terça-feira, 5 de maio de 2026

Servo da Tristeza

A tristeza cai sobre mim

como a funesta capa do vampiro,

quando mais um domingo chega ao fim

e não sobra mais nada, só um vencido suspiro


E este vampiro se acomoda

como um peso insuportável nas costas,

e sugar, até o ultimo pingo de ânimo, é o que lhe importa

e sarcástico, sussurra: "Sei que no fundo, tu gostas"!


"Sou tua fonte de inspiração

sem minha sombra sobre ti, tu não és nada"!

Contorço-me, não quero lhe dar razão,

Mas nego-me a lhe enterrar a estaca!


Deixo-o chupar-me, até a ultima gota

Mas não o suficiente, para aniquilar-me,

Render-me às suas garras, não significa derrota

Ser servo da tristeza, sem jamais anular-me!



André Diaz 

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