quarta-feira, 3 de setembro de 2025

A Serpente e o Fruto Proibido

 

Perdido vou pela trilha da solidão

Na procura infrutífera pelo paraíso,

Uma costela trincada, e dos rejeitados, sou Adão

ainda assim, percorro indeciso


Não a vejo se rastejar aos meus pés

misturada que está com à feia vegetação,

e continuo, mesmo sem destino e sem fé

numa perpétua mágoa e negação


Então ela levanta a rotunda cabeça

ao contato de minha vacilante sola,

Me olha nos olhos, fazendo com que eu estremeça

E numa obscena paródia, se solta para fora


Cravando-me profundamente as presas

Deixando-me deveras dolorido,

Percebo então, para minha surpresa

que não era peçonhenta, e ainda estou vivo


E vou embora me arrastando

ainda procurando direção e algum sentido,

e intimamente me interrogando

Alguns homens cruzam com a serpente, outros com o fruto proibido.



André Diaz






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