Eu vi pedras,
pedras como dentes
a se destacarem
de um jardim sem flor,
Aquelas pedras eram a dentadura carcomida
de um velho jardim triste,
regado pelo xixi dos gatos
e esquecido dos passantes apressados,
até agora,
Pois sentei do seu lado,
E ganhei um sorriso.
sábado, 29 de outubro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Onde Ele Esteve
Me lembro
de quando pequeno
procurar onde ele esteve,
mas não encontrei nenhuma pegada,
nenhum indício,
Ele era o homem morto na igreja?
A quem as velhinhas
botavam moedas na caixinha do altar?
de quando pequeno
procurar onde ele esteve,
mas não encontrei nenhuma pegada,
nenhum indício,
Ele era o homem morto na igreja?
A quem as velhinhas
botavam moedas na caixinha do altar?
Ele era a ameaça proferida àqueles que viviam livres dos grilhões da sociedade?
Livres para agir e pensar, sem temerem um castigo criado por uma instituição
interessada unica e exclusivamente, no controle das mentes e sua eterna subjugação?
Vi que não era,
Vi que não era,
E se era, ele não me interessaria de modo algum,
Inventei então, para mim
que ele era o colorido das flores,
A fofura das nuvens de algodão,
A graciosidade
da menina mais bonita da escola,
Inventei então, para mim
que ele era o colorido das flores,
A fofura das nuvens de algodão,
A graciosidade
da menina mais bonita da escola,
e a amizade do meu amigo que me entendia,
Para mim
ele era a poesia
com que impregnei
meus primeiros e toscos versos,
e que ainda faz
com que movimente esta caneta,
Ele não é uma recompensa material,
Ele é o contrário
de tudo que se dá valor aqui,
Ele é o tolo sorriso
que me brota nos lábios
Ao assumir minha condição de poeta
Num mundo
Para mim
ele era a poesia
com que impregnei
meus primeiros e toscos versos,
e que ainda faz
com que movimente esta caneta,
Ele não é uma recompensa material,
Ele é o contrário
de tudo que se dá valor aqui,
Ele é o tolo sorriso
que me brota nos lábios
Ao assumir minha condição de poeta
Num mundo
Que escarnece
de minha escolha.
de minha escolha.
O Lixo do Gringo*
O lixo do gringo
é bom para mim,
O lençol infectado
cobre a falta de vergonha,
E serve de forro
para os bolsos vazios
de um eterno terceiro mundo,
endividado
com a velha mania masoquista
de lamber as botas do Tio Sam.
* Inspirado na noticia em que contêiners vindos dos EUA, contendo lençóis classificados como lixo hospitalar, vieram para Santa Cruz Do Capibaribe (PE), para serem aproveitados em uma loja de tecidos e retalhos "Império do Forro de Bolso".
é bom para mim,
O lençol infectado
cobre a falta de vergonha,
E serve de forro
para os bolsos vazios
de um eterno terceiro mundo,
endividado
com a velha mania masoquista
de lamber as botas do Tio Sam.
* Inspirado na noticia em que contêiners vindos dos EUA, contendo lençóis classificados como lixo hospitalar, vieram para Santa Cruz Do Capibaribe (PE), para serem aproveitados em uma loja de tecidos e retalhos "Império do Forro de Bolso".
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Amo Sua Dor
Todo santo sábado
Lá vem ela me visitar,
Depositando rosas aos meus pés
Meus olhos duros comtemplam os seus,
Tão tristes e marejados
meu dedo apontado para o céu
tenta lhe falar de esperança
Que um dia irá reencontrá-lo
Mas ela parece não entender
e soluça debaixo de minhas asas rachadas
Mas ao mesmo tempo, amo sua dor
que rompe assim, esta solidão
Esta existência imóvel
de anjo de cemitério.
Lá vem ela me visitar,
Depositando rosas aos meus pés
Meus olhos duros comtemplam os seus,
Tão tristes e marejados
meu dedo apontado para o céu
tenta lhe falar de esperança
Que um dia irá reencontrá-lo
Mas ela parece não entender
e soluça debaixo de minhas asas rachadas
Mas ao mesmo tempo, amo sua dor
que rompe assim, esta solidão
Esta existência imóvel
de anjo de cemitério.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Pedal
Não sou Carlos Alberto,
Mas sou o cara sentado no banco da praça
Vendo a vida vibrante que vem
que passa,
Admiro essas pessoas tão fisicas
a chegarem esgotadas
e contentes em casa,
com o seu cooper feito
e a sua pedalada,
Ah! A pedalada!
Ela já deu a volta no parque
e volta de novo
e de novo,
E eu aqui
só observando
Como o grande astro
e os planetas dando voltas
em meu corpo grande e sedentário,
Seus pés não se escondem nos tênis,
Mas se insinuam em indecentes sandálias fio-dental,
Transmutando este meu grande corpo astral,
em simples, reles
porem, satisfeito pedal!
Mas sou o cara sentado no banco da praça
Vendo a vida vibrante que vem
que passa,
Admiro essas pessoas tão fisicas
a chegarem esgotadas
e contentes em casa,
com o seu cooper feito
e a sua pedalada,
Ah! A pedalada!
Ela já deu a volta no parque
e volta de novo
e de novo,
E eu aqui
só observando
Como o grande astro
e os planetas dando voltas
em meu corpo grande e sedentário,
Seus pés não se escondem nos tênis,
Mas se insinuam em indecentes sandálias fio-dental,
Transmutando este meu grande corpo astral,
em simples, reles
porem, satisfeito pedal!
Ação e Verrugação
Passo pensando pela rua. O que pensava já não lembro. Só o que vejo, importa. E acho que não irei esquecer tão cedo. O mendigo esparramado em suas cobertas de pele de miséria, lendo com atenção uma revista Caras. Que se passará naquele espirito, vendo a vida e as futilidades desses sortudos materiais? E serão sortudos realmente? Perseguidos pelos paparazzi, como se fossem a oitava maravilha? Consumidos pela aparência. Pelo dinheiro. O mendigo coça o saco diante da foto da socialite. E ela sorri, satisfeita com seu poodle no colo, com coleira de diamantes e tudo.
Paro no ponto de ônibus, o sol é um grande ovo frito pingando seu óleo quente no asfalto. Tem uma mulher lá sentada, mexendo no celular. Com as pernas cruzadas, parece se entreter com sua atividade, balançando a sandália na ponta do pé. Ela se endireita, olha para o nada, se curva e observa os próprios pés. Olha novamente para o nada, volta a posição anterior, fuçando no celular.
--- Boa tarde!
--- Boa tarde!
Fico lá olhando, aquela movimentação tão sexy, de seu pé. E o engraçado é saber que ela não sabe que aquilo é sexy. O meu desejo é só meu, e ela desconhece o fascínio que me causa com aquele balançar da sandália na ponta dos dedos. Aquilo é como a musica de uma flauta que hipnotiza a serpente, no caso, eu. Eu preciso falar. E porque não falar? Anos e anos insistindo em ser mais um. Em me encaixar no comum. Não. Eu sou um artista. Eu não sou mais um. Eu sou eu. Simplesmente falar pra moça de minha admiração. Sem conversinhas fiadas, que não levariam a nada. E acabar naquela depressão "pós-papo", tentando ser mais um, a procura de mais uma.Será que estou sendo claro? Ficar dando murro em ponta de faca. Esperando engatar um relacionamento. Que por grande experiência, sei que nunca dá certo. De repente, me lembro da fala de uma personagem de Jean Paul Sartre, no romance "A Náusea": "--- Sei que nunca mais encontrarei nada nem ninguem que me inspire uma paixão. Você sabe, não é tarefa fácil amar alguém. É preciso ter uma energia, uma curiosidade, uma cegueira... Há até um momento, bem no início, em que é preciso saltar por cima de um precipício: se refletimos, não o fazemos. Sei que nunca mais saltarei." É isso. Apenas ficar lá, observando aquele pé, a se "requebrar", apenas para mim. Um momento mágico!
--- Seus pés são muito bonitos!
--- Oque?! Ela ri, incrédula, e olha pros pés.
--- Não! São tão feios!
--- Acho engraçado... Vocês mulheres param pra ficar olhando os próprios pés. Depois dizem que não gostam deles!
--- Eu estava olhando e pensando: " Nossa! Como são feios!"
Ah! Então descobri o segredo! Quando elas olham os próprios pés, pensam isso!
--- O esmalte é roxo. É novidade pra mim.
--- Ah...Tá...
--- Qual seu nome?
---- Márcia.
Fico esperando que ela pergunte o meu. Não pergunta. Você sabe que despertou o interesse em alguem, quando lhe pergunta o nome, daí a pessoa pergunta o seu. Não. Márcia não queria saber o meu nome. Então, fico simplesmente olhando aqueles pés. Òtimo. Sem complicações. Ela estava no intervalo de almoço e se despede educadamente.
---- Passe bem, moço!
--- Você está sempre aqui, a essa hora?
--- Sim.
---- Posso voltar a vê-la?
--- Pra quê?
--- Nada não.
Entro no ônibus. É uma sauna. Levanto a camisa e enxugo o suor debaixo da barriga. É um daqueles bancos que deixam você de cara com outra pessoa. E lá estava ele. Um homem com um nariz enorme, com uma verruga bem na ponta, ouvindo musica nos fones de ouvido, e aparentemente acompanhando o ritmo com a saliva na ponta da lingua, de encontro aos lábios pendentes e babosos. Penso nas bruxas das estórias infantis.
---- Spliiittt...Liiipssstsss....
Um arrepio horrivel percorre minha espinha. A visão da verruga apontando para mim, e a linguinha a expelir cuspe, entre uma "doce melodia".
Resolvo fechar os olhos, como certa vez fiz quando criança, quando "vi" uma caveira em cima do armário, e comecei a rezar.
--- Senhor! Senhor! Livrai-me dessa verruga e desse barulhinho!! Me arrependo de minhas mancadas!! Ação...Reação...Ação...Reação...Ação...VERRUGAÇÃO!!! AAAAAAAAHHH!!
Abro os olhos. Alem do sujeito continuar na minha frente, ele agora, sorri para mim! Levanto e dou o sinal. Estou de volta a rua. E não sei como terminar de modo interessante, esta crônica. Mas o que é que realmente importa, no fim das contas? Um par de pés na minha frente, é algo importante para mim, mas para outro pode não dizer nada. Certa vez, um colega disse para uma pessoa, que eu gostava de pés, daí o cara perguntou: "---Pé de galinha?" Poisé...
Paro no ponto de ônibus, o sol é um grande ovo frito pingando seu óleo quente no asfalto. Tem uma mulher lá sentada, mexendo no celular. Com as pernas cruzadas, parece se entreter com sua atividade, balançando a sandália na ponta do pé. Ela se endireita, olha para o nada, se curva e observa os próprios pés. Olha novamente para o nada, volta a posição anterior, fuçando no celular.
--- Boa tarde!
--- Boa tarde!
Fico lá olhando, aquela movimentação tão sexy, de seu pé. E o engraçado é saber que ela não sabe que aquilo é sexy. O meu desejo é só meu, e ela desconhece o fascínio que me causa com aquele balançar da sandália na ponta dos dedos. Aquilo é como a musica de uma flauta que hipnotiza a serpente, no caso, eu. Eu preciso falar. E porque não falar? Anos e anos insistindo em ser mais um. Em me encaixar no comum. Não. Eu sou um artista. Eu não sou mais um. Eu sou eu. Simplesmente falar pra moça de minha admiração. Sem conversinhas fiadas, que não levariam a nada. E acabar naquela depressão "pós-papo", tentando ser mais um, a procura de mais uma.Será que estou sendo claro? Ficar dando murro em ponta de faca. Esperando engatar um relacionamento. Que por grande experiência, sei que nunca dá certo. De repente, me lembro da fala de uma personagem de Jean Paul Sartre, no romance "A Náusea": "--- Sei que nunca mais encontrarei nada nem ninguem que me inspire uma paixão. Você sabe, não é tarefa fácil amar alguém. É preciso ter uma energia, uma curiosidade, uma cegueira... Há até um momento, bem no início, em que é preciso saltar por cima de um precipício: se refletimos, não o fazemos. Sei que nunca mais saltarei." É isso. Apenas ficar lá, observando aquele pé, a se "requebrar", apenas para mim. Um momento mágico!
--- Seus pés são muito bonitos!
--- Oque?! Ela ri, incrédula, e olha pros pés.
--- Não! São tão feios!
--- Acho engraçado... Vocês mulheres param pra ficar olhando os próprios pés. Depois dizem que não gostam deles!
--- Eu estava olhando e pensando: " Nossa! Como são feios!"
Ah! Então descobri o segredo! Quando elas olham os próprios pés, pensam isso!
--- O esmalte é roxo. É novidade pra mim.
--- Ah...Tá...
--- Qual seu nome?
---- Márcia.
Fico esperando que ela pergunte o meu. Não pergunta. Você sabe que despertou o interesse em alguem, quando lhe pergunta o nome, daí a pessoa pergunta o seu. Não. Márcia não queria saber o meu nome. Então, fico simplesmente olhando aqueles pés. Òtimo. Sem complicações. Ela estava no intervalo de almoço e se despede educadamente.
---- Passe bem, moço!
--- Você está sempre aqui, a essa hora?
--- Sim.
---- Posso voltar a vê-la?
--- Pra quê?
--- Nada não.
Entro no ônibus. É uma sauna. Levanto a camisa e enxugo o suor debaixo da barriga. É um daqueles bancos que deixam você de cara com outra pessoa. E lá estava ele. Um homem com um nariz enorme, com uma verruga bem na ponta, ouvindo musica nos fones de ouvido, e aparentemente acompanhando o ritmo com a saliva na ponta da lingua, de encontro aos lábios pendentes e babosos. Penso nas bruxas das estórias infantis.
---- Spliiittt...Liiipssstsss....
Um arrepio horrivel percorre minha espinha. A visão da verruga apontando para mim, e a linguinha a expelir cuspe, entre uma "doce melodia".
Resolvo fechar os olhos, como certa vez fiz quando criança, quando "vi" uma caveira em cima do armário, e comecei a rezar.
--- Senhor! Senhor! Livrai-me dessa verruga e desse barulhinho!! Me arrependo de minhas mancadas!! Ação...Reação...Ação...Reação...Ação...VERRUGAÇÃO!!! AAAAAAAAHHH!!
Abro os olhos. Alem do sujeito continuar na minha frente, ele agora, sorri para mim! Levanto e dou o sinal. Estou de volta a rua. E não sei como terminar de modo interessante, esta crônica. Mas o que é que realmente importa, no fim das contas? Um par de pés na minha frente, é algo importante para mim, mas para outro pode não dizer nada. Certa vez, um colega disse para uma pessoa, que eu gostava de pés, daí o cara perguntou: "---Pé de galinha?" Poisé...
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