domingo, 30 de junho de 2024

Lamacenta Mata dos Afetos Desperdiçados

 



Você chega de mansinho

como uma pombinha rola à ciscar,

e com um sorriso cheio de dentes

como a hastear a bandeira da paz

me conta uma estória triste de abuso,

Você diz que não cobraria nada,

E eu te ouço, cheio de simpatia sincera,

Mas enfim, chega a hora da cobrança,

Ela sempre chega,

sorrateira, como uma cobra,

se insinuando, entre os cabelos das pernas

Nessa lamacenta mata dos afetos desperdiçados,

O veneno foi inoculado,

Já ia perdendo todo o ar dos pulmões,

A palavra, presa na garganta,

O antídoto da coragem à liberta

E eu digo "não"!

Um "não" swguido de um orgasmo libertador,

Vejo então, teu sorriso se quebrar,

E você diz só: "Tudo bem"!

Minhas pernas ainda tremem

enquanto te vejo ir embora,

Mas, por breve momento

posso dizer que sinceramente te amei!


André Diaz


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