Lá fora, os anjos choram seus mortos
varrendo as imundas calçadas,
Aqui dentro, os pensamentos percorrem caminhos tortuosos
E grito tristemente, com a boca calada
Neste sorumbático dia de finados
a caneta é uma vela que acendo,
à morte desta amizade, e inflamado
registro como cera quente quente, o meu lamento
Meu coração também parece morto
frio e indiferente, à novas sensações,
Mas, como vampiro, se alimenta absorto
do fluído quente, que escorre dessas velhas recordações
Teu bonito e inesquecível sorriso
aparece, como um cordeiro apetitoso,
E meu frio corção, bate excitado com isso
Criando presas e dilacerando seu pescoço
André Diaz

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