Desculpe, mas não posso te enganar
Fingir que o céu é todo azul,
que não há em sua face nuvens brancas a flutuar
assim como estrias e cicatrizes no corpo nu
Desculpe, queria muito poder te amar
Contigo fazer a volta perfeita no novelo da vida,
e deixar-me por ela, naturalmente tricotar
tendo um no outro, agasalho quente e sob medida
Ninguém conhece ninguém tão bem
nem sabe de fato, de que material o outro é feito,
e com as possibilidades, nosso desejo de entretém,
apertando um falso cachecol, de encontro ao ansioso peito
Mas nada de irreal
irá sustentar-se ao mais rigoroso inverno,
e o mais simples encontro de corpos, poderá ser fatal
Resultando em congelante arrependimento eterno
André Diaz

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