Sinceramente, te peço perdão
Eu sempre estrago tudo,
Como folha esvoaçante no furacão
rodopiei novamente a maldita língua no abismo profundo
Levando para bem longe
toda a sua sincera simpatia,
Quem dera, fosse, em vez de poeta, monge
Vivendo, só de orações e vigília severa, noite e dia
Te ofereço o pungente poema
como flagelo, a me fustigar as costas,
Que tem o descontrole sensual, como tema
Cada verso é uma lapada, a arrancar-me as crostas
Feitas de lubricidade e solidão
levando-me a confundir os sentimentos,
Transformando amizade, real tábua de salvação
em mágoa, nojo e no mar do desprezo, afogamento.
André Diaz

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