quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Meu Coração é Um Cão Ao Relento

 


Apesar de lindo

embriago esta minha beleza solitária,

Mais um domingo findo

e a transmutação da melancolia em verso, se torna necessária


Como numa quase morte

vejo minha vida toda passar pelos olhos,

Penso se é karma ou falta de sorte,

se é dado à alma sensível, deparar-se perpetuamente, com abrolhos


Tento dar à vacilante caneta

direção a um final razoável,

Mas agora, já não tenho certeza

se minha poesia, não se tornou vítima de uma repetição intragável,


Um eterno lamento

sobre uma situação imutável,

Meu coração é um cão ao relento

bebendo àgua da sarjeta, como qualquer palavra que lhe soe amigável


André Diaz

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