segunda-feira, 1 de setembro de 2025

No Mar do Desprezo

 

Sinceramente, te peço perdão

Eu sempre estrago tudo,

Como folha esvoaçante no furacão

rodopiei novamente a maldita língua no abismo profundo


Levando para bem longe

toda a sua sincera simpatia,

Quem dera, fosse,  em vez de poeta, monge

Vivendo, só de orações e vigília severa, noite e dia


Te ofereço o pungente poema

como flagelo, a me fustigar as costas,

Que tem o descontrole sensual, como tema

Cada verso é uma lapada, a arrancar-me as crostas


Feitas de lubricidade e solidão

levando-me a confundir os sentimentos,

Transformando amizade, real tábua de salvação

em mágoa, nojo e no mar do desprezo, afogamento.


André Diaz


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