terça-feira, 21 de julho de 2026

Congelante Arrependimento Eterno

 


Desculpe, mas não posso te enganar

Fingir que o céu é todo azul,

que não há em sua face nuvens brancas a flutuar

assim como estrias e cicatrizes no corpo nu


Desculpe, queria muito poder te amar

Contigo fazer a volta perfeita no novelo da vida,

e deixar-me por ela, naturalmente tricotar

tendo um no outro, agasalho quente e sob medida


Ninguém conhece ninguém tão bem

nem sabe de fato, de que material o outro é feito,

e com as possibilidades, nosso desejo de entretém,

apertando um falso cachecol, de encontro ao ansioso peito


Mas nada de irreal

irá sustentar-se ao mais rigoroso inverno,

e o mais simples encontro de corpos, poderá ser fatal

Resultando em congelante arrependimento eterno



André Diaz

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