Perdido vou pela trilha da solidão
Na procura infrutífera pelo paraíso,
Uma costela trincada, e dos rejeitados, sou Adão
ainda assim, percorro indeciso
Não a vejo se rastejar aos meus pés
misturada que está com à feia vegetação,
e continuo, mesmo sem destino e sem fé
numa perpétua mágoa e negação
Então ela levanta a rotunda cabeça
ao contato de minha vacilante sola,
Me olha nos olhos, fazendo com que eu estremeça
E numa obscena paródia, se solta para fora
Cravando-me profundamente as presas
Deixando-me deveras dolorido,
Percebo então, para minha surpresa
que não era peçonhenta, e ainda estou vivo
E vou embora me arrastando
ainda procurando direção e algum sentido,
e intimamente me interrogando
Alguns homens cruzam com a serpente, outros com o fruto proibido.
André Diaz

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