terça-feira, 23 de setembro de 2025

Maior que a Folha em que Escrevo

 

Carrego a terrivelmente ingrata

e deliciosa cruz, de ser eu mesmo,

espantando a todos, na hora exata

com minha singela e bestial nudez, pessoalmente ou em forma de texto


A poesia me mantém erguida

a cabeça, neste perpétuo calvário,

desafogo assim, na balsâmica escrita

minh'alma solitária, neste pedregoso itinerário


Cada verso salva-me

de cada expressão de desprezo,

e no final, isso basta-me

porque nas letras, enfim, te enalteço


Tu, que passastes por mim

usando meu corpo de capacho,

Fazendo-me gozar de uma agonia sem fim

maior que a folha em que escrevo, que para descrever já não há espaço


André Diaz

Nenhum comentário: