão,

sou teu caderno de carne, em verso, prosa e goza!


Vem, amor, nos meus lençóis

me fazer ver estrelas no teto do quarto,

fazendo-o um céu só pra nós

cabeças erguidas para o alto!


Vem, amor, escorregando

nos fluídos da excitação

de meu pobre e velho coração sangrando

só por ti, com imensa devoção!



sábado, 28 de janeiro de 2023

Eterna Procura

 Ao encandescer dos acontecimentos fiquei pensando que tudo tem um sentido oculto e enfático. Por trás dos sorrisos e 'bons dias" se escondem horrores e tristezas inimagináveis. Infâncias deslocadas de seus cursos normais, como riachos tirados de seus rumos e incongruentemente levados para terras ressequidas e que não terão sobrevida por isso, ou seja, àgua desperdiçada e jamais levada ao destino certo do mar aberto. Vemos que a vida por isso mesmo, dá voltas como um cão a morder o próprio rabo. Levando em conta que a humanidade é levada por cobiça e sonhos de grandeza a degladiar-se uns contra os outros, podemos chegar a firme resolução que os fins justificam os meios? É difícil se pensar que sim, quando invariavelmente os egos inflados levam aos limites as pré concepções do que é certo e do que é errado. Paremos para pensar porque um duende na floresta guarda um pote de ouro depois do arco-íris, isso é porque a imagem do arco-íris se fixa na concepção do maravilhoso  e inalcançável ainda mais do que a imagem do duende. 

Veremos que o "não" não anula o "sim" e assim as questões subjacentes se estendem até o vácuo da existência das ideias. 

 Sendo assim, a vida sempre foi e sempre será uma eterna procura ao pote de ouro depois do arco-íris. 

Alguém Grita Próximo Daqui

 

O ontem foi renovado às 00:00 hs desta madrugada.  O ontem morreu engasgado em sua confusão e prepotência finita. Como ousou me torturar tanto? Achou que teria tanto domínio sobre mim? Respirei aliviado e mesmo assim, ainda perturbado pelas sensações causadas por este vilão. Revirando-me na cama, contemplei sua face feita de acontecimentos equivocados, como um filme ruim a que somos obrigados a assistir repetidas e repetidas vezes, como certa vez no colégio, em que o chato professor de matemática repetia as passagens mais enfadonhas e incompreensíveis de sua aula feita á base de slides, pois tinha uma forte reação alérgica ao giz, mesmo usando luvas. Comecei a suar e me dirigi a janela. Alguém grita próximo daqui. Gritos terríveis de uma alma torturada presa num corpo cujo cérebro não funciona como o das ditas pessoas normais. Minha agonia poderia ser pior, não? Eu poderia ser o vizinho  logo ao lado dessa pobre criatura. 

Esse pensamento então, me alivia e ajuda a seguir o resto do hoje, com suas perturbadoras sensações, até ser renovado às próximas 00;00hs. Tudo poderia ser pior. Sempre. 

3:00 da manhã. Os gritos recomeçaram...

 

André Diaz

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Ardiente Fruto

 

¡Una flor marchita nació en mi pobre corazón! ¡Fruto de mucha tristeza y terrible decepción! Pero cuando veo pasar por la calle a esa bella personita, siento que en mis entrañas ha nacido un fruto nuevo y ardiente, ¡un pimiento picante que me quema y empiezo a sudar! ¡Ven, oh hermosa persona! Inundame y refresca esta pasion que me enloquece! ¡Ven, oh hermosa persona! ¡Si no me consumo! ¡Comiéndome poco a poco!

A Poesia Quer Sair

  

--- Oh meu amor

      Você tá sofrendo?

---  A poesia quer sair!

--- Oh meu amor,

      Mas tá doendo?

--- A poesia quer sair!!!!

--- Aperta que sai!

     Aperta com a unha da inspiração!

     Aperta mais forte, vai!

     Que saia como pus de uma infecção!

      Deixe espirrar tudo

      na página em branco do caderno

      Depois ofereça ao publico, com um canudo

      Para que aspire esse teu tesão interno!

      E leve o povo a se viciar

      Deleite do fluído de poeta

      Fazer versos como ejacular

      Como ponto final a última gota da ardida uretra!

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Reflexão Sobre Uma Espada de São Jorge na Escuridão

O limiar da razão se encontra no que não podemos raciocinar de fato. Uma coisa é uma coisa...Outra coisa é completamente outra coisa... Ou quase isso... Muitas vezes o que não é uma coisa, encontra-se no limite do que é uma coisa. Assim, se formos raciocinar friamente, nos encontraremos numa encruzilhada mental que poderá de fato nos levar mesmo à  loucura ou à alienação delirante, o que é mais comum em sujeitos de predisposição menos suscetíveis aos melindres cotidianos. 

Sendo assim, quando nos deparamos com algo fora de nossa compreensão, forçamos nossos neurônios a um esforço extra, que muitas vezes poderá nos levar a uma encruzilhada fatal e vitimar nosso sistema nervoso de modo fulminante e irreversível. Temos que ter muito cuidado ao andar por lugares ermos a noite, pois poderemos nos tornar vítimas até mesmo de nossa própria sombra e imaginação fértil! Por exemplo, uma espada de São Jorge na escuridão, poderá facilmente ser confundida com uma arma branca ou um instrumento sexual ofensivo. 

Em noites de lua cheia, a luminosidade natural, no entanto, poderá  ofuscar as vistas mais sensíveis, sem de fato nos levar a uma consideração final mais satisfatória, aí então, o estrago já terá sido  feito e o indivíduo, assim como o gato com o pepino, terá uma relação de conflito e horror com as espadas de São Jorge. 

sábado, 7 de janeiro de 2023

Memórias de Polaroid- Versão 02

 

Será que você ainda guarda aquela velha fotografia? Registro de um momento de loucura e esperança de amor? Primórdios da internet discada. As batidas de meu coração acompanhavam aquela discagem que muitas vezes falhava. Mas minha vontade de te conhecer não falhava nunca. Nos falamos então, por telefone fixo. Você me pediu uma fotografia. De roupa social. Você achava bonito homem de roupa social. Pedi para alguém tirar pra mim. Fiz pose de homem sério, tremendo todo como gelatina. A máquina Polaroid cuspiu na hora aquele registro de ansiedade. Mandei a foto pelo correio. Para o endereço do seu trabalho. Era muito cedo para eu saber onde você morava. Eu, cão babão e obediente aceitei cada justificativa como um daqueles biscoitos sem gosto. Você me achou bonito. Abanei o rabo. Feliz. Estreava o primeiro filme dos "X-Men". Caramba. Faz mais de vinte anos, não? Cheguei bem adiantado. Esperei. Vi as pessoas entrando. O filme iria começar. Então caí na real, mais uma vez. Eu era um estranho. Era como os mutantes do filme. Só que sem nenhum super poder. Eu era o marginal do amor. Te liguei do seu serviço. Um fone que me indicaram pra falar com os funcionários internos do banco. Você me disse que não poderia mais me conhecer pessoalmente. Para não fazer escândalo e ir embora. Exigi então, minha fotografia de volta. Você disse que mandaria. Estou esperando até hoje. Mas consigo me ver perfeitamente. Jovem e jogado em meio a uma coleção de outros jovens. Bonitos e bem vestidos. Porém , todos desbotados. Que tiveram suas almas utópicas presas nessas memórias de Polaroid. Hoje olho uma fotografia que sobrou daquele tempo. Nela não estou usando roupa social. Não consegui mais. Mas ainda está tudo lá. Um rosto sem rugas. Cabelos. Um corpo em forma. Um coração que batia junto com a internet discada. Hoje, a internet é rápida. Mas o coração não o acompanha. Se bater rápido como ela, nessa idade saberei que é um infarto e o filme de minha vida não terá sido  de super herói ,mas uma comédia dramática de baixo orçamento onde o publico pediu o dinheiro do ingresso de volta.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Xícaras Lambidas

 

Vem... Oh pessoa querida

tomar um café no fim da tarde,

Café com leite.. Isso é vida

se a rosquinha não der...a gente reparte


Toda nossa afeição

numa simples xícara de café,

feito com amor do fundo do coração,

e com uma boa dose de leite quente, né?


Lambemos os beiços

após nos refestelar,

Depois trocamos calorosos beijos

melados de café com leite, isso é no que dá


Nos despedimos, afinal

com o fluído vital em nossas tripas,

café com leite no fim da tarde, isso é genial

sem deixar uma gota nas xícaras lambidas...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Despejado da Casa do Amor

 

Quero lhe ser entregue

como pizza, meio muzzarela, meio calabreza,

Quero ver a tua cara alegre

Quando abrir minha caixa quente, sobre a mesa


Me lambuza de azeite

e enfia os teus dedos,

Chupe minhas azeitonas, elas não são de enfeite

deixa eu descobrir os teus segredos


Mastigue e engula tudo

quero me perder na tua garganta,

beba todo o refri, sugue todo o canudo,

Pensei que fosse Coca, mas o teu negócio é Fanta!


Ai! Que loucura!

dando voltas e voltas em tuas tripas

teu suco gástrico me dá fissura,

tua beleza interior.. me excita!


Chegou a fatal hora, então,

do doloroso e miserável adeus,

do calor e umidade despeço-me, com dor no coração,

Sendo despejado da casa do amor, que é o intestino teu!