quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Apenas o Gosto da Saudade

 

O desejo e a carência

dão forma a esta faca de açougueiro,

a qual, em minha mão, vibra com indecência

e a cada emocionado golpe, me descontrolo e tremo inteiro


A carência é o engordurado cabo

na qual a palma suada se agarra,

O desejo é a afiada lâmina de aço

que corta laços, numa sangrenta e triste farra


Meu coração, sempre iludido, dispara

em  puro e frenético frenesi,

Mas, como sempre, no espelho, meu rosto com seu reflexo, se depara

e mais uma vez, me condeno a te ver partir


Mais uma, entre tantas e bem intencionadas pessoas

que me deram o privilégio de sua atenção e amizade,

Fatiei como bife, suas intenções que eram tão boas

sem saciar-me, deixando em meu paladar, apenas o gosto da saudade.




André Diaz

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