O odor pungente
de tuas calças e calçados
perdeu-se em meio ao redemoinho
de lembranças embaçadas,
como o vidro da janela
que limpei agora,
mas não há produto de limpeza
para as desilusões,
nem removedor
que apague este teu sorriso debochado,
Não consegui transpor
a guarita de teu coração,
Deixou-me estacado, sem acesso,
acumulando junto com os anos
todo este sujo ressentimento,
E agora, com o trapo esburacado da poesia
tento botar a limpo
este sentimento puro, mas maculado por tua covarde atitude,
de jogar ao chão de meu limpo coração
o papel lambuzado de meu amor, mordido e chupado até o palito
André Diaz

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