quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Apresentável Presunto

 


Sigo no turbulento trem da vida

Meu estômago embrulha em meio a tanto horror,

Sangue e fluídos diversos tornam as tripas coloridas

Imagino a vida do embalsamador


Viver de nosso funesto fim

Trabalhando a fria e rígida carne,

Não se aproveita nada, nem um rim,

No fim, somos todos lixos de descarte


O rico tendo enterro com toda pompa

mas seu fim é tão ou mais miserável,

A voz do pisoteado ainda o assombra

ensurdecendo-o além tumulo, nada agradável


O embalsamador termina seu dia

limpando-se de todo pecado e crime daqueles corpos,

Deixando o rubro líquido escorrer pela pia

Entregando um apresentável presunto aos seus parentes chorosos!



André Diaz

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