O desejo e a carência
dão forma a esta faca de açougueiro,
a qual, em minha mão, vibra com indecência
e a cada emocionado golpe, me descontrolo e tremo inteiro
A carência é o engordurado cabo
na qual a palma suada se agarra,
O desejo é a afiada lâmina de aço
que corta laços, numa sangrenta e triste farra
Meu coração, sempre iludido, dispara
em puro e frenético frenesi,
Mas, como sempre, no espelho, meu rosto com seu reflexo, se depara
e mais uma vez, me condeno a te ver partir
Mais uma, entre tantas e bem intencionadas pessoas
que me deram o privilégio de sua atenção e amizade,
Fatiei como bife, suas intenções que eram tão boas
sem saciar-me, deixando em meu paladar, apenas o gosto da saudade.
André Diaz

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