sexta-feira, 27 de março de 2026

Propaganda de Margarina

 Vejo o amor ir embora

  como água límpida entre os dedos,

  Vejo como é cruel, o aqui e o agora

  Personificação dos piores medos


 Vejo ruir o meu porto seguro

 deixando toda a fragilidade exposta,

 perdido na neblina, brilhante e utópico futuro

 soterrado em perguntas, uma vacilante resposta


Sinto soltar-me o braço, meu maior apoio

e embaçar-se o sorriso encorajador,

Tento dormir e fingir que é só um sonho

mas desperto de meu embriagante torpor


E percebo que não há o que fazer

Do livro da vida, a ultima página, finitude,

E entre lágrimas, devo reconhecer

Um novo dia é propaganda de margarina, que só nos ilude...



André Diaz

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