Não saberia dizer
Um frescor que quase não aguento,
de dentro para fora, como um florescer
Será a velhice, ou esta mudança de tempo?
Sem razão e cheio de sensibilidade
o eclodir dos poros a me dominar,
a desmanchar-me contra o concreto e sua brutalidade
O diferente tenta escapar
Já nasceu em fuga, esta criança
refugiando-se no canto mais escuro do recreio,
Sua espécie, já condenada e sem esperança
Anos se passam, sem saber onde vai e de onde veio
Viver o verdadeiro eu
Na rima pobre e na metáfora,
Despir-se da armadura, onde a criança se escondeu
Viver enfim, sua essência, não só da boca para fora
André Diaz

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