segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Lambendo Meu Próprio Ferimento

 

Com tua lembrança, preencho as tardes vazias

Afinal, chega o final de semana,

e as chicotadas de suas respostas frias

me vem a memória, e a imaginação se inflama


Me vejo jogado a teus pés

à espera de pequenas migalhas,

Em teu poder, mantenho a fé,

E entre nós, levantamos intransponível muralha


Que tento em vão, escalar

mas cada pedra é um olhar sem resposta,

Que meu vacilante pé, se põe a escorregar

Então, tu sorris, sadicamente tu gostas


E não vejo outra saída, se não

registrar este meu doce tormento,

como um beijo servil, nesta carrasca mão

a deliciar-me como cão, lambendo meu próprio ferimento!


André Diaz




Nenhum comentário: