quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Despir-se da Armadura

 

Não saberia dizer

Um frescor que quase não aguento,

de dentro para fora, como um florescer

Será a velhice, ou esta mudança de tempo?


Sem razão e cheio de sensibilidade

o eclodir dos poros a me dominar,

a desmanchar-me contra o concreto e sua brutalidade

O diferente tenta escapar


Já nasceu em fuga, esta criança

refugiando-se no canto mais escuro do recreio,

Sua espécie, já condenada e sem esperança

Anos se passam, sem saber onde vai e de onde veio


Viver o verdadeiro eu

Na rima pobre e na metáfora,

Despir-se da armadura, onde a criança se escondeu

Viver enfim, sua essência, não só da boca para fora



André Diaz

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